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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
"Relação da mui notável perda do galeão grande S. João, em que se contam os grandes trabalhos e lastimosas cousas que aconteceram ao capitão Manuel de Sousa Sepúlveda e o lamentável fim que ele e sua mulher e filhos e toda a mais gente houveram na Terra do Natal onde se perderam a 24 de Junho de 1552" (História Trágico-Marítima)
Bernardo G. de Brito, O Naufrágio de Sepúlveda, Lisboa, Europa-América, 1996
"Depois de feita esta fala, e praticarem todos no caminho que haviam de fazer, visto não haver outro remédio, assentaram que deviam de caminhar com a melhor ordem que pudessem ao longo dessas praias caminho que descobriu Lourenço Marques, e lhe prometeram de nunca o desamparar, e logo o puseram por obra; ao qual rio haveria cento e oitenta léguas por costa, mas eles andaram mais de trezentas, pelos muitos rodeios que fizeram em quererem passar os rios e brejos que achavam no caminho ... e todas juntas seriam quinhentas, das quais eram cento e oitenta e outenta portugueses". (34-35)"...tornou o capitão a fazer conselho sobre a determinação da sua partida, e foi tão fraco que assentaram que deviam de caminhar e buscar aquele rio de Lourenço Marques, e não sabiam que estavam nele, porque este rio é o da água da Boa Paz com três braços, que todos vêm entrar ao mar em uma foz, e eles estavam no primeiro." (40)"Aqui dizem que D. Leonor não se deixava vestir, e que às punhadas e às bofetadas se defendia, porque era tal que queria antes que a matassem os cafres que ver-se nua diante da gente, e não há dúvida que logo ali acabara sua vida se não fora Manuel de Sousa [que já havia dias que vinha doente da cabeça], que lhe rogou se deixasse despir, que lhe lembrava que nasceram nus, e, pois Deus daquilo era servido, que o fosse ela ... E vendo-se D. Leonor despida, lançou-se logo no chão, e cobriu-se toda com os seus cabelos, que eram muito compridos, fazendo uma cova na areia, onde se meteu até à cintura, sem mais se erguer dali. Manuel de Sousa foi então a uma velha sua aia, que lhe ficara ainda uma mantilha rota, e lha pediu para cobrir D. Leonor, e lha deu; mas contudo nunca mais se quis erguer daquele lugar, onde se deixou cair quando se viu nua." [50](51)
e assim
"...atravessariam toda a Cafraria, porque maior medo têm delas do que do mesmo demónio" (45)