Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ilha de Moçambique

por jpt, em 24.04.04

Da Ilha regressam amigos, mais do que agradados. E dizendo que está ela melhor, casas recuperadas, algum turismo. É isso, desde os últimos quatro ou cinco anos que a Ilha vem recuperando, devagarinho, das mazelas do tempo e dos homens. Sem grande plano, sem grande intervenção, acima de tudo pelo investimento e trabalho dos particulares. Talvez assim seja melhor, que aos Grandes Projectos - assim Unesco e quejandos - que se querem demiúrgicos Grandes Arquitectos depois lhe falta apoio para continuar, o apoio do dinheiro e das vontades. E, quantas vezes, nada têm a ver com os reais anseios de quem por lá vive ou quer viver, a imporem utopias degenerativas.

 

[Lembro-me de que em 1999 ouvi um português, um tal dr. Teixeira, anunciar publicamente na conferência organizada pela UNESCO em Maputo, que Portugal iria oferecer 1,5 milhões de contos portugueses para a recuperação das infraestruturas sanitárias da Ilha: o dinheiro viria do ministério do ambiente. Não sei se o homem acreditava ou não no que dizia, mas parecia convicto. Se algum dos leitores o conhecer diga-lhe que o desprezo: nem um desses contos veio, nem uma comunicação sobre a matéria. Mais uma das pérolas vergonhosas dos "socialistas em África". Ricardo Magalhães chamava-se o secretário de Estado que tinha prometido o dinheiro, e que talvez fosse o chefe desse sipaio].

 

Mas vai indo a Ilha. Talvez que algum apoio no restauro de algum do património dificilmente assumível por pequeno investidor fosse fundamental. Em vez de grandes ideias talvez algum bom senso seja de encetar. Enterradas as grandes manias. A protecção do espólio museológico e arqueológico (subaquático), da flora e fauna marinha. E as infraestruturas sanitárias.

 

Depois esperar que Nampula e Nacala continuem a crescer. E que o aeroporto internacional de Nacala brote mesmo. Que aí, quem tem Ilha, Mossuril e Cabaceiras não pode temer o futuro. Desde que sem prédios e sem piratas.

 

Tenho saudades. Da Ilha, claro.

publicado às 21:30

Sudão.

por jpt, em 24.04.04

Roubo ao excelente Ecletico. E aproveito para chamar a atenção para o texto Mercenários (I, II, III) que a sua autora tem vindo a publicar.


No livro de pedra estudo a língua intemporal.

Entre duas mós esbracejo, no turbilhão da pedra,

já as duas dimensões até ao pescoço me sorveram,

minha coluna triturada no moínho da morte e da vida.


Que fazer, bordão de Isaías, da tua rectidão?

É mais fina que cabelo, a casca do grão sem tempo,

sem alto, nem baixo. No deserto o povo entre as pedras

reunia-se; real casula de esteira, refrescava-me, na canícula.


- Arseny Tarkovsky

publicado às 13:32


Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos