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Sobre cultura

por jpt, em 29.03.04
Hoje à tarde ouvi um pequeno discurso de Durão Barroso. Um improviso, não se tratava de um escrito de assessor. Falando então unicamente sobre cultura frisou que não entende o papel das instituições estatais portuguesas em África como o da apresentação da cultura portuguesa. Especificou, até de modo veemente, que a tarefa que gostaria de ver desenvolvida será a de apoio à organização da internacionalização [sistemática, esta é palavra minha mas fiel ao sentido do discurso] da arte contemporânea local. E rematou, sublinhando o seu desejo e a sua esperança que as instituições portuguesas mergulhem desde logo neste projecto (de desenvolvimento, acrescento eu). Simples? Talvez. Mas hoje vou para a cama comovido.

Assim haja gente. Em Lisboa.

publicado às 23:20

Ha ngonhama ya mbangu lowo

por jpt, em 29.03.04

HA NGONHAMA YA MBANGU LOWÔ

 

No final do século foi quando começaram a chegar. Nessa altura parecia-lhes já arrumada a longínqua casa e, se bem que ninguém o clamasse à boca cheia, muitos acreditavam que estava de novo chegado o momento de romper mundos, ditando-lhes alhures alguns rumos.

 

Logo abundaram pela cidade. Afável a baía e ondulante o clima poucos arriscavam nortes ou interiores. Eram gentes de bem e de mal ou mesmo de nem tanto, armados de poucos ou grandes anseios que nenhum lhes diminuía o afã, uns apenas em novo ensaio, uns outros já em últimas e até desesperadas tentativas. A alguns acompanhavam-nos as mulheres, famílias a reclamarem o destino, mas muitos arribavam sós, cedo e com azáfama procurando filhos na terra como se viessem eles a ser âncora neste porto, assim tornando-o abrigo seguro. E em todos a sensação da mudança feita na distância, mas isso é da natureza humana, o sentir o andar como se fazer fosse.

 

Nessa época também eu cheguei, a empresa a oferecer-me boas condições pois necessitavam de alguém para as relações públicas, artes que constava serem incipientes por estas paragens. Por lá perdido no meio do pelotão nem hesitei, aproveitei e saltei, deixando a mulher mal disposta em casa. Resmunguei-lhe, não sei bem porquê, que “navegar é preciso e mais qualquer coisa” e vim aos dólares.

 

Lembro que esses eram tempos até de turistas, quantos recém-casados a fingirem um desflorar em terras exóticas, como se o verde local lhes viesse a fertilizar as alianças, perpetuando-lhes os apetites e os gozos. Com eles se cruzavam, já mais cansados, os romeiros da saudade aqui vindos a lamber feridas, cheirando uma terra à qual teimavam em chamar sua, indecisos se paraíso ou inferno. Tinham-lhes já passado, pelos menos então, quaisquer raivas antigas, não que a emoção os aclarasse, seriam antes os ares índicos e talvez o alívio de terem chegado ao chegar, que isso de sobreviver é difícil e não para todos.

 

Com azáfama também se apresentavam os governantes, deles havia constante trânsito, dizia-se que para criar clima pois era de consenso ser já tempo de se cicatrizarem velhas feridas, então chamadas equívocos. E tão enleante era o ambiente que amiúde chegavam administradores e proprietários, ágeis a desenhar lucros em rápidas e agitadas incursões. E logo rodas de convívio sortido, aquelas onde se ia fazendo o bem olhando a quem, animavam restaurantes e prostíbulos, exultantes nos comentários à última visita, à reunião havida, ao negócio encetado, ao investimento do mês, à parceria delineada, aos rumores das novidades. Tal como se tudo isso a todos pertencesse, como se o seu brilho dourado a todos alumiasse.

 

Lamentos havia-os, mas eram mais os resmungos devidos aos surpreendentes inesperados do dia a dia. E também os das famílias, queixas da alguma insegurança então que fora do casulo e da falta de locais de convívio legítimo. Mas nisso eram mais as senhoras, desde logo cansadas de sofrer os confortos da criadagem e dessa árdua tarefa de resguardarem os maridos dos ânimos dos patrícios aqui solteiros, por opção ou geografia, sempre estes desinquietadores das calmarias conjugais.

 

Foi pois com alegria geral que se soube da aquisição do Cine-Teatro da cidade, sítio invejado ali à rua da presidência, dizia-se que há anos pelo Estado desusado. Era o agrado com mais um feito da comunidade, mas mais ainda a expectativa do entretenimento em vidas que corriam monótonas, distracções inclusive com coisas “muito nossas”, postais da terra a mitigar saudades. Lesto foi o alindar da sala, a maquinaria a chegar de fora e a juntar-se a estofaria e limpezas, para que tudo pudesse brilhar no que veio a ser uma agitada inauguração, rara ocasião então aproveitada por quem pôde para provar elegâncias. Também eu fui convocado para a gala, apesar de recém-chegado já me sentia alguém na cidade, um director, quando entrava nos restaurantes havia até quem se levantasse, por vezes pagavam-me as contas na noite e, inclusive, já me tinha sido possível corresponder a um ou outro favor.

