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O Expresso e o Banco Único

por jpt, em 04.09.11

Vejo no Expresso uma grande reportagem sobre o Banco Único, o novo banco em Moçambique, um filme e bastas fotografias das instalações a serem culminadas. Nela vejo várias caras conhecidas (duvido que leiam blogs, e este em particular, mas aproveito para deixar votos de sucesso). Vejo também que a sua sede será o prédio reconstruído na Nyerere (fronteiro ao Hotel Avenida) que me agredira o outro dia, agora que destapado: entre palavrões chamei-lhe "império da marquise". Mas tenho retirar o epíteto, para não parecer que desgosto da iniciativa bancária (ainda para mais portuguesa) e, fundamentalmente, porque o arquitecto é muito afamado. É, portanto, muito bonito o estado em que ficou o prédio ... e não, aquilo não parece uma colecção de marquises.

Surpreende-me que um novo banco, ainda que de capital português, tenha tamanha importância que justifique tamanha cobertura no Expresso. Mais do que o interesse jornalístico presumo que tanta atenção se deva a um bom trabalho do sector de comercialização do banco (o marquetingue), que assim fica de parabéns. O que não percebo é o Expresso. Faz o número e depois titula, com uma raivazinha óbvia, "o novo banco é para ricos". O fel está lá, e escorre, botado pela jornalista Catarina Nunes. A destapar o preconceito de lisboeta visitante. Então uma conta abre-se com 700 euros? São ricos, pois claro - então ela vem a África para encontrar africanos que não estejam esfaimados? Não está tudo ao abrigo do ACNUR? Inaceitável. O preconceitozinho (que se julga progressista mas não é mais que racismo básico, aos pretinhos a pobreza que lhes assiste) explodiu-lhe, e tão recorrente é nos da corporação quando em "vôos de pássaros". Mas mais estranho ainda, presta-se ao número de marquetingue e depois vinga-se (vingançazinha) no suave resmungo? Pobre número. No pobre título.

jpt

publicado às 02:29



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