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Portugal de longe

por jpt, em 23.02.04
A meio da tarde interrompi o trabalho para falar um pouco com patrícia acabada de chegar de Portugal. Ao "então como está aquilo?" segue-se uma escatologia que apenas não é uma saraivada de palavrões porque estou defronte a uma senhora. E como a conheço, nada dos coitadismos tão habituais, fico impressionado. Grosso modo é o que me dizem nos últimos tempos todos os nossos compatriotas que aí vão - e acho que o vou transparecendo neste blog. E também a minha impressão quando aí passo, ainda que a correr. Não é nada de "estrangeirado", a olhar de cima como se de paróquia aí se tratasse e nós cosmopolitas (em Maputo?). É mesmo estranheza. Estranheza sentida por pessoas diferentes, esquerda ou direita, norte ou sul, profissões diferentes. Mas não é estranheza com a política e o "sistema" (está na moda, o meu presidente recuperou o termo). É mesmo com os nossos patrícios - hoje o termo usado foi "alienados", noutras conversas chamam-se-lhe outras coisas (ainda há quem tenha passado pelo Marx, mas nem todos). Alienação produzida por alguém, auto-alienação, vejam como quiserem. Mas que estranha gente a nossa. Ou somos nós, "emigras" que não (os) percebemos...?

Pobres não, que já nem se lembram de como era há 15 ou 20 anos. Mas então o quê? E a todos nós nos aterroriza o horizonte de regresso. Por causa da companhia que teremos, não por mais nada.

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publicado às 16:05



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