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Arqueologia subaquática 7

por jpt, em 31.05.04

O Naufrágios acaba de colocar mais dois textos sobre a exploração do património histórico subaquático nas costas moçambicanas, realizada pela empresa "Arqueonautas". Ecoando o Mediafax de sexta-feira com a posição dos arqueólogos moçambicanos, e um artigo na última Grande Reportagem, onde mais uma vez se denuncia a cumplicidade do auto-proclamado pretendente ao trono português nesta malfeitoria.

publicado às 20:39

Arquivo de blogs

por jpt, em 31.05.04

Já aqui me referi à hipótese de estabelecer uma política de arquivo bloguístico, tendo ainda voltado de passagem ao assunto a propósito do não-caso da "chacina de blogs".

Nesse primeiro texto que dediquei ao assunto Pedro Guedes do Último Reduto [eis como a "blogosfera" pode permitir que pessoas com tão diferentes pensares se leiam mútua e naturalmente] comentou que José Pacheco Pereira já tinha escrito, alertando para essa possibilidade ou necessidade. Costela de historiador, claro está.

Neste mesmo sentido recomendo o esclarecido texto que o Adufe acaba de dedicar ao assunto, bem como os comentários posteriores, que da polémica retiram esclarecimento.

publicado às 20:32

Por mais que não fosse Eduardo Cintra Torres, cronista/crítico de TV do Público, ganhou direito a nome de rua suburbana e bustozito no passeio com o artigo da semana passada sobre o casamento de Filipe Bourbon e Letízia Ortiz. Agora auto-promoveu-se a praceta via excelente e clarividente "O Futebol como Parte do Sistema Político".

 

NOTA: os jornais costumam retirar o acesso aos artigos. Como li algures o que nos blogs se consegue fazer são apenas "elos efémeros" (como se isso não fosse a condição de qualquer elo). Assim passo a copiar os artigos que decidir ligar, e a colocá-los no texto, qual (extensa) nota de rodapé.

O Futebol como Parte do Sistema Político

Eduardo Cintra Torres

Público, 30 de Maio de 2004

 

Na semana passada participei no Rivoli Teatro Municipal do Porto num colóquio incluído no original ciclo cultural Pontapé de Saída motivado pela realização do todo-poderoso Euro 2004 em Portugal. Referi que quase tudo o que sei de futebol sei pela televisão. Não jogo, não frequento, não leio imprensa desportiva, não oiço rádio desportiva, vejo poucos jogos na TV, não sei conversar sobre o desporto. O que sei é pelos noticiários televisivos, pelos jogos que vejo, por pedaços de programas, pelo zapping.

 

 

E que me ensina a televisão sobre o futebol? Que o futebol é economia, que é sociedade, que é sociabilidade, que é ideologia. Também é espírito, o sonho do amanhã que canta para a multidão que ganha ou perde. E exemplifiquei dizendo que: os adeptos do Benfica aguentam esperar oito anos pela próxima vitória; os adeptos do Sporting aguentam esperar 17 anos pela próxima vitória; e os adeptos do Futebol Clube do Porto (FCP) aguentam esperar pelo menos uma semana.

 

Meu dito, meu feito, eis que quatro dias depois o Porto inunda a pátria com a sua fantástica vitória na Taça dos Campeões Europeus. As emissões da televisão portuguesa, em especial o non-stop da RTP1, confirmaram a última dimensão do futebol que referi no Rivoli: o futebol como política.

 

No excelente artigo "Glória e Servidão" ("DN", 28.05), Manuel Villaverde Cabral sublinhou como a glória do êxito do FCP tem como reverso a servidão da política: "o poder político, cada vez mais desenraizado e distante das populações, faz tudo o que pode, mesmo o que não deve, para tirar partido da paixão popular pelo futebol e da efémera glória colectiva que ele traz de vez em quando. E é assim que o futebol se transforma numa forma de servidão política, como mostram a corrupção nas autarquias e o financiamento partidário."

 

De facto, a intersecção futebol-política é ainda mais profunda do que o aproveitamento repetido das glórias da bola pelos governantes e oposição e do que a promiscuidade entre o pessoal que ora transita ora se mantém nas duas actividades (Santana, major, Seara, etc).

 

As intervenções da esfera política no jogo do FCP são sinais de como o futebol foi integrado na esfera política: o chefe do Estado fez-se representar pela mulher e falou cá de imediato pela TV sobre a vitória como metáfora do futuro político do país; o primeiro-ministro adiou uma visita de Estado ao México para fazer uma outra visita de Estado, aliás, uma "visita de estádio" a Gelsenkirschen; a deputada Manuela Aguiar queria dispensa de falta no parlamento, fazendo da deslocação ao jogo uma tarefa de representação política; Ferro Rodrigues, Deus Pinheiro e outros políticos saudaram a vitória numa colagem habitual aos êxitos da nova religião do povo. E não esqueçamos a imagem de Guterres com um cachecol da bola numa reunião da União Europeia e a excursão parlamentar e governamental a Sevilha.

