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[João Paulo Borges Coelho, Crónica da Rua 513.2, Ndjira, 2006]

Já aí está, em surdina nas livrarias*, o novo livro de João Paulo Borges Coelho. A ser cerimoniado lá para meados do mês mas já à venda. Em Portugal a edição Caminho será lançada hoje e para a semana (cidades diferentes). Uma crónica de rua, esta microcosmos do país desde a partida dos portugueses aos dias de hoje. Uma rua "entre o mar e o mato" (seria um belo nome, acho eu) onde se vão cruzando velhos e novos habitantes, um rosário de personagens a mostrarem o país que se foi fazendo. Vivendo, sempre, com o passado ao lado.

*Nota: O mercado livreiro aqui é pequeno, as edições curtas. Mas confesso que me surpreendem as práticas de venda dos livros. JPBC ganhou o prémio José Craveirinha de Literatura, O prémio literário moçambicano atribuído pela Associação de Escritores Moçambicanos e pela Hidroeléctrica de Cahora-Bassa. Foi-lhe atribuído pelo livro "As Visitas do Doutor Valdez". Quem lê o que vai saindo não se terá surpreendido com a atribuição. O prémio foi atribuído e o livro estava esgotado. Assim continua. A editora não edita, os livreiros não encomendam. Os livreiros nem uma fotocópia do jornal com a notícia colocam junto aos livros existentes do autor. Nem sequer o realçam nos escaparates (tipo "O vencedor do prémio ..."). Perde visibilidade o autor e os seus livros. Perde visibilidade o prémio e a Associação de Escritores que o organiza. Perde visibilidade o mecenas HCB. Perdem os livreiros que não despacham os armazéns (nem que sejam 20 ou 30 livros, isso seria 5% da edição local). Perdem os editores que idem.

Para o ano outro prémio, muito provavelmente, diz quem lê o que vai saindo, para Ungulani Ba Ka Khosa - ou para outro qualquer escritor. Vão livreiros e editores continuar a "dormir na forma"? E a dizer que se vende pouco? Eu já nem falo de livros, mas se fosse o mecenas muito me irritaria. Ou pelo menos perguntar-me-ia "para quê"?

publicado às 08:45


4 comentários

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De manoel donini a 16.10.2008 às 13:09

Foi bom ler textos expostos neste blog, criado por alguém de talento.Mas registro minha modesta opinião de protesto contra o comportamento de livreiros, deveriam valorizar os trabalhos, ajudarem a divulga-los, realçarem o seu valor, pois afinal, são sua matéria prima de trabalho, ganham a vida por meio de suas vendas.

maio 5, 2006 08:00 PM
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De Carlos Indico a 16.10.2008 às 13:11

Caro Jpt, polémicas à parte: "partida dos portugueses" é uma expressão que dá mil páginas.
Quem eram os portugueses? Os moçambicanos? Voltamos ás raças?
Não estou a discutir a Indepedência. Sim, a nacionalidade.Ou a não necessidade, para aí mais 100 anos. A separar o povo dos partidos e dos governos. A paciência é urgente.

Publicado por: Carlos Indico às maio 5, 2006 11:00 PM
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De ds a 16.10.2008 às 13:11

Muito bom livro. Enorme surpresa. Disponível em Portugal há pelo menos 2 semanas.Tentei comprar mais títulos do autor mas em vão. (FNAC,...)

Publicado por: ds às maio 6, 2006 12:14 AM
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De jpt a 16.10.2008 às 13:11

Obrigado pelas palavras M.Domini. DS idem. E o que diz entronca no que venho aqui dizendo, a distribuição de jpbc é deficitária, até eu em curtas passagens aí o noto, estranho-lhe a ausência das livrarias. E sendo a caminho a editora tal torna-se mais inconcebível, essa editora tem capacidade de distribuição, até de escritores moçambicanos (mia, chiziane). Um absurdo, mesmo que seja um pequeno absurdo de centenas de exemplares ou poucos milhares deles. Do aqui nem vale a pena insistir, é mesmo patético

Publicado por: jpt às maio 6, 2006 12:30 AM

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