 

Rápido se tornou o Cine-Teatro palco do bulício da cidade no hábito generalizado da sessão de cinema intrometida no quotidiano e prestando-se a falsos acasos, encontros ditos ocasionais pois bem se sabia os dias certos em que cada um ali se apresentava entre o irrisório de filmes. Pelo fastio da vida e no gozo da recente notabilidade fiz-me presença assídua, as estreias semanais, os concertos de beneficência e até as inúmeras conferências onde se discutiam futuros e obrigações do país. Além disso a minha administração, sempre atenta à imagem, instruiu-me a que fosse eu pródigo em patrocínios pois estes sempre nos iriam dar bom nome na praça, cativar boas vontades locais, “deles e nossas” sorria-me o Administrador Delegado, e tudo isso me impunha lugar cativo nos eventos.

 

E assim me fui sentindo amigo da casa, bem-vindo nas portas gratuitas e sorrisos abertos do pessoal, gente ali estabelecida há muito, alguns ainda dos idos coloniais, que as compras ao Estado sempre trazem o trabalho de antanho, aqueles que sentem a casa como sua e que nem pensam em partir, ainda para mais dali, com tanta falta de empregos e sendo estes nada duros, abrigados de chuvas e imponderáveis.

 

Nisso fui crescendo amizade com a gerente, uma conterrânea meio balzaquiana aqui encalhada saberia deus porque razões que nunca lhas perguntei. Por ela pude confirmar que corria bem o negócio, e nesses bons augúrios cedo se rumorejaram expansões, velhos cinemas lá pelos nortes, “tudo para reconstruir” claro, mas também diferentes arrojos, jornais, revistas, até um canal de televisão. E com a fronteira tão vizinha ali para sul, sonhavam-se outros passos cuja ambição excitava até os clientes.Foi então passando algum tempo, imperceptível como é este sempre que se agita. Nesse curso certo dia dei conta que os olhos da gerente vinham mudando de cores, iam indo num caleidoscópio, uns dias acordavam azuis, noutros castanhos, para logo voltarem ao verde, seguiam ao preto, e não tinham nisso descanso. Essas deambulações incomodaram-me mas hesitava, como alertá-la sem lhe despertar preocupações? E era caso sério, apenas ela não atentava no ocorrido, os próprios funcionários se inquietavam, ali bem expostos a tais miríades de cores. Isso adivinhei nos seus silêncios, que deles não poderia esperar que me dedicassem confissões ou preocupações, branco doutor que era e para mais da própria gerente amigo. No passar dos dias ainda questionei o antigo responsável Nhamtumbo, ali sempre informal influência, mas o velho, mirrado, largou-me um vago sorriso sem denúncias de grande interesse, e apenas anuíu em concordar em que era aquilo bem estranho, num “ai senhor doutor, são estas coisas modernas, nunca tinha visto...”.

 

Tendo-me deixado a matutar sobre toda aquela situação súbito compreendi que os próprios filmes iam piorando, não só eram eles segundas escolhas mas mesmo dessas vinham agora as cópias riscadas ou mesmo cortadas, enquanto o novo projector se afirmava cada vez mais renitente ao trabalho, e até o gerador se tornava menos solícito, sempre pronto a interromper sessões. E, cúmulo, mesmo as chuvas quando se abriam tomavam conta da sala, há pouco tão orgulhosa. Com tudo isto ia o negócio decaindo, ainda sem reclamações da sede nem murmúrios na clientela, se bem que esta cada vez mais esparsa. Seriam apenas os percalços tropicais?, interroguei-me, então ainda mais intrigado com o arco-íris na mulher. Mas calei-me, nada comentei, pois não eram assuntos da minha competência, e a vida de cada um é de cada um.

 

Finalmente algum espelho terá sido clarividente, que dos acontecimentos lá se apercebeu a gerente. Inquiriu e para o esclarecimento das causas ter-lhe-ão valido algumas solidariedades femininas, após as quais veio ter comigo, que da vizinhança tinha feito poiso para lhe ir distribuindo alguns conselhos de modo a que capinasse ela a vida. Ao que lhe afiançavam tudo aquilo, desvarios cromáticos e mecânicos, silêncios e vazios, se devia ao facto do antigo responsável ser leão, e ter entretanto redobrado as suas felinas actividades. E, pasmada o dizia, sendo isso do conhecimento geral dele fugiam os clientes, temores redobrados nas falsas noites que o cinema fingia, todas aquelas imagens de sonho tornadas assim fábricas de pesadelos.

