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por jpt, em 23.08.04

Foi no Causa Nossa que tomei conhecimento, e fui ao Expresso online ver a "Morre-se mais nas estradas do que no Iraque". Deixei lá protesto, coisas destas não deveriam passar. E pelo menos, imagino, poderá chatear alguém:

Impõe-se um protesto com o título e o conteúdo desta notícia. Não confundamos as coisas: é positivo, e saúdo-o, um constante alerta para o morticínio rodoviário que grassa em Portugal. Títulos chocantes serão parte de uma sensibilização. Não contesto.

Mas a contabilização dos mortos do Iraque incluindo unicamente os mortos das forças ocidentais, é algo que esquece e esconde o facto de na guerra do Iraque morrerem também iraquianos.

Ao longo deste ano temos assistido a notícias que vão detalhando as mortes dos soldados (e também civis) integrantes das forças aliadas. E nunca com o mesmo detalhe quanto aos mortos iraquianos. Isso eu não critico, são critérios de notícia e não se pode ser fundamentalista nestas coisas, é comprensível que os mortos das forças estrangeiras (e aliadas) tenham mais atenção em Portugal. Agora este é um trabalho diferente, usando essas estatisticas para outro fim que o noticioso.

Dela se retira um espantoso e serôdio etnocentrismo (um aliadocentrismo), cego às mortes dos outros. E perdoem-me, negar a morte alheia é o cúmulo da negação da condição humana, o extremo desse etnocentrismo.

Não vos escreve um qualquer paladino dos iraquianos. Escreve-vos um leitor espantadissimo com a profunda incompetência cultural do jornalista responsável pela peça. E pela distracção do responsável da edição.

O Expresso tem obrigação de se retratar. Não afirmando um "erro". Porque não é de um erro que se trata. É de uma insuportável visão da realidade. Há muito tempo que eu não assistia a uma expressão tão explícita de racismo em Portugal.

Que vergonha, Expresso. Que gigantesca vergonha.

Adenda: o persistente comentador anónimo, o dos "erros ortográficos + imputações morais", há alguns dias que regressou da sua sabática . Mais uma vez aqui veio na ânsia da denúncia de pecado ortográfico, agora acusando um "retratar" no lugar de "retractar". Mais uma vez apago o comentário porque anónimo, e mais uma vez lhe digo, leia com atenção, perceba o sentido, conclua depois: "retractar" é confessar um erro, e o que está no meu texto, e explícito, tão explícito que logo de seguida, é que este episódio não é um erro. Pelo que V. se deparou com um mero jogo de palavras. Caramba homem, que coisa.

Já o disse, até fora de portas, cometo erros ortográficos. Ainda há bem pouco o Walter me avisou de um, outros o farão depois, eu também já o fiz a alguns bloguistas. Alguns erros são distracção, outros são "gralhas", outros são ignorância, e em muitos reconheço o malefício do sotaque. Agora, e tal como há alguns meses a propósito de um "invocar" e "evocar", a sua "denúncia" e a sua "ironia" esbatem-se na incompreensão dos textos. V., mesmo que sozinho no seu anonimato, manterá o sorriso numa situação destas? Decerto que amanhã vai aqui apanhar um verdadeiro erro ortográfico. Mas então, honestamente, de que lhe valerá a ironia? A provocaçãozita? Quem, realmente, é o verdadeiro iletrado relativo? O que, aqui e ali, comete um erro ortográfico? Ou o que aqui e ali não compreende um texto na sua língua? Provavelmente nenhum, que isto não há gente nem agente de perfeição. Caramba, homem! Seja feliz, já lho disse. E repito. E em conseguindo, não erre. Na escrita. E na leitura.

E ainda: só quando distraído lhe leio os comentários. Tem sido assim, mal reconheço os tiques e origens o "apagar" é imediato. À pronta respostazita aconteceu-lhe isso. Mais uns diazitos e talvez outra distracção, nunca se sabe. Insisto, seja feliz.

publicado às 04:43


4 comentários

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De jpt a 09.04.2008 às 11:14

Napoleão dizia que a História é a fábula dos vencedores, e é bem verdade. O que contam são as estatísticas de quem está na mó de cima.

Publicado por: Orlando às agosto 23, 2004 06:22 AM
http://www.letrascomgarfos.net/blogue
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De jpt a 09.04.2008 às 11:15

boa, excelente pontaria ( e atenção).

Publicado por: jpn às agosto 23, 2004 02:12 PM
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De jpt a 09.04.2008 às 11:15

Não sei se devia dizer isto, mas apesar de achar os erros ortográficos uma coisa bera e até inestética, por isso me dano quando os faço; acho que há coisas bem piores na vida: uma delas é ser-se polícia dos outros. Algo vai mal na mente de quem ao invés de procurar o conteúdo e a beleza de um texto, nele procura qual cão farejador os erros de quem escreveu o texto.

Um abraço Zé Flávio

Publicado por: WR às agosto 24, 2004 11:23 PM
http://www.forumcomunitario.blogspot.com/
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De jpt a 09.04.2008 às 11:15

O morticínio nas estradas portuguesas evidentemente terá que diminuir para níveis compatíveis com o risco inerente á elevadíssima circulação automóvel e á maior consciencialização dos condutores.
Apesar disso, neste momento, as coisas vistas do ponto de vista do Expresso são obviamente parciais. Tão parciais quanto seria se, com verdade, um outro qualquer jornal afirmasse que os jovens soldados americanos preferem ir para o Iraque dado que a mortalidade nos EUA provocada por armas de fogo é muito superior aos mortos caídos no Iraque.
O Iraque é bastante mais seguro que os próprios EUA!!

Publicado por: Cacusso às agosto 28, 2004 01:35 PM
http://kotodianguako.blogspot.com/

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