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A fotografia está no jornal "A Bola", na edição informática de hoje, acompanhando as declarações do retratado. Trata-se de uma notória excitação do jornal, habitual em desmandos, diga-se. E prontamente (mal)reproduzida pelo rival "Record", que faz uma trapalhada com o texto, tornando-o ainda mais incompreensível. O habitual, que isto dos jornais desportivos está uma sem-graça.

 

Trata-se das declarações de Enoque João, o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, uma associação que à partida recolhe toda a minha simpatia. O conteúdo da notícia respeitante às afirmações do referido presidente Enoque João é este:

 

O presidente da Casa de Moçambique em Portugal, Enoque João, acusa Bruno de Carvalho de aproveitamento da recente visita que fez a Maputo em prol da sua candidatura à presidência dos leões. «O Sporting tinha já em marcha um protocolo idêntico com Moçambique», garantiu Enoque João. «Foi claramente um aproveitamento de Bruno de Carvalho. Ele foi apresentar um projeto da Fundação Aragão Pinto com o governo de Moçambique e falou em nome do Sporting. Não o podia fazer e por isso digo que foi claramente um aproveitamento da situação», diz a A BOLA. Enoque João acrescenta que a atitude de Bruno de Carvalho foi como que «uma punhalada a Godinho Lopes», o ainda presidente dos leões que, tal como o candidato da lista B, é moçambicano. O presidente da Casa de Moçambique em Portugal enaltece depois as qualidades de José Couceiro, o candidato da lista C às eleições do Sporting, que têm lugar no próximo dia 23. «Devemos apoiar José Couceiro», apontou e completou: «Ele é uma referência do Sporting. Pelo passado que tem no clube e no futebol. E o Sporting é um clube de Portugal, não é um clube de bairro. Por isso Bruno de Carvalho deveria ter procedido de outra forma.»  

 

Está mal. E está mesmo muito mal o referido Enoque João, presidente, repito, da Casa de Moçambique em Portugal, imigrante moçambicano em Portugal e dirigente associativo, e que surge nessa condição a falar aos jornais sobre a situação eleitoral do Sporting, inclusivamente tomando partido em nome colectivo (repare-se no "Devemos apoiar José Couceiro").

 

a) Está mal Enoque João porque está factualmente errado. Como me escreve o amigo João Trincheiras, indefectível sportinguista há muito residente em Moçambique, e que presenciou as acções em Moçambique do candidato atacado por Enoque João: "O Bruno [Carvalho] tinha este protocolo marcado há meses. Durante o lançamento da academia não se referiu ao nome Sporting. Eu estava lá e perguntem ao Mario Coluna que também lá estava.


Esse protocolo com Moçambique [o referido por Enoque João, assinado por Sporting e entidades moçambicanas] está onde?. O único protocolo que existe é um documento assinado entre o Sporting e vários membros do Núcleo Sportinguista de Moçambique onde me incluo eu [e eu também, diz o jpt, honrado] e que está parado há quase 6 anos.


A Academia [a agora lançada por Bruno Carvalho em Maputo] não é de futebol. [O nome de Enoque João vem sim numa carta dirigida ao Ministro da Juventude e Desporrtos feita pelo Sporting SAD mas de intenções e sobre uma academia de futebol e com o Maxaquene. São duas coisas diferentes e academias diferentes. Claro que o BC ira dar seguimento a essa carta.] Os jornais sabem criar noticias maningue picantes e até colocam pessoas que não são do Sporting a dizer estas coisas..."


b) Está mal Enoque João porque fala em nome colectivo, ao expressar o apoio a um candidato num processo eleitoral enquanto presidente, assim convocando todos os membros da associação a que preside, a Casa de Moçambique em Portugal. A qual agrega, julgo, amantes do país residentes em Portugal e membros da comunidade imigrante moçambicana em Portugal. Deste modo convocados para tomar partido neste processo eleitoral. Julgo que sem ter sido consultados - aliás, presumo que a maioria nem estará interessada nesta questão. Por não serem adeptos clubísticos, por não serem sportinguistas. Por acharem que a associação Casa de Moçambique em Portugal não é para discutir estes assuntos. E, alguns, por serem estrangeiros, desligados destas questões.


c) Está mal Enoque João, e ainda mais mal está. Pois, como logo dizem os seus amigos aqui de Maputo, ele não é sportinguista. Será, dizem-me até risonhos, um adepto do Futebol Clube do Porto.


Ou seja, é como termos o presidente da Associação Portuguesa de Moçambique (a sede é na F. Engels, Maputo), ainda para mais sendo um adepto do Ferroviário ou do Desportivo, a intervir em nome da colectividade no processo eleitoral do Maxaquene. Uma sem-vergonha, que todos cobrariam.


Pois ter o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, adepto do Porto, a mentir sobre a viagem de Bruno Carvalho a Maputo e a dizer(-nos) quem devemos escolher para presidente, é um caso radical de imprudência e desonestidade. Andradismo em estado puro. E de radical incúria dos jornalistas que o ecoam e usam. Ou então é um caso de aluguer jornalístico. Também acontece

publicado às 14:17



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