Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]
"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
O Presidente da República dá-se mal com a democracia, isso já se sabia desde os indos anos 80's. Agora decidiu fazer uma comunicação que, das duas uma, ou é surreal ou cínica. Em defesa do primeiro caso, aludo a um conjunto de intervenções de que Cavaco tem sido protagonista nestes últimos anos em que parece que ele tem vivido numa qualquer twilight zone alucinada. Mas não opto por esse caminho. Cavaco demonstrou o seu real cinismo. O que ele quer é muito claro, não é que não queira este governo, ele não quer é o Portas no governo, por razões obviamente pessoais, e ainda por cima numa posição de força no recém modelo de governo, e não quer Passos Coelho, que não lidera e de quem Cavaco deve ter tanta consideração como eu por cobras (coisas moles e sem espinha dorsal). E como não pode mudar de dirigentes então retira-lhes o tapete, mas reforçando a continuidade dessas mesmas políticas. O que ele quer então, um governo de iniciativa presidencial, com um primeiro-ministro fantoche e em que seja o próprio Cavaco o grande timoneiro real. Um francesismo político mesmo que o regime seja parlamentarista. Aliás o cinismo é tal que ele despreza a solução apresentada por Passos Coelho e Paulo Portas, que tem assegurada a maioria do parlamento. E ainda mais cinicamente evoca um tal de compromisso de salvação nacional, com o PS, sabendo de antemão que isso nunca seria viável. O que está então em jogo? Parece-me evidente que Cavaco conta com o não do PS e irá intentar uma solução de governo de iniciativa presidencial, refém dele próprio. O Nicolau, o tal que era Maquiavel, muito se deve sentir contente com tais príncipes maquiavelistas. Nós é que não, se isto não fosse um blog público, eu até diria, nós é que fodidos estamos com tais príncipes.