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O linguajar

por jpt, em 02.12.12
 

No facebook partilho a notícia sobre "A Música Portuguesa a Gostar de Si Própria", algo que me parece muito interessante, que acontecerá em Lisboa durante o mês de Dezembro. Passarei o Natal por lá, espero poder visitar o evento. Como não podia deixar de ser mando a "porrada" no nome do estabelecimento que acolhe o acontecimento, a "bluestation" da Portugal Telecom, situada na Baixa-Chiado (que não se chama nem Downtown, nem Downtown-City, sei lá porquê). É um nome que me irrita, e já aqui o disse, na sequência da minha super-irritação com a mania de anglofonar o nome dos estabelecimentos comerciais (e não só) em Portugal, o que acho uma pinderiquice brotada meio do arrivismo meio das patacoadas da rapaziada do marketing e relações públicas (a esmagadora maioria dos quais anda agora um bocado aflita apesar do seu linguajar inglês, e de alguns terem visitado Nova Iorque).

Na sequência disso Alexandre Pomar e Graça Gonçalves Pereira, gente a quem prezo, por diferentes motivos, de confraria bloguística o primeiro, de amizade e respeito a segunda, zurzem-me forte e feio, entre o canelarem-me de purista e o deixarem entender-me como um vil elitista.

Então respondo assim, com um exemplo desta semana. Estou a falar num painel de uma conferência, aqui em Maputo. Boto a minha parca faladura, no meio de outros quatro participantes. Na sala estão algumas dezenas de assistentes, entre os quais alguns amigos. Chega a altura do debate, nunca há verdadeiro tempo para isso mas enfim, é quase um ritual isto do "espaço para debate". Então, diz o companheiro moderador, pede-se a quem queira colocar uma questão (ou mesmo só um comentário) que se identifique (aquilo do nome e da instituição, do que faz também). Sucedem-se as questões. Até para mim, duas ou três pessoas têm a gentileza de me interrogar, símbolo-metáfora companheira, anunciando que me escutaram. Um deles, jovem colega que desconheço, avança. Antes da questão enceta pelo nome e anuncia que faz "post-colonial theory". O meu "ai o caraças!!!" fica mudo mas explode-me um, mui educado, entenda-se, "perdão, não percebi, importa-se de repetir?". O jovem, convocado, lá diz "teoria pós-colonial". Depois lá faz a sua pergunta. Absolutamente típica de quem se diz fazedor de "post-colonial theory".

Sei, divinatório, que um dia se passeará pelos corredores dos e-mails anunciando-se candidato a piagedi. E depois como possuidor de piagedi. Enquanto vai fazendo papers. Sei também, porque carrego meio século e muita azia, que não afrontará em nada, mesmo nada, aqueles que lhe aprovarão as candidaturas ao tal piagedi. E os que, depois, lhe aclamarão o tal piagedi. E lhe aturarão os papers. Nem tampouco criticará os fazedores da "post-colonial theory". Seguirá manso. Pois é essa mansidão o que este pobre seguidismo simbólico-linguístico anuncia. A volúpia de prescindir dos instrumentos (mais ou menos) próprios para seguir a voz do (outro) dono.

O que é que isto tem de purismo, linguístico ou outro? Nada. Apenas uma enorme falta de paciência para com estes ademanes. Tão generalizados. No linguajar inglês e nos outros.

jpt

publicado às 11:50


9 comentários

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De Rafertino Almeida a 02.12.2012 às 23:18

