[Leio sobre a bronca de Bush, que ao discursar por ocasião da semana da Mulher saudou a libertação de uma líbia opositora ao governo após dois anos de cativeiro, apontada (entre outras) como exemplo da luta das mulheres por...etc., etc., etc. Só que a senhora afinal era um homem. Esta é das ficam como anedota para gozar com o homem, ainda que seja óbvio que se limitou a ler um discurso: erro de assessor, nada mais.Mas fez-me lembrar uma gaffe do género, à qual pude assistir. Daquelas que volta e meia regressa à conversa, sempre levando ao riso.]
Há anos o primeiro-ministro Guterres visitou Moçambique. Foram então condecoradas algumas personalidades moçambicanas (penso ser um hábito nestas ocasiões). Lembro-me que Mutola, Rangel e Naguib o foram, o que não me parece ter sido nada má escolha (e, sem desprimor, achei óptimo condecorarem Rangel). E também Mia Couto foi condecorado com um grande colar rutilante.
Estavam pois nas entregas, de cujos preparos se encarregava alguém do protocolo português. Diante de plateia apinhada e até cerimoniosa este lá ia lendo perfis e atributos respectivos, e à chamada cada um avançava à vez. Estava-se nisto quando se ouve na sala um sonoro, grave (aquele som cavo protocolar, imagine-se) e bem com-pas-sa-do "Senhora Dona Mia Couto", e tudo a entreolhar-se em sorrisos quasi-explodidos enquanto lá avançou o Mia, com aquele ar de suave traquinice a dar o pescoço ao colar, como se nada fosse [ainda hoje imagino o que terá pensado o orador quando se deparou com aquela barba, mesmo que rala]. O que nos rimos com aquilo tudo, depois. E aos mais agrestes, daqueles do "como é que isto é possível! que ignorância, etc e tal" também só valia dizer um alçar de ombros, um "acontece, o homem enganou-se" coisas tão mais graves por aí. E que não deixam estas memória de sorrisos.