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Kagamé em Maputo

por jpt, em 15.03.04
Kagamé está em Maputo. ”Palavras para quê?”. Se a própria ONU "é tão isto", envolta como está no que se passou nos Grandes Lagos.

publicado às 12:21

Pequenas gaffes (sobre Mia Couto)

por jpt, em 15.03.04
[Leio sobre a bronca de Bush, que ao discursar por ocasião da semana da Mulher saudou a libertação de uma líbia opositora ao governo após dois anos de cativeiro, apontada (entre outras) como exemplo da luta das mulheres por...etc., etc., etc. Só que a senhora afinal era um homem. Esta é das ficam como anedota para gozar com o homem, ainda que seja óbvio que se limitou a ler um discurso: erro de assessor, nada mais.Mas fez-me lembrar uma gaffe do género, à qual pude assistir. Daquelas que volta e meia regressa à conversa, sempre levando ao riso.]


Há anos o primeiro-ministro Guterres visitou Moçambique. Foram então condecoradas algumas personalidades moçambicanas (penso ser um hábito nestas ocasiões). Lembro-me que Mutola, Rangel e Naguib o foram, o que não me parece ter sido nada má escolha (e, sem desprimor, achei óptimo condecorarem Rangel). E também Mia Couto foi condecorado com um grande colar rutilante.


Estavam pois nas entregas, de cujos preparos se encarregava alguém do protocolo português. Diante de plateia apinhada e até cerimoniosa este lá ia lendo perfis e atributos respectivos, e à chamada cada um avançava à vez. Estava-se nisto quando se ouve na sala um sonoro, grave (aquele som cavo protocolar, imagine-se) e bem com-pas-sa-do "Senhora Dona Mia Couto", e tudo a entreolhar-se em sorrisos quasi-explodidos enquanto lá avançou o Mia, com aquele ar de suave traquinice a dar o pescoço ao colar, como se nada fosse [ainda hoje imagino o que terá pensado o orador quando se deparou com aquela barba, mesmo que rala]. O que nos rimos com aquilo tudo, depois. E aos mais agrestes, daqueles do "como é que isto é possível! que ignorância, etc e tal" também só valia dizer um alçar de ombros, um "acontece, o homem enganou-se" coisas tão mais graves por aí. E que não deixam estas memória de sorrisos.

publicado às 08:49

Espanha

por jpt, em 15.03.04
1. Pouco sei da política espanhola, não me está no cerne das preocupações. Aqui de longe tenho apenas a vaga ideia, talvez errada, que Alfonso Guerra não estava no poder.Com alguma surpresa caíu o PP. Como português isso satisfaz-me e muito! O governo que caíu foi o que arrastou o petroleiro Prestige até Portugal. Acto indigno, cobarde, agressor. Dir-se-á que natural, para defender o seu próprio país? Nada é natural. Nesse caso o único natural que existiu foram os ventos e correntes que direccionaram o crude para Galiza após o naufrágio. Repito-me, foram miseráveis, cobardes e agressores.Cobardia que sublinharam na gestão de todo aquele caso. Relatos de então consideravam que teria sido possível minorar os efeitos da catástrofe desde que a sua inevitabilidade tivesse sido desde logo assumido. O transbordo em terra foi até defendido. Não sou especialista, não conheço o caso, mas lembro-me da ideia de um governo a procurar afastar o mal e não em tratá-lo.Sobre o inenarrável comportamento com a população da Galiza acho que foi tudo dito, até pela RTP. Lembro a negação oficial da existência de uma catástrofe ambiental e as imagens da costa ali mesmo. E a falta de recursos para o combate ao crude. Se bem me lembro até à visita do príncipe, umas semanas depois: o que prova ser a monarquia espanhola algo mais do que meramente simbólica. Ficou-me a ideia de um governo a procurar negar o mal e não em tratá-lo.Cobardes por fim nesta semana. Tivessem eles assumido a hipótese Al Qaeda, tivessem assumido a responsabilidade pelas opções políticas que consideraram correctas...mas assustaram-se, tremeram. E mentiram (para os compêndios da História a circular da ministra dos negócios estrangeiros).Pareceu um mau filme de Hollywood, desses militaristas. Os políticos que enviam os heróicos militares para a guerra e depois, ao primeiro embate, acobardam-se.Um merecido final.

 

2. Ao ver as manifestações, gigantescas, pus-me a pensar que se os terroristas tivessem uma racionalidade semelhante à nossa à visão de um povo tão unido contra eles teriam obrigatoriamente que concluir a derrota, o erro estratégico desta acção, desta tipologia de acção.

 

3. Ao ver um governo cair, quase certamente pelos efeitos do atentado não posso deixar de pensar o contrário. Para os bombistas a queda de um governo inimigo por via de um atentado é uma extraordinária vitória. Cuidemo-nos.

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publicado às 04:29


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