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Chego a Portugal, há alguns dias que não leio jornais. Deparo-me com a notícia da contratação de Jesualdo Ferreira, novo "gestor" do Sporting. Não tenho nada contra o treinador (várias vezes campeão com Porto e com o Benfica - deixemo-nos de coisas, foi ele que levou um restrito Benfica à final da Taça dos Campeões, como sempre o mostraram as carreiras subsequentes dos dois técnicos de então, ele adjunto, o simpático Toni, como principal arvorado). Mas algo diferente tudo isto levanta: há anos que deixei aqui o que penso do grupo sociológico que se chamou "projecto Roquette, que tem "administrado" o (património do) Sporting. Verdadeiro microcosmos espelhando o que aconteceu na sociedade portuguesa nos últimos anos, como, noutra altura, também aqui resmunguei - pois mais do que em outra matéria é nisto que, hoje em dia, o Sporting é o Clube "de Portugal". Agora, com o clube em total derrapagem, o presidente, que daquele malévolo contexto emanou, intenta mais uma fuga para a frente: chama Jesualdo, a pensar num futuro amplo. Godinho Lopes é quem é, tem o passado de cidadania que tem, o qual não deveria ter seduzido os sportinguistas. E é o péssimo presidente que é. Ainda assim agarra-se a um formalismo democrático (ainda que no Sporting se ganhe com uma minoria de votos) e recusa-se a aceitar que o seu tempo se esgotou. E penhora ainda mais o clube.

Tem Godinho Lopes a legitimidade democrática, a de ter sido eleito? Indiscutivelmente. Do que precisa o Sporting? Que ele saia, urgentemente. Que, se necessário, e como disse com ironia Manuela Ferreira Leite há alguns anos, se suspenda a democracia por algum tempo (seis meses, sorriu ela então), para que se salve o clube.

  

Totalmente estupefacto leio no Público de ontem o texto de Pedro Lomba: "Quando Miguel Relvas aparece em encontros secretos com o colombiano que se ofereceu para comprar a TAP, agindo à revelia da competência exclusiva do ministro das Finanças nas privatizações, directamente e por via das suas ligações ao político brasileiro José Dirceu". Se isto é verdade (apenas sei o isto que leio) chegámos ao fim. Diante do monstro do inadmissível,  do mafiosismo destrambelhado.

 Há algum tempo, antes das últimas eleições, aqui fundamentei em quem votariae demonstrei como. O que me torna eleitor deste governo. Constato, agora, entristecido, que me enganei. Talvez já não valha a pena votar. Talvez que a única solução possível aos portugueses seja emigrar (como Pedro Passos Coelho não disse, defendi eu no meu Emigrão). Mas talvez não, espero que não.

Talvez haja outra solução, diante destas manigâncias. Talvez se possa pedir que, e como disse com ironia Manuela Ferreira Leite há alguns anos, se suspenda a democracia por algum tempo (seis meses, sorriu ela então), para que se salve o salvável. Ou seja, derrubar o governo, esse que tem legitimidade democrática mas que desabaratou (desprezou) a legitimidade política. Mesmo que isso implique o perigo do regresso da "antiga senhora" (em avatar António Seguro, esse íntimo amigo de Miguel Relvas; ou António Costa, o agora convenientemente anti-europeísta). Pois mesmo que isso aconteça, que essa asquerosa velha petulante ressurja, será para ser combatida.

Agora é derrubar estes gajos, os de Dirceu e companhias. Por intervenção presidencial, se possível, mantendo os procedimentos democráticos. Se assim impossível que seja na rua (e quanto tenho aqui resmungado contra o "indignismo" ...). E se isso não chegar? Se nem assim cairem Relvas e os seus, que tenta resiliência têm demonstrado? Então, se o presidente não actuar e a rua não chegar, que seja a tiro. Que tenham a palavra os militares (e nisso recordo o meu avô materno, digno conservador, "anglófilo" e não torpe fascista, militar chegado a coronel. Homem do 28 de Maio).

Depois a gente vê como será. Votando. Mas isto não. Chega.

jpt

publicado às 10:31


2 comentários

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De c. a 20.12.2012 às 00:46

Pergunto-me se Cavaco também não será da maçonaria (caso de Dirceu e Relvas). Só assim se perceberia esta inacção perante o poderoso lobby brasileiro - da TAP ao acordo ortográfico.
Parabéns pelo post.
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De jorge leite a 19.12.2012 às 10:43

Gostei eheh vamos à luta mas vai ter de ser com fisgas que a velhas e coloniais G3 ja enferrujaram

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