Resmungo sobre discussões alheias.
Cheguei a
Merquior no final da universidade, pela mão do meu amigo Zé Filipe Verde. A primeira coisa que me passou foi o "
The Veil and the Mask". Chegou para que de então em diante tudo o que dele encontrasse logo fizesse meu:
José Guilherme Merquior era a personificação da inteligência.
Foi por causa de umas mui lidas blogodiscussões alheias, cheias das certezas da arrogância discursiva, que me lembrei deste livro

Não para recomendar a sua leitura, quem serei eu diante dos sábios faladores (e auto-denominados defensores e divulgadores da ideia). Até porque esta é uma introdução, obra primeira, nunca de chegada. Mas que excelente obra primeira, diga-se.
Trago o livro à memória apenas porque começa assim:
"
Este é um livro liberal sobre o liberalismo, escrito por alguém que acredita que o liberalismo, se entendido apropriadamente, resiste a qualquer vilificação"
E não há pior instrumento de "vilificação" do que as simplificações. E, pior, quando estas se querem naturalizações. [nestas coisas a "natureza" serve de pompa para dourar o mero contraplacado]
Nos tempos que correm já devÃamos saber, nós os leitores, que não há piores defensores das ideias do que os exegetas. E cansativos ainda para mais.
Já agora, quando me chegam ecos "criacionistas" da "lÃngua primeira" natural e das nações "naturais" nem hesito, sorrio um apelo ao "alcatrão e penas". Mas quando ouço a naturalização da Economia já não sorrio. Porque aà já estamos no campo do artifÃcio. Estatutário.
[uma entrada incompreensÃvel para quem não lê blogotralhas sobre o liberalismo. Se o simpático leitor se encontra nesse número não se preocupe, passe à frente...]