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A Pomba, de Patrick Suskind

por jpt, em 03.07.06
 

suskindcapa

Patrick Suskind, A Pomba, Lisboa, Presença, 1987 (Tradução de Teresa Balté)

Sem ascensões a críticas, apenas recensão do que vou folheando. Mas ainda assim esta mostra do absurdo tailorista (modernidade?), como concentracionário higienista, psicanaliticamente explodindo dado o magma do nazismo, é muito arrumadinho e explicadinho para o meu gosto.

"Quando lhe aconteceu isto da pomba, que de um dia para o outro mudou radicalmente a sua existência, já Jonathan Noel estava com mais de cinquenta anos, havia uns bons vinte que levava uma vida igual e sem incidentes e nunca lhe teria passado pela cabeça que ainda lhe pudesse vir a acontecer qualquer coisa de importante, senão morrer." (7)"Já quase transpusera a soleira, levantara já o pé, o esquerdo, a perna já começara a dar o passo - quando a viu. Estava pousada diante da porta, a menos de vinte centímetros da soleira, iluminada pelo pálido reflexo da luz matinal que entrava pela janela. Estava encolhida, com as patas de garras vermelhas assentes no pavimento do corredor, no ladrilho encarnado, cor de sangue de boi, com a plumagem lisa, cinzenta-chumbo: a pomba." (15)"Em seguida pegou na lata vazia, nas cascas da pera e no papel do queijo e embrulhou tudo no saco, juntamente com as migalhas de pão, depositou o lixo e a garrafa vazia no canto, atrás da porta, retirou a mala de cima da cadeira, arrumou a cadeira no seu lugar, na ábside, lavou as mãos e foi para a cama. Enrolou o cobertor de lã aos pés da cama e tapou-se apenas com o lençol. Depois apagou o candeeiro. A escuridão era completa. Não penetrava no quarto um único raio de luz, nem sequer pela fresta, lá no alto, só a fraca corrente de ar quente e húmido e os ruídos vindos de muito, muito longe. "Amanhã mato-me", disse. E adormeceu." (82)

publicado às 11:31



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