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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Malangatana, Vinte e Quatro Poemas, Lisboa, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, 1996
Exposição
As negras das lagoas
fazem exposição
de quadros nús e tristes
com os próprios corpos as artistas
pintam no fundo da parede de caniço
É uma exposição permanente
e uma galeria de quadros humanos
que se vendem na galeria livre
uma galeria mais que pública
inaugurada pelo primeiro que chegou
Os quadros adquiridos
são pagos no quarto da negra
depois de oferecer a sua carne
e o adquiridor nunca leva o seu quadro
fica para o outro Paraquedista
[Bacanal de Marinheiros Americanos, Portugueses e Sul-Africanos, s/d]
A Velha do Mercado Clandestino
Velha suja angustiosa!
com o ventre rasgado de fome
e de costelas amostrando os netos
e de olhos encovados temendo mulungo
assa o massaroque
na rua do Mbongolweni
Com o ventre vazio, vazio!
pede xicudu por um
e os negros descalços da Estiva
compram matando a fome
Velha da esquina do Mbongolweni!
de quimau roto e sujo
lábios queimados do vinho do Sr. Henrique da cantina
tripas comidas cruas
estragaram o ventre da Kokwana Mahatshasse
compradas no homem do burro
vendedor de tripas