 

“Que fazer com o leão?” angustiava-se a gerente. Despedi-lo, e de imediato, foi a minha proposta, mas ela a retorquir-me que o não poderia fazer, não tinha para isso justa causa, ao que ainda opus “e que raio de lei do trabalho é esta, se ser leão não é justa causa para despedimento?”, quem protegeria os direitos das vítimas? Mas ela, aflita, a negar-se, nem pensar em despedir o leão, isso implicaria recurso para o tribunal e como poderia ela reportar à longínqua sede “despedi o funcionário tal que é leão”, não haveria de ser compreendida, haveria um espanto lisboeta e decerto seria também ela dispensada.

 

Mas apesar dessa discordância insistia ela na minha opinião. Assim instigado alertei-a para a necessidade de inverter o rumo das coisas, trabalhar a opinião pública, pelo que lhe propus uma campanha publicitária que torneasse alguns dos malefícios sem que fosse muito explícita, pois era delicado o problema. Aventei então uma reprise, “O Rei Leão”, delícia da meninada grande, apresentação emoldurada por anúncios afiançando que era esse “ha ngonhama ya mbangu lowô”, o ronga para “o único leão deste lugar”. E que entretanto ao outro leão fossem dadas férias, direito de todos e matéria que não levantaria quaisquer reparos. Assim talvez se reduzissem as suas acções, avisado ele da compreensão alheia, assustado até, e com isso regressasse o público.

 

Mas em breve constatei que se a afluência tinha aumentado um pouco da serenidade do olhar da gerente não havia melhoras. E passo a passo foram regressando, implacáveis, as outras incongruências. Para mais pouco tempo depois aportou um director, aqui deslocado para estudos de expansão pois as más notícias ainda não tinham soado na sede. Mas não lhe era longa a estadia e, súbito, uma manhã cedo fui chamado pela vizinhança, apelo urgente que chegara a revolução!

 

Acorri, solidariedade de imigrados, para me defrontar com um pé de vento que era também de guerra, os funcionários aglomerados e recolhendo a solidariedade transeunte, dezenas de pessoas protestando à porta e acotovelando-se em indignação curiosa. Tudo isto coroando a presença de dois polícias, ali deslocados para defesa dos trabalhadores. Lentamente iam eles agitando um papel reportando a queixa entretanto apresentada, e o qual oscilava em alternância entre director e gerente, estes já cônscios da importância da situação não só pela agitação colectiva mas sabedores de que é por aqui sagrado o papel, pois quando lhe chegam ao corpo os problemas já não têm estes retorno possível. Apesar disso pareciam os agentes disponíveis para uma resolução amigável do assunto, sem particulares incidências ou relatos e porventura com modesto e privado reconhecimento. Mas a população é que não o aceitaria, exigindo eficiente e rápida resolução da questão apresentada.

 

De mim se esperava um conselho avisado e de imediato me deram conta do conteúdo da queixa. Ali, num português duvidoso mas de cuidadosa dactilografia, erguia-se o auto acusador, expressando a angústia dos funcionários. Nele se denunciavam as ímpias actividades do antigo responsável do pessoal, aquele velho Nhamtumbo, algo de irrefutável pois os queixosos com ele tinham sonhado, indício certo dos ataques que vinha ele desenvolvendo contra os seus colegas.

 

Encarei o acusado, ali entrecoberto num canto, ainda mais mirrado do tão enrugado que estava, o fundo dos olhos encovados mais distantes do que o habitual, como que refugiando a alma bem num âmago que se queria inacessível. Confrontei-o com as acusações e ele, no tom assustadiço do encurralado, a negar “nada, senhor doutor, eu não fiz nada”. E eu a impor-me, alguém tinha que o fazer e já não seriam os meus dois patrícios, ali descabelados, “mais velho, que anda você a fazer, a querer matar os colegas?”, que vergonha aquela, que teria ele a ganhar com isso, trabalho havia para todos, para quê aquela maldade, e ele já pouco negava, desistindo-se num fastio raivoso “se eles o dizem!, senhor doutor, mas eu não fiz nada”.

 

Arrastava-se a situação, os polícias ali também desprovidos de atitude, e a gerente aflita, ainda para mais com o director tão incomodado com tudo aquilo, nada preparado para um sublevação popular à porta do seu Cine-Teatro. Urgia fazer uma limpeza, foi a minha única opinião, “vocês têm que chamar alguém de fora para sarar isto”, e ela anuindo entre o compreensiva e o assustada, e, avancei eu, para uma situação tão grave como esta impunha-se chamar um especialista de Inhassoro, zona desses mais poderosos, e o qual logo diria se havia ou não feitiços e decerto se encarregaria de os anular.

