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Foi ontem o lançamento do belo "Finta Finta" da Paola Rolletta, publicado em edição bilingue (português e inglês) pela Texto Editores. Curtas histórias de vida de 31 futebolistas moçambicanos, praticantes entre os anos 1950s e a actualidade, que "por obras valerosas se [foram] da lei da morte libertando" - e agora um bocado mais, através deste trabalho, amante e amável. Como escreveu no prefácio João Paulo Borges Coelho "é destes príncipes da bola que trata o livro. Destes príncipes que representam os muitos outros que não chegaram nunca a ser descobertos, e portanto cujos sonhos permaneceram no lugar onde moram os sonhos". Quem são? Diz a Paola logo na entrada "Sabemos que arranjámos um trinta e um! Em terra de abundância é difícil escolher, mesmo trinta e um jogadores ..."

E que selecção História se fez? Ela sempre polémica, ainda para mais quando percorrendo um tempo longo entre Fernando Lage e Costa Pereira e Tico Tico e Abel Xavier - eu, livro fresco na mão, logo a resmungar onde está o "nosso" Manaca, o nosso Carlos Manaca, espantoso lateral-direito campeão em 1974 pelo "meu" Sporting? É também essa a riqueza, levantar o debate, avivar a memória. Convocar o prazer. Avivar as colecções de velhos cromos, tão lembrados foram estes no lançamento do livro.

 

 

[O prefaciador, a autora, o primeiro-ministro, o editor, o jogador]

 

Prazer que assim convocado compareceu em pleno na Mediateca do BCI neste fim de tarde. Casa cheia, cotovelos unidos, admiradores da bola. Um lançamento-festa, e nem todos o são. Vários dos futebolistas entrevistados e alguns familiares dos ausentes. Muitos amigos da autora. Corpo diplomático enquanto tal - o embaixador do Brasil, amigo porventura, mas nesta condição sempre visto como representante de uma das Pátrias da Finta. E o próprio primeiro-ministro, Aires Aly.

 

João Paulo Borges Coelho apresentou o livro e, jogando em souplesse, elaborou sobre a importância da memória, identitária enquanto problemática e talvez polémica, construída e sempre reconstruída. Avisou da importância dos "pelados" urbanos para o surgimento de jogadores, assim silvestres digo-os eu, e do quanto sofre o jogo dado o desaparecimento desses espaços, submersos pela construção. Nessa tão necessária polemização da memória avançou a sua tese (já defendida no prefácio) da primazia de Calton Banze nesta constelação, algo que defronta a velha dicotomia paradigmática, aquela que alterna entre o culto de Fernando Lage e o de Eusébio.

 

Joaquim João, esse esteio que o livro recorda ter sido tão amado que até alvo de uma música-elogio do grande Alexandre Langa, surgiu em pose de libero, e assim defendeu o livro enquanto mostruário dos serviços dos jogadores, lembrando a sua importância nos momentos difíceis do país, fazedores de sonhos quando estes tão árduos.

 

O primeiro-ministro Aires Aly, cuja presença muito significou o apreço geral pela produção, encarnou o playmaker, apontando a qualidade do livro como transmissor dos ídolos de antanho aos meninos (e às meninas) de hoje, livro então ele-próprio fazedor de sonhos, e também como necessário trampolim para mais obras sobre desporto e desportistas. Para memória, para incentivo, e para aprendizagem.

 

Seguidamente, e já quase em tempo de descontos, Paola Rolletta (re)afirmou-se uma verdadeira "carregadora de piano", assinando incansavelmente autógrafos aos múltiplos adeptos que acorriam, impiedosamente.

 

Após o apito final, satisfeitos com a vitória alcançada, os adeptos de camarote deliciaram-se com as iguarias servidas, em particular com as competentes chamussas (ou chamuças?). Nessa mole contava-se este jpt, com o seu Nokia.

 

Entretanto, lá fora, na já noite, os adeptos agregavam-se na expectativa de ver sair os ídolos, na ânsia de um vislumbre, de uma recordação, enquanto debatiam velhas e menos velhas memórias.

Agora só lhe falta, caro leitor, ir comprar o livro.

jpt

publicado às 01:22


5 comentários

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De joãofróis a 22.09.2011 às 12:15

Gostei da apresentação (no blog) do evento,
mais do que o tema do dito cujo. Parabéns!
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De AL a 22.09.2011 às 13:00

Recebi ontem pelo correio o livro e estou encantada. Embora sobre gente do futebol o que nele se descrevem sao historias de vida escritas com a sensibilidade a que a Paola ja nos habituou. Joao Frois ainda que nao goste de bola nao deixe de pegar neste livro. Garanto-lhe que vai ter uma surpresa agradavel :)
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De jpt a 22.09.2011 às 13:43

AL penso que o que o João Fróis quis sublinhar foi o seu afastamento estético pelas chamussas (ou será chamuças?) ...
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De Maria de Lurdes Craveiro a 16.09.2011 às 23:41

Eu não vi o livro nem sou amante de futebol. Mas sei que a inteligência e a sensibilidade da Paola podem transformar este desporto numa coisa interessante. Parabéns Paola!
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De Jose Dantas da Costa a 16.09.2011 às 09:40

"Well done Paola"...Tive pena nao poder estar presente na apresentacao e lacamento do livro.
Mas sabendo como es dinanmica sei te tudo correu como desejavas.
Fico satisfeito em ter uma amiga famosa.
Bom SUCESSO nas vendas...Tudo do bom para ti, AVANTI.
Ze Dantas

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