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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Pois pede-me o meu amigo Ele que polua o seu blog com alguma da minha verve. Tarefa difícil para quem já há muito se encontra arredado das lides Moçambicanas e que cada vez menos tem paciência para as "coisinhas" deste jardim à beira mar plantado.
Tenho lido atentamente as notícias, os comentários e o sarcasmo com que Ele nos tem lido, a nós portugueses não expatriados e não imigrantes e, por muito que ser Português seja algo que nasce connosco e connosco morrerá, confesso que por vezes desejaria que o mundo não soubesse que nasci, vivo e morrerei Português.
Vem tudo isto a propósito da desvergonha que comanda a vida Portuguesa, desvergonha essa que, quando lemos que existe em África, nos leva a esboçar um sorriso sarcástico e a comentar "coitados nunca hão-de saír da merda".
Pois é, nós somos um País do 1º Mundo, onde morrem crianças em hospitais por falta de assistência médica, onde se convocam para cirurgias doentes que já morreram há 5/10/15 anos, onde uma ministra "rouba" os descontos para a segurança social dos funcionários públicos, onde um 1º ministro ignora olimpicamente a gravidade das actuações dos seus ministros, onde professores são colocados em escolas com base em "cunhas" ultrapassando outros com melhores classificações, onde presidentes da câmara roubam (sim, sem aspas) descaradamente os municipes e o Estado, onde os estrangeiros são maltratados e explorados, onde ministros se dão ao luxo de dizer que os trabalhadores estrangeiros são um problema e não os deveríamos aceitar, onde o ensino básico cria ignorantes e iletrados, onde as televisões potenciam essa ignorância e essa iletracia, onde o sistema judicial e o segredo de justiça são um remake do pior que nos países mais subdesenvolvidos se faz, onde todos nós andamos alegremente, como uns tontos, a pensar que somos civilizadíssimos.
Comparo tudo isto com a velha Albion do amigo Blair do nosso primeiro-ministro e recordo como há bem pouco tempo o senhor Blair punha a hipótese de se demitir se a sua lei das propinas não fosse aprovada e se o inquérito à morte de 1 cientista cujo nome não me recordo viesse a provar algum tipo de envolvimento entre o Governo de Sua Majestade e o suicídio do cientista, e como na sequência do mesmo inquérito o presidente da BBC e o jornalista se demitiram por terem sido "acusados" de falta de profissionalismo. Que inveja que eu tenho de ver países onde pessoas com carácter ocupam lugares públicos.
Meu caro Ele, força continua e que Ela também lhes dê com alguma força. Um abraço do Pine...