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(Fotografia de Fernando Macedo)

 

 

A síntese mais inteligente que até hoje li sobre a temática do Acordo Ortográfico, de leitura obrigatória para quem se interessa por esta (malfadada) matéria: "O Impossível Acordo, de António Guerreiro, publicado em 25.2.2012 no jornal Expresso. Com um breve historial da questão Guerreiro sublinha o volume das críticas realizadas (em tempo próprio) por vários dos mais importantes linguistas portugueses, assim permitindo ultrapassar a costumeira baixa argumentação de alguns linguistas de hoje pró-acordistas, particularmente no que toca à abstrusa crença de que a grafia não influencia a fonética - algo desde logo argumentado por vários dos referidos especialistas. E, mais do que tudo, Guerreiro tem o raro discernimento de explicitar as raízes ideológicas do documento, sistematicamente "naturalizado" pelos seus defensores, encontrando-as (como deveria ser óbvio) no ambiente "lusófono" finissecular, esse para tantos doloroso "luto colonial" português, para usar o apurado termo de Eduardo Lourenço.

"Na discussão do Acordo Ortográfico, além dos termos de uma estéril querela que se fica por questões de princípio, é possível perceber que por mais críticas que tenha suscitado, por mais que tenha sido desautorizado cientificamente, ele resistiu pela sua condição de projecto político. (...)

Assim, em várias e competentes instâncias, o AO foi desautorizado enquanto documento técnico-científico, considerado inepto e nefasto. Em sua defesa, porém, o mais que pudemos ler foram artigos de jornal, refugiados nas questões genéricas das supostas vantagens de um acordo, sem responderem aos argumentos dos críticos. É fácil perceber que a impermeabilidade à crítica e a impunidade do AO estavam garantidas pelo facto de se tratar de um instrumento político para servir a estratégia ideológica da lusofonia."

Insisto no que abaixo referi. É tempo de abandonar esse projecto político Acordo Ortográfico. Por razões especificamente linguísticas e culturais, de competência própria. Mas também porque passaram as décadas, mudou (ou deverá mudar) o país, necessário é largar a visão plana (e culturalista) do passado, desencerrar-se do império, pensar um futuro aberto, sem sonhar com a perenidade de velhas "áreas de influência". Assim heterogéneo, assim heterográfico. E é esse progresso que tanto custa aceitar aos incompetentes "progressistas" acordistas.

jpt

publicado às 08:48


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