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As Cinzas de Maria Callas

por jpt, em 18.06.06

acabrita

António Cabrita, As Cinzas de Maria Callas, Lisboa, Teorema, 1997

A estes contos (?) apetece-me chamar-lhe romance de formação, um homem a lembrar-se de um miúdo ali ao Cristo-Rei em construção (Pragal?), um vago quasi-primo em terras de Moçambique, coisas da então guerra e de algumas novas que esse enviou, tias e "tias", putos e isso a fazerem-se homens, ainda que espantados. Um bocado amolerado, parece-me, ainda que a esse tenha lido há quase trinta anos - ou seja, se calhar não. Bom de bola, perdão, bom de paleio:"As palavras avaliam-nos pelas peúgas que lhes pomos, estão sempre a medir, a comparar. Nem sempre é justo mas é assim, vive a fraqueza de uns para a impiedade dos outros. Sim: as pessoas não passam de muco viscoso para as palavras, que ocupam a vida a desembaraçar-se de nós - e quando não o conseguem, divertem-se. ...Qual é a tarefa delas? Os inocentes, julgam-se uma espécie de guarda-chuva para as palavras e que as utilizam sem pagar o preço. Como se bastasse massajá-las! Não dão hipóteses. Já leu o Gulliver? Para mim a chave do livro está naquele povo que vive em "ilhas voadoras" e num estado de alarme permanente, por causa dos perigos que podem vir dos corpos celestes. As "ilhas voadoras" são as cabeças múltiplas da hidra que cada palavra é." (48-50)Depois: duas coisas, de pormenor uma. O César Brito não jogava no 25 de Abril de 1974. E a outra, o posfácio, se poderá ter a ver com a "psicologia" da obra, não tem muito com a "economia" da obra, como agora se diz. Mas são opções, pronto.

publicado às 00:45



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