Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A poesia e o acordo ortográfico

por jpt, em 19.10.12

 

Nelson Saúte neste seu recentíssimo "Livro do Norte e outros poemas" (edição Marimbique) distribui os poemas por cinco "livros". Andando pelo "Livro Terceiro", onde mais lírico surge, encontro este 

 

O espetador arrebatado


Duas insofismáveis pernas

incapazes de esclarecer o arrebatado espetador

que se enleva nos avatares da dança

na irremedimível geografia da sala.


E hesito. Saúte de súbito brejeiro, até mesmo perdido na charneca do mau-gosto? Ou, logo logo depreendo, apenas um poeta vitimizado, graficamente amputado, seu pobre corpo escanhoado pelo austero bisturi "lusófono"?

 

jpt

publicado às 11:26


9 comentários

Sem imagem de perfil

De Jorge Nunes a 22.10.2012 às 19:31

JPT

Não vale a pena(explicar). Ou antes vale mesmo a pena(mandar).
Sem imagem de perfil

De O invito Acordo Ortográfico | ma-schamba a 19.10.2012 às 19:04

[...] resisto a reproduzir esta pérola do desmancho ortográfico (esse que tantas simpatias provoca, aqui mesmo abaixo me acusam de torpes vilanias apenas por resmungar contra a retirada dos [...]
Sem imagem de perfil

De Tony Manna a 19.10.2012 às 14:59

Li o livro e a sua critica para mim não faz sentido.
Porquê apenas olhar negativamente para esta obra que tem poemas maravilhosos e outros nem tanto, aliás como em qualquer obra?
Que interesse tem o acordo ortográfico e as suas insinuações de mau gosto em relação à alma de quem escreve, em relação à vida aqui retratada como um álbum de fotografias desta obra tão pessoal e intima?
Sinceramente não entendo o despeito, já tinha reparado nisso no seu comentário em relação ao livro do Ba Ka Khosa !!!
Sem imagem de perfil

De jpt a 27.10.2012 às 06:35

A mudança de servidor acontecida ontem (que provocou que o blog não fosse visível ontem) fez desaparecer os dois últimos postais, colocados na quarta-feira passada, e ainda dois comentários neste postal também desse dia. Aqui os reproduzo, por via do e-mail, onde também os recebo:

1. Tony Manna:

Em relação ao Khosa não estou de acordo consigo pois não acho mau que se crie em cima da tradição oral, o original nunca se perderá. Não gostei que você especulasse sobre a possibilidade do Khosa poder fazer o mesmo...
Achei que em relação ás publicações que se vêm fazendo de literatura infantil pela EPM a sua opinião não era correcta; na minha modesta opinião são todas bem vindas mesmo que baseadas na literatura oral.
Em relação ao Nelson Saúte e sugestionado pelo post do Khosa li mal e reconheço-o,interpretei mal.
Para terminar quero lhe dizer que se não fosse o modo grosseiro como se manifestou pedir-lhe-ia perdão pela forma pouco clara e cheia de erros como escrevi o meu desagrado.
Passe bem


2. Jpt

1. O relevante: nada disse contra a colecção de literatura publicada (também, é uma co-edição) pela EPM. E tal como V. acho-a muito bem-vinda. Livros interessantes. E bonitos, o que também é importante. Nada disse contra escrever baseado na literatura oral. O que referi (como já fiz atrás no blog - e aqui tem muito a ver com o que cada acha que é o blog, que no meu entender é uma espécie de diário, não intimista, e por isso cheio de interconexões, nem sempre explicitadas [por via dos intra-elos]) é um tipo de abordagem a essa literatura oral. É uma abordagem recorrente, até habitual, tem séculos. Que tende a transformá-la, adoçando-a, amputando-lhe dimensões, cerceando sentidos, moralizando-a, normativizando-a. E infantilizando-a, tornando-a "literatura infantil". É algo que tem séculos. Que transpira uma desvalorização das populações suas autoras/manipuladoras (por facilidade, "rurais"), por posição sociológica (urbana, letrada, burguesa) com intuitos "civilizadores" e de afirmação auto-superioridade racional e ética. Há uma vasta literatura sobre o assunto, crítica e/ou enquadradora sobre o assunto.