Indo ao essencial deste «post», que foi a minha única motivação, apesar dos seus desvarios em torno de epítetos e catalogações desinformadas a meu respeito, proponho-lhe o seguinte, porque concordo com o fundamental da sua mensagem: em vez de "O ma-schamba é algo blasé em questões de política interna e externa moçambicana..." sugiro "O ma-schamba é algo indiferente em questões de política interna e externa moçambicana", conferindo, assim, consistência, coerência, moralidade e ética ao conteúdo deste «post». Como vê há alternativas. Não passa, naturalmente, de uma proposta colocada na esteira da abertura de um espaço de comentários. E você também não me trata como muito bem entende, percebe jpt. Já me chamou de burro e agora fala-me da utilização do «tu». Provavelmente os burros tratam-se por tu entre si. A religiosidade e imaculação do seu discurso nem sempre pega em todos os comentadores deste espaço. E acredite, não o persigo, se assim pensa. Acha-se tão importante? Não deixe de ler ou reler Castaneda a este propósito específico, ou seja, da importância própria. Pobre de mim se ocupasse meu tempo lendo todos os seus urros (a expressão urrar é sua), pois nesse caso é que seria mesmo pobre, conforme também já me chamou. Mas o senhor é o dono da bola e, por conseguinte, pode simplesmente «delete», mais uma vez um anglicismo que já utilizou e eu aproveito. Tem o livre arbítrio, a ferramenta dos temerosos da naturalidade, igualdade e espontaneidade. E será desonesto inteletualmente se o fizer, aliás, como já o foi quando ataca algo que pratica. É típico dos tugas: isto não é para mim, mas é bom para os outros. Veja a que estado lastimável chegou o país.Eu apenas, quanto muito, serei seu adversário valoroso. Ahh, e ser «algo blasé em questões de política interna e externa moçambicana» é, de facto, algo muito conveniente neste país que parece ainda não ter entendido genuinamente, a não ser pelos olhos que trouxe de uma cultura inteletual muito afetada. Caro jpt. Os tus, confesso, é um pouco à laia dos hábitos moçambicanos. Mas tudo bem, deixo-me disso, a que os portugueses mais ciosos são um pouco avessos, mas bastante mais dados a doutorices, engenheirices, relvices e socratices académicas. Queira desculpar-me. É que eu sou de cá e não de lá, como também já referiu esta diferença entre as pessoas.
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De Rafertino Almeida a 02.12.2012 às 22:12

O nome de uma loja é para utilização pública, merece reflexão e cuidados na sua elaboração, tem razão. É uma mensagem pública, venha do setor público ou privado, esta dicotomia que tão bem zela nos seus escritos. O estatuto editorial de uma publicação também o é, entra na esfera pública, merece os mesmos cuidados, pois é um contrato social. Para ser apenas o seu quintal ou machamba, então, torne a publicada privada, para as tertúlias entre amigos. Caso contrário o seu blasé é público e, se o defende e ataca em simultâneo, é porque vive em permanente conflito que, o destinatário, pode perceber e reagir a isso mesmo. Ou seja, pode não querer engolir, por muito que você grite (ou urre como se me dirigiu) e dogmatize. Perceba que o mashamba é um órgão de comunicação social e, como tal, tem responsabilidades sociais, enfrentando a diversidade. Não pode ofender quando e quem quiser, seja em que parte do Mundo for, só porque alguém manifesta opinião em sentido diverso. Um antropólogo tem, seguramente, vistas mais largas, habituado a ver distintas realidades, se realmente foi fazer antropologia para o terreno e não o fez apenas nos livros lidos em sofás. Aprenda com o seu colega Carlos Castaneda, cujos «conhecimentos» viraram pó quando chegou ao deserto onde a humildade e honestidade foram, então sim, seus verdadeiros mestres da antropologia. Você pode dizer os disparates que entender e quantas vezes quiser, mas não pode ofender, cobardemente atrás de um ecrã e de distâncias físicas convenientes. Passopa! Blogar não é arrotar azias incontidas. E bimbo é o senhor, seja educado, se faz favor. E quem urra é o senhor.
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De jpt a 02.12.2012 às 20:54

É assim Rafertino, você não me trata por tu. Quando chegar a um "tu" seu apago de imediato.
Quanto ao resto, meteco é uma palavra estrangeira (ou de origem lá de longe, no tempo e na geografia), como você não notou, como buffet ou outras, tantas (como disse no contra-comentário à Graça Gonçalves Pereira, estamos na internet, num blog, a escrever em computadores, tudo isto importações recentes). Usamo-las porque é convenção, porque é uso, porque dá jeito, porque não temos alternativas, explícitas ou implícitas (semânticas, se se quiser). Não vem mal ao mundo.

