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A Publicidade Outdoor em Maputo:uma reflexão sofre os conteúdos expostos em mensagens no espaço público 

 

Miguel Prista*

 

Como quinzenalmente acontece, amanhã será a sessão dos seminários de Arqueologia e Antropologia. No campus da UEM, às 10 horas.


Resumo

 

A publicidade está presente no quotidiano do cidadão urbano, e mesmo de alguma forma corriqueira no imaginário do indivíduo do meio rural, de maneira suficiente para ser um agente criador de imaginário, definindo conceitos e portanto, comportamentos. Um dos principais objetivos do veiculo publicitário é sem dúvida a instrumentalização de quem a absorve, em consumidor do produto ou serviço que a mesma difunde e de forma unidirecional, visto não haver possibilidade imediata de resposta por parte deste. Atendo à publicidade visual e tendo em conta a característica instantânea de transmissão de mensagem da imagem, podemos afirmar que a publicidade (visual) impõem-se perante o seu consumidor, sem permitir a este a opção de consumo dessa mensagem, e assim, a formação de imaginário. O Publicitário coloca-se como um formador de opinião e de comportamento, com poderes equivalentes ao de uma autoridade publica, a partir de um posicionamento privado, no espaço público.


A imagem, sendo uma superfície que pretende representar algo, que está presente no tempo e no espaço, coloca-se perante o observador sem algumas destas dimensões, como o tempo, retirado ao materializar uma vista ou imaginação, e a noção de profundidade, levando-o à necessidade de um exercício de abstracção para que se posicione de forma fiel à realidade daquilo a que é conduzido a sentir e pensar, ao consumir a imagem. Sendo a imagem publicitária uma ficção por excelência, com grande abordagem fantasiosa, sob o respaldo de ser um “lugar” de criação, ela conduz-nos a um tempo e espaço não esclarecido, sem que isso seja explicito nem assumido à priori pelo consumidor da imagem, o que condiciona desde logo a idoneidade deste sujeito ao absorvê-la.


Pensando na intervenção da imagem publicitária no espaço público moçambicano, e restringindo neste ensaio, à rua, podemos observar uma forte presença, e portanto interferência no imaginário coletivo, de publicidade em formato outdoor e muros de edifícios, corporativos e privados, como
plataformas de transmissão desses conteúdos criativos. A estes Outdoors propagandísticos, nos focaremos na presente comunicação, avaliando os seus conteúdos imaginísticos, conceitos em si embutidos, relação com o espaço público e relação destes conteúdos com a arte e seus fazedores.


Qual a relação do artista e do designer no diálogo destas plataformas de comunicação com o cidadão, com a sociedade civil e com formação de opinião por parte dos diferentes públicos consumidores de suas mensagens? A comunicação aborda conceitos chave da filosofia da imagem e construção de memória e é acompanhada de imagens fotográficas do espaço público, a serem analisadas sequencialmente constituindo o corpus fotográfico do ensaio, como uma mostra das fontes de produção de imaginário coletivo que a cidade de Maputo sustenta, por vezes em detrimento de outros elementos urbanísticos com características informativas, estéticas e mesmo de lazer, que aos poucos vão perdendo seu espaço, ou nunca o chegam a alcançar.


* Cientista Social, licenciado pelo Instituto de Humanidade da Universidade Candido Mendes (RJ/Brasil), trabalha com audiovisual, arte e educação, com enfase no uso do audiovisual como ferramenta de pesquisa. Leciona a cadeira de Fundamentos de Antropologia Visual pelo Departamento de Arqueologia e Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, desde 2011.

 

publicado às 10:34


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