Ainda assim é uma tendência recorrente, e particularmente por parte dos escritores (de "literatura adulta") que vão até à "infantil". Um pouco porque partilham, até inconscientemente essa visão, um pouco porque encontram alguma "pureza poética" no discurso "popular" (o que é, de certa forma, eco da questão acima). E um pouco porque esta é uma longa tradição, até canónica, da escrita, que é assim adoptada por quem ou está estranho ao debate sobre o assunto ou o pensa mera minudência. Por isso lhe chamei uma "esparrela", uma armadilha na qual se cai por distracção (e não por malevolência ou ignorância). No caso da colecção da EPM o exemplar do Mia Couto (com ilustrações de Malangatana) é exemplo disso mesmo. Independentemente dos méritos que tem. E também do apreço que eu tenho pelo escritor (pela obra, pela pessoa). Por isso referi, na linguagem irresponsável do blog (que não é de crítica literária, que não é o meu trabalho, por falta de instrumentos metodológicos), a esperança e a crença (sublinho, a crença) que o Khosa não tenha caído no mesmo rumo. Se tiver caído aponto-lhe. Não é o facto de ter escrito alguns excelentes livros que me obriga a suspender a hipótese do des-gosto (e ele sabe-o, pelo menos em relação à realidade do des-gosto).

Enfim, não vejo como pode retirar daquela formulação qualquer apoucar do escritor, e muito menos um apoucar preconceituoso. Mais ainda, não vejo como pode retirar qualquer "crítica".

2. O poema do Nelson: penso que estará explícito, agora, que não tem ponta de crítica ao poema, nem ao poeta. O pequeno texto é uma "crónica", se lhe posso chamar assim sem ponta de arrogância, que expressa a minha epidérmica incompetência de leitor, instantânea, uma erupção de incompreensão e desagrado. Rapidamente ultrapassada, apenas me obrigou a uma releitura imediata do pequeno poema para um "ah, ok". Vem da alteração gráfica, que afrontou o meu costume de leitor. E que remeteu, sub-repticiamente, para o uso de calão (lisboeta?, geracional?), francamente grosseiro (ainda para mais se lido no contexto deste poema). É óbvio que nada disso tem a ver com o Nelson "pobre poeta graficamente amputado" mas apenas com os processos inconscientes e conscientes de leitura.

3. O irrelevante. Grosseria: cada um tem as suas hierarquias de grosserias e de inadmissibilidades. Eu chamei-lhe a atenção para que V. incompreendeu o sentido dos meus pequenos e inimportantes textos. E até lhe juntei o facto de que a amizade que tenho para os autores me impediria (lá está, a tal "irresponsabilidade" do blog, só cá meto o que me apetece, sem qualquer obrigação) de os afrontar ou cutucar - e ambos sabem que em conversa lhes digo o que penso sobre o que escrevem, goste ou não goste, que é a forma que tenho de admirar os autores. V. reduziu isso a umas (esfarrapadas) desculpas aposterísticas. Uma desonestidadezinha, por assim dizer. Para mim, na minha hierarquia, é essa a grosseria. Bem mais, muito mais, do que o (necessário) uso do vernáculo entre homens. Vernáculo suave, ainda para mais, muito pouco ecoando aquilo que me ocorreu ao lê-lo.

4. Compreendido que estão os sentidos que estão nos textos e nos comentários suspendo a minha invectiva. Que, agora, apenas uma estúpida teimosia poderia manter.