Outra coisa é chamar qualquer nome em estrangeiro (em inglês, em particular) a um armazém, a uma loja, a uma livraria, a uma galeria, a uma mercearia, a um centro comercial. Querem chamar boutique, que é mais chic? Tudo bem, tem sentido semântico. Querem armar-se aos cucos? Não tem sentido, é bimbo. No fundo, é só isso, a bimbalheira. Aquela que o leva a acampar aqui, qual defensor da honra da Escola Portuguesa de Moçambique e agora a resmungar tudo. Repito, bote os urros que quer, que não percebe bem o que se passa. Mas se quer ser lido, se quer alimentar a ideia de que incomoda, deixe-se de tus ...
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De Rafertino Almeida a 02.12.2012 às 19:46

Pobre és tu jpt, que chutas sempre para canto e defendeste sempre no mesmo dogma: não percebeu! Pobre porque te falta humildade e não ouves o que os teus amigos te dizem, que és um cagão, segundo tu próprio. "Aprendi a conhecer-me a mim próprio, e certamente desde então nunca mais ri ou escarneci de ninguém que não fosse eu próprio.", escreveu alguém algures num século muito longe de nós. Mais digno seria comentares reflexiva e argumentativamente o que propus para discussão do que partires, como sempre aliás, para a ofensa e má educação. E fechas o espaço de partilha que tu próprio propões e abriste. Masa ficas "blasé" a isto. Força Teixeira!
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De jpt a 02.12.2012 às 19:37

Rafertino, ao longo dos anos houve meia dúzia de tipos como você aqui habituais nos comentários. Não percebem o registo, que é chão, mas demais para eles. Depois cansam-se, vão à vida, pobre
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De Rafertino Almeida a 02.12.2012 às 18:33

Linguajares do ma-shamba ou a mania de francofonar ou sei lá que mais: "O ma-schamba é algo blasé em questões de política interna e externa moçambicana, assumindo deste modo a sua condição de blog meteco."
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De Rafertino Almeida a 02.12.2012 às 19:10

..."E a preferir um buffet de pequenas notas, breve chamadas de atenção...", escrito por jpt numa «posta» mais abaixo.
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De jpt a 02.12.2012 às 12:06

Deixo ligação a este postal velho: http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/ira/ Não é absolutamente ligado ao assunto, mas não deixa de se relacionar
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De Rafertino Almeida a 09.12.2012 às 21:57

Senhor Pimental Teixeira, blogueiro-mor desta «Machamba». Sugiro que o senhor tenha a verticalidade e seriedade de se retratar perante o jovem que você, desonestamente, torpedeou com a sua ira, afundando-o gratuitamente neste texto. Porque digo isso? Porque você pratica exatamente o mesmo que condena neste texto. Vitimizou alguém - a sua fúria incontida carece de vítimas permanentes - apenas para satisfação orgásmica da sua mente artilheira, que só tem razão mecânica e técnica, mas é desprovida de humanidade e emoção, esta que nos liga à imperfeição do ser humano. O senhor faz exatamente o que condena no texto, escrevendo, mais do que amiudamente, termos francófonos e anglófonos, quando dispõe de alternativas em português-pt. Portanto, convido-o a libertar o rapaz das suas palavras desavisadas, até porque diz que é seu colega. Os colegas tratamos com ética e respeito. Por conseguinte também, este seu texto é uma fraude. Só não o seria se o senhor fosse vertical e íntegro. E, já agora, quando escrever deixe o insulto em sua própria casa, esta não é a sua casa, é um espaço público, que a todos pertence. Fique com o seu livre arbítrio, mas quando partilha algo e vai para a praça pública, existem regras sociais, acima das quais está a boa educação e a cortesia. Apague esta «posta» ou retrate-se, dizendo que utiliza «blasé», «frissons» e outros estrangeirismos com correspondência em português-pt, mas que por bimbalhice (como vc lhe chama) teima em usar o que não faz parte da sua língua. Isto é fraude, a que nos habituaram os piores políticos e, pelos vistos, também ex-adidos culturais.

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