 

O director não desviava os olhos, julgo que avaliava da minha franqueza, mas logo lhe irromperam as dúvidas, até agrestes: “Você está a falar a sério?”, e eu encolhendo-lhe os ombros, insistindo que seria a única coisa a fazer, ao que ele logo se impôs, determinado na sua autoridade e ultrapassando qualquer concordância da sua subordinada, que “era o que faltava, andar agora a recrutar magos para nos resolver as questões”.

 

Ainda entreolhei a gerente, se bem que não me recorde qual era a cor dos olhos dela nesse dia. Mas então esvaziava-se ela diante do chefe, agora ali a afirmar-se, seria ele a resolver a contenda. E logo me voltou a antiga azia com gente desta, que não há continentes de permeio que os afaste, tão cheios de si mesmos, e amaldiçoei a diarreia que não se lhe chegava, que é sempre com ela que se lhes reduzem as certezas. Assim, e à laia de desistência, fui-lhe dizendo que tudo aquilo era com ele, tinham-me pedido opinião, estava dada e pronto, e concluí numa insistência já inútil “vocês têm aqui um problema laboral, se o quer resolver chame o curandeiro e verá como tudo acalma”.

 

Cresceu então o director, a reforçar a sua magreza, franzindo ainda mais a cara rósea destes recentes trópicos, aquele eterno casaco azul bem vincado e abandonado pelos ombros. “Ó Teixeira”, chegou-se-me ele ao apelido a modos que a sinalizar a gravidade do momento, que nem sequer aí tínhamos chegado, ali sem “doutores” que é certo tal não se usar entre homens da mesma idade e, julgava ele condescender, do mesmo estatuto, “nem pense nisso, nunca farei tal coisa”. Aí fui lesto, abandonei-lhe um ok despedindo-me daquela conversa sobre a qual se centravam todos os circundantes olhos, enquanto ele, convicto e sonoro, rematava para todos nós em jeito de justificação e já em nome da Companhia “nós também viemos para mudar este país!”.

 

Ainda levantei as mãos, rendido, e dei-me à saída deixando toda aquela turba a resmungar foradentes a situação, mas não sem deixar a Nhamtumbo uma última invectiva, que estava ele com sorte, mas que deveria parar com aquilo, tinha sido descoberto, nada ganharia com o assunto. E do assunto nada mais ouvi, algum acordo deve ter sido feito, falsos silêncios acredito.

 

Pouco depois o director regressou à base, que esgotado estaria o motivo da sua visita. E em breve partiu a gerente, já cansada não tanto da terra mas mais de estranhas ameaças, gentes que lhe irrompiam casadentro de arma na mão, nunca se soube se verdadeiras se falsas, que por outros nunca foram vistas, mas que para ela existiam é certo.

 

Passaram-me alguns anos e com eles novos interesses. Fui ouvindo dizer que o Cine-Teatro se esvaziava, e quando me arriscava a passar perto da porta bem notava que os cartazes iam sendo cada vez mais antigos e desconhecidos, ali postados reforçando um ar de abandono que, súbito, fazia até o folclore das gentes da cidade.

 

Hoje, com a família já bem longe e a casa em definitivo vazia de qualquer comodidade, o fastio da solidão levou-me ao refúgio do cinema. Cruzei, até cerimonioso, o silêncio da porta, preservado com cuidado pela pouca meia dúzia de clientes, ali todos um pouco com ar de engano. E logo agarrei a parca companhia de um café enquanto procurava nos muitos empregados, em desuso por ausência de quem servir, alguma cara conhecida com quem trocar mero cumprimento que fosse. Mas nada, ninguém do “meu tempo”, todos aqueles trabalhadores tinham partido, já não havia ali alguém para me reconhecer.

 

Súbito, saindo da sala ainda iluminada, lanterna desligada na mão, sorrindo-me um "boa noite, senhor doutor" o velho Nhamtumbo. Não resisti, entre o aliviado e o contente dei-lhe também um quente "éh, senhor Nhamtumbo, ainda está aqui?" e ele a acenar o óbvio, "então e os outros, foram-se?", e ele, seráfico e ainda mais mirrado, a anuir imóvel e longínquo, abandonado num sorriso mudo. "Só ficou você, Nhamtumbo?!", e ele nada sem negar, "áfinal?!" não pude deixar de rir-lhe, agora com ele solidário.

 

Saí para a rua, uma noite estrelada, destas daqui, a casa oca e a falta de sono, tudo apelava para que perseguisse a madrugada. Mas, estranho, tive pudor em gastar esta minha última noite índica em passeios solitários, tão desencaminháveis são esses. E de qualquer modo amanhã estarei já, e de vez, recomeçando em Luanda onde, contam, são os bares bem mais animados e tantos os patrícios por ora recém-chegados.

 

(Agosto 2002)

publicado às 23:16


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