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Com este "Rio dos Bons Sinais" (edição portuguesa D. Quixote, edição brasileira Língua Geral) regressa Nelson Saúte à ficção, oito anos depois da dupla "O Apóstolo da Desgraça" (contos, 1999) e "Os Narradores da Sobrevivência" (romance, 2000). Agora dez contos, com auto-retrato incluído e uma constante atenção pelos "dramas sociais": não no sentido de desgraças mas sim no seu sentido antropológico, as cenas ritualizadas que nos permitem descobrir o pano de fundo. E é nesse registo, em particular na sua apetência pelos funerais como microscosmos da continuidade da vida, que nos deixa sem qualquer exotização a dança entre o perene e o inovado neste Moçambique. Um olhar hoje único, no desprovido de moralização. E na escrita.

 "No cemitério de Lhanguene é frequente acontecerem coisas estranhas. À volta daquele cenário sórdido de campas profanadas, jazigos arrombados, caixões rebentados, campas injuriadas, os transeuntes pisam as sepulturas, atropelam as lápides, na azáfama quotidiana daquele lugar. Uns lá estão para chorar os seus mortos, outros lá vão para vigiá-los, sondar se os infortunados eram bem-sucedidos em vida, para  os exumar na primeira noite e deixá-los desprovidos dos seus derradeiros haveres." (p. 73)

publicado às 13:42


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[...] de “Rio dos Bons Sinais” (que foi publicado em 2008 em Portugal e no Brasil, como aqui então referi), uma colecta de 10 [...]

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