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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Foi no Causa Nossa que tomei conhecimento, e fui ao Expresso online ver a "Morre-se mais nas estradas do que no Iraque". Deixei lá protesto, coisas destas não deveriam passar. E pelo menos, imagino, poderá chatear alguém:
Impõe-se um protesto com o título e o conteúdo desta notícia. Não confundamos as coisas: é positivo, e saúdo-o, um constante alerta para o morticínio rodoviário que grassa em Portugal. Títulos chocantes serão parte de uma sensibilização. Não contesto.
Mas a contabilização dos mortos do Iraque incluindo unicamente os mortos das forças ocidentais, é algo que esquece e esconde o facto de na guerra do Iraque morrerem também iraquianos.
Ao longo deste ano temos assistido a notícias que vão detalhando as mortes dos soldados (e também civis) integrantes das forças aliadas. E nunca com o mesmo detalhe quanto aos mortos iraquianos. Isso eu não critico, são critérios de notícia e não se pode ser fundamentalista nestas coisas, é comprensível que os mortos das forças estrangeiras (e aliadas) tenham mais atenção em Portugal. Agora este é um trabalho diferente, usando essas estatisticas para outro fim que o noticioso.
Dela se retira um espantoso e serôdio etnocentrismo (um aliadocentrismo), cego às mortes dos outros. E perdoem-me, negar a morte alheia é o cúmulo da negação da condição humana, o extremo desse etnocentrismo.
Não vos escreve um qualquer paladino dos iraquianos. Escreve-vos um leitor espantadissimo com a profunda incompetência cultural do jornalista responsável pela peça. E pela distracção do responsável da edição.
O Expresso tem obrigação de se retratar. Não afirmando um "erro". Porque não é de um erro que se trata. É de uma insuportável visão da realidade. Há muito tempo que eu não assistia a uma expressão tão explícita de racismo em Portugal.
Que vergonha, Expresso. Que gigantesca vergonha.
Adenda: o persistente comentador anónimo, o dos "erros ortográficos + imputações morais", há alguns dias que regressou da sua sabática . Mais uma vez aqui veio na ânsia da denúncia de pecado ortográfico, agora acusando um "retratar" no lugar de "retractar". Mais uma vez apago o comentário porque anónimo, e mais uma vez lhe digo, leia com atenção, perceba o sentido, conclua depois: "retractar" é confessar um erro, e o que está no meu texto, e explícito, tão explícito que logo de seguida, é que este episódio não é um erro. Pelo que V. se deparou com um mero jogo de palavras. Caramba homem, que coisa.
Já o disse, até fora de portas, cometo erros ortográficos. Ainda há bem pouco o Walter me avisou de um, outros o farão depois, eu também já o fiz a alguns bloguistas. Alguns erros são distracção, outros são "gralhas", outros são ignorância, e em muitos reconheço o malefício do sotaque. Agora, e tal como há alguns meses a propósito de um "invocar" e "evocar", a sua "denúncia" e a sua "ironia" esbatem-se na incompreensão dos textos. V., mesmo que sozinho no seu anonimato, manterá o sorriso numa situação destas? Decerto que amanhã vai aqui apanhar um verdadeiro erro ortográfico. Mas então, honestamente, de que lhe valerá a ironia? A provocaçãozita? Quem, realmente, é o verdadeiro iletrado relativo? O que, aqui e ali, comete um erro ortográfico? Ou o que aqui e ali não compreende um texto na sua língua? Provavelmente nenhum, que isto não há gente nem agente de perfeição. Caramba, homem! Seja feliz, já lho disse. E repito. E em conseguindo, não erre. Na escrita. E na leitura.
E ainda: só quando distraído lhe leio os comentários. Tem sido assim, mal reconheço os tiques e origens o "apagar" é imediato. À pronta respostazita aconteceu-lhe isso. Mais uns diazitos e talvez outra distracção, nunca se sabe. Insisto, seja feliz.