Passe, então, bem.
Sem imagem de perfil

De jpt a 20.10.2012 às 06:58

Serei. Mas também sem paciência para um morcão que me vem aqui insultar de desonesto- Passe mal
Sem imagem de perfil

De Tony Manna a 20.10.2012 às 00:57

Você para além de malcriado só demonstra que é um frustrado.
Belo blog, parabéns !
Sem imagem de perfil

De jpt a 19.10.2012 às 21:33

Se não gosta acho muito bem que o diga. O que mostra também não gosto, e escrevo-o: desonestidade. V. pode querer mandar bocas, e isso é apenas isso. Não pode (melhor dizendo, poder até pode, os comentários estão abertos) deturpar e inventar. Não percebe o que lê, inventa sentidos, (até agora até me inventa desculpas) e sobre isso "caga sentenças". eu posso oscilar entre meter-lhe na cabeça que isto não é uma "crítica" nem o quer ser (um pólo) ou (outro pólo) mandá-lo à merda mais a sua burrice, típica de quem lê mal e se arma em letrado. Prefiro, completamente, a última: sem desculpas, nem a priori nem a posteriori, vá à merda
Sem imagem de perfil

De Tony Manna a 19.10.2012 às 20:53

Não comentei no seu blog para o ofender, não gostei e escrevi o que penso.
...conferir se o Khosa caíu na esparrela de amputar...
Saúte de súbito brejeiro, até mesmo perdido na charneca do mau-gosto?
Palavras suas.
Não li nada sobre os autores ou sobre o conteúdo destas obras em causa.
Li sim dúvidas e criticas, desculpadas logo de seguida ...
Quem escreveu Ualalapi não precisa de provar nada a ninguém.
Prefiro as obras a qualquer tipo de critica, muito menos as deste género.
Sem imagem de perfil

De jpt a 19.10.2012 às 15:34

Tony Manna como se diz na minha terra "quem anda à chuva, molha-se". Ou seja, quando se escreve publicamente um tipo arrisca-se a ser mal interpretado. Às vezes, muitas vezes, por incompetência própria, por ter escrito mal o que pensa. Outras vezes, muitas vezes, por distracção alheia, a leitura na internet é rápida, e propícia à incompreensão do que se lê. Acontece-me a mim, acontece a tantos, acontecerá a muitos. Outras vezes, a maioria, a esmagadora maioria das vezes, por decisão própria. As pessoas decidem interpretar de determinada forma, que nada tem a ver nem o explícito nem com o implícito do texto.

Neste caso, e até porque junta dois textos, e em ambos não só incompreende mas encontra "dolo" (ou, pelo menos, má-vontade minha) é óbvio que é uma interpretação errada, errónea e voluntária. V. decide isso e pronto. O que quer que lhe diga? V. encontra - ainda por cima sobre dois livros de dois bons amigos meus, e isto do "amiguismo" para mim é importante (quando não gosto muito do que os amigos mostram calo ou apenas anuncio, isto do blog é um hóbi, não tenho qualquer "responsabilidade") - crítica negativa aqui. Onde? Onde raio é que há crítica ao poeta e ao poema, onde há reducionismo sobre o livro? Apetece-lhe dizer isso? Diga-o. Mas não tem nada a ver comigo nem com o que está, letra a letra, palavra a palavra, no texto.

Crítica ao livro do Khosa? Não está lá apenas o anúncio de um livro a ser apresentado naquele dia, o apelo (e promessa própria) à sua leitura? E a esperança que ele (ele autor, ele livro) não tenha um defeito intelectual que outro(s) livro(s), outro(s) autor(es), integrou(ram) na mesma colecção. A esperança que isso não tenha acontecido e a crença que não tenha acontecido. Está lá no texto. Breve, fácil. Como este, breve, fácil.

Quer dizer mal? Ok, paciência. Mas faço-o pelo que está explícito. Ou, vá lá, pelo que parece implícito. Náo pelo que lhe apetece imputar-me.

comentar postal



Bloguistas







Tags

Todos os Assuntos