Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Da descolonização

por jpt, em 19.04.04

Em plenos 30 anos do 25 de Abril o regresso à descolonização é normal. Sobre isso já desabafei e até (semi)botei.

 

Na semana passada Almeida Santos falou sobre a matéria, anunciando ainda um livro. Será interessante ler a sua versão, enquanto participante activo. Também Mia Couto publicou um artigo sobre o assunto [obrigado ao leitor "Mossuril" pelo pronto envio].

 

Ambos os textos têm interesse ainda que não avancem novidades ou leituras originais. Principalmente por integrarem algo que deveria ser óbvio. O final do colonialismo foi provocado, e portanto a análise da sua história tem que integrar as práticas de quem contra ele combateu.

 

Em Portugal o discurso traumático continua. A procura de culpabilização de políticas ou de individualidades não passa de uma leitura autocentrada do processo de então. Autocentrada e orfã de Império. O entendimento do final do colonialismo tem que o encarar como fruto de uma luta local e dos apoios que recebeu. Aliás também o 25 de Abril o foi, dito e redito que está o facto dos militares se terem revoltado contra a situação profissional, pessoal e política que uma guerra anacrónica lhes tinha causado, bem como ao país.

 

Não se trata de apagar as múltiplas perspectivas que havia então em Portugal sobre a questão. Trata-se de não encerrar a leitura do processo nessas dinâmicas. De certa forma é uma questão de português: Portugal não "fez" a descolonização, "aconteceu-lhe" a descolonização. Tivesse esse facto histórico inultrapassável sido planeado e discutido alguns anos antes outra formulação (linguística, refiro) seria possível.

 

Ainda hoje se fala muito de "culpa" (até Almeida Santos recupera a palavra, sacudindo-a de si próprio) e até de "traição". Sendo um bocado demagógico, reconheço, apetece perguntar:

 

- a grande vaga de povoamento colonial ocorreu nos anos 50 e 60. Após a independência das colónias europeias na Ásia, durante e após a independência das colónias europeias em África. Quem "traíu" os futuros "espoliados do Ultramar", de quem é a "culpa" dos seus destinos? Quem os convenceu que era um projecto para a vida, quando era óbvio que não o podia ser? Ou quem, à direita ou à esquerda, pró-soviético, pró-rodesiano ou pró-no meio, muito pouco podia fazer num mundo que já há muito tinha mudado?

 

Extra: em vez dessa bafienta elaboração de "culpas" e "traições" tão mais interessante estudar aprofundada e extensivamente o efeito social dos retornados no Portugal de 70. Tanto se fala do impacto da democracia, e depois da CEE/UE. E tão pouco do abanão que essa mole humana vinda de outras práticas terá tido aí no rincão.

publicado às 21:18

Blogs Ilegais

por jpt, em 19.04.04

Espanto. Ontem visitei alguns blogs para mim desconhecidos, segui a via do Abre-Latas.

Absoluto espanto. Há blogs ilegais. Não tinha noção disso.

Não me venham com as esquerdalhadas do multiculturalismo, tão do agrado de antropólogos indecisos ou artistas anacrónicos, "cada um como cada qual", "o direito à diferença". A liberdade defende-se restringindo os direitos de quem a recusa. Nesse sentido a lei portuguesa proíbe o proselitismo de nojos como Fascismo em Rede. É nojento? É. Mas acima de tudo é ilegal. Feche-se e julgue-se o autor.

Ou então mude-se a lei! E aceite-se esta escória turra, mais os islâmicos turras, mais os otelos turras. A bem dizer não há diferença entre eles, a não ser a retórica. Mas já agora, se existe este desenvolvimento legal porque retroceder e não extendê-lo?

Alguém perguntará, mas quais os limites da inibição? Honestamente, retórica vã. São quase evidentes, evidenciem-se...

Adenda: o leitor Analiticamente Incorrecto fez o favor de comentar, concordando com o desgosto mas afirmando que estes "são os custos da democracia". Agradeço a atenção mas discordo. A democracia rege-se pelo primado da lei. E tem sobre outros sistemas a vantagem de uma maior abertura à mudança das leis: se estas não servem mudam-se. Mas enquanto o são têm o primado. Repito o que disse, se há lei cumpra-se. Se não serve, assuma-se o facto e mude-se.

Pois por enquanto aquilo não é folclore, é crime! Não crime ético, que isso não existe, é crime legal. E não se venha com críticas a um hipotético "patrulhamento ideológico": há limites para o aceitável. Sempre.

publicado às 01:30


Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos