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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Não vou a Nampula há algum tempo. Não sei o que lá se passa. Já escrevi sobre o assunto, opinando com o cuidado possível, assente em conversas havidas e naquilo que mais ou menos conheço sobre o país, e em especial sobre o norte.Ontem mostram-me a Visão (sem link), hoje o ”Público”. Lixo puro, sensacionalismo. E dizem-nos orgãos de referência. Se o são então como serão os outros.A reportagem do Público tem primeira página, tem uma menina a escrever sobre a míriade de cheiros que há no mercado (não vai ela às compras em Lisboa, à praça, à drogaria?), ecoa a mui estranha irmã que vai dislatando. E não diz nada sobre tráfico, nada, sobre raptos, nada. Mas cria toda a impressão que algo de muito grave se passa. Mas não diz nada, não viu nada.Ah, e lá está o "branco", sempre temível que passou e levou. A menina jornalista, para além dos cheiros não percebeu nada.Jornalismo de referência? Uma merda!
Há uns dias escrevi sobre Espanha. E chegou. Também concluí que a vitória do PSOE foi uma vitória do terrorismo. Até neste blog de canto esconso levei com discordâncias, via mail acima de tudo.
Breve regresso à questão (e último?) apenas para citar "Pacheco Pereira":«O que me interessa não é a análise espanhola ou europeia, ou americana, é a análise da Al-Qaeda».É mesmo isso. Ao invés do que leitores me escreveram, e ao de tantos outros, que se ficam no considerar que ligar a vitória do PSOE ao terrorismo é um crime lesa-democracia. Mas considerar isso em nada nega a legitimidade das opções espanholas. Apenas, mas um enorme apenas, frisa que decerto entenderam os terroristas a sua acção como um enorme sucesso. O que lhes dá alento, bem como o dá aos seus apoiantes. Cristalino como água mineral.Mas ainda que simples conclusão isso exige elementar exercício. Tentar entender como pensam os outros (neste caso terroristas e seus adeptos). Entender-lhes lógica de acção e de prospecção. E não ficar encerrado nos nossos princípios. Neste caso nas odes aos valores do voto livre, da alternância. Ou na festa pelas nossas opções, neste caso das político-partidárias respectivas. Assim ficam presos, assim incapazes de entender.Não é pedir muito. Parece. Mas em alguns casos será. A este respeito dois exemplos de humor imbecil, encontrados logo hoje pela manhã, em gente incapaz de dar o salto da sua "casinha tão modesta quanto eles":- o inefável Barnabé a considerar o óbvio raciocínio de Pacheco Pereira como estando ele "refém da Al Qaeda". É até cansativo ver uma auto-reclamada esquerda, aquela das tarjetas multiculturais e internacionais, tão autocentrada, incapaz de praticar os próprios slogans. Nada de novo, mais um efeito (o desta década) do reaccionarismo da dita esquerda portuguesa, tão autóctone ela é.- e de sinal contrário, um tão superficial arauto dos americanos, típico exemplo de uma auto-reclamada direita [por onde andará a direita europeia, tão anti-americana ela própria in illo tempore?], o Homem a Dias, que remata: "Quer dizer, chamar "países" a coisas como a Jordânia, Marrocos e o Paquistão (os mais antiamericanos) demonstra um espírito de abertura que não é para todos."