 

São sinais que resultam de o futebol se ter transformado numa nova religião, uma religião laica, com a sua ideologia, a sua fé, as suas massas, as suas cerimónias e ritos, as suas "catedrais" e clero, a sua economia. Não admira que a Conferência Episcopal portuguesa tenha alertado há meses, em invulgar comunicado, para o peso excessivo que o futebol vem assumindo no país: o futebol é, de facto, a única crença e instituição que pode tomar o lugar do catolicismo na sociedade portuguesa.

 

Trata-se de uma instituição talhada para assumir proporções gigantescas no Estado e, portanto, inscrever-se como parte do sistema político, precisamente por ter dimensão nacional (a televisão transformou o FCP, bem como outros clubes, em instituição nacional, pelo que a sua vitória foi, segundo políticos e populares, "de todos os portugueses", como Soares dizia de si mesmo; há alguns anos esta nacionalização ideológica de um clube seria impensável).

 

 

Apesar dos conflitos entre clubes e seus adeptos, o futebol une a nação: une pobres e ricos em torno do mesmo tema, o único possível para esse diálogo; une os portugueses até nas divergências, pois no futebol mesmo o ódio fornece uma linguagem comum a todos, que substitui a da religião. Ora, ao fazê-lo, o futebol fornece muito do que é necessário para se manter a coesão social. Em democracia, a política precisa dessa única linguagem comum na sociedade, e por isso apropria-se dela.

 

Além disso, o futebol substitui o debate sobre os problemas sociais, económicos e políticos, o que é um alívio para todos os políticos, nomeadamente para os que estão no poder. Se o povo falasse de política como fala de futebol nem os do Bloco de Esquerda tinham descanso perante a descoberta das suas carecas, quanto mais os partidos da área do poder governativo.

 

O futebol é tanto mais importante quanto mais alegrias fornece aos adeptos ou à nação, e quanto mais elas forem as únicas: o poder político tem de dar ao futebol gastos mirabolantes com estádios, permitir-lhe incumprimentos fiscais, etc.

 

 

Ao ser ideologia nacional, e, por isso, colocar-se acima da própria política, o futebol ganha estatuto de religião política, dado que a fé, como a pátria, não se discute (já dizia o outro). E por isso o futebol ocupa o espaço generalista televisivo sem contestação nem debate. A transmissão que a RTP1 fez em torno do FCP na Taça dos Campeões Europeus, que só por acaso não ocupou 24 horas consecutivas, revela o lugar que o futebol tomou nesta ideologia nacional deliberadamente assumida pelos políticos e pelos responsáveis dos canais, incluindo do Estado. A transmissão da RTP1 foi, como o foram as mais curtas na TVI ou na SIC, uma emissão política. Tratou-se de unir a nação, de aumentar a auto-estima, de iniciar a retoma, como disse Sampaio entre o irónico e o patético, sendo o FCP (e a televisão) o instrumento que o sistema político utiliza para proferir esse discurso.

 

 

Em termos históricos, nada disto é novidade. Na Grécia, o desporto era iminentemente político, símbolo e orgulho da cidade e concretização da paz entre as cidades (hoje o futebol substitui as guerras e a luta de classes com enormes vantagens para toda a gente). E em Roma o desporto era "oferecido" pelo Estado ao povo em arenas à época tão perfeitas como hoje a de Gelsenkirschen. A diferença é que hoje se ilude a inserção do futebol no sistema político. Porque hoje o próprio futebol é política, ele faz parte do sistema político. Este facto não foi assumido pelas instituições do Estado e pela reflexão das elites, criando-se contradições aparentemente insanáveis na esfera pública.

publicado às 20:29

Postais Antigos sobre África

por jpt, em 30.05.04

Postais antigos. Algumas pessoas têm escrito sobre esta mania dos postais, como adquirir, saudando o gosto, etc. Ora sobre isso eu sou um mísero amador, desprovido de colecção e de conhecimentos. Quem é mestre do assunto e do bom gosto é João Loureiro, autor de vários livros sobre o assunto, já aqui o referi. Descubro, apenas hoje, o seu sítio.

Para os interessados aqui fica: Memória Portuguesa de África e do Oriente.

publicado às 20:28

Mutumbela Gogo

por jpt, em 30.05.04

a andar bem.

publicado às 20:25

...

por jpt, em 30.05.04

Algumas ligações a blogs sobre África dos quais agora tomei conhecimento. Colocados nos "Vizinhos" e nos "Dos Tempos...". Sem desprimor para ninguém fico de olho mais atento nas fotos prometidas pelo Madalas de Moçambique (passe o pejorativo do nome).

NOTA: o Carlos Gil informa que o, para mim até agora desconhecido, Madalas de Moçambique é uma continuação, devida a uma mudança de endereço. Diz ele "O blog 'Madalas de Moçambique' (e aceitando como pacífico que o José Esteves não teve intenção pejorativa na escolha do nome) tem, na sua 1ª versão com espaço de MB esgotados pelas fotos, o seguinte link.

Agradeço a informação. E acrescento, já agora, que o meu "pejorativo do nome" apenas se prende com o facto do "madala" (velho) não ser respeitoso se aplicado no tratamento directo. Pelo que a minha pequena ironia teria sido melhor entendida se tivesse escrito "auto-pejorativo do nome". E só!

publicado às 20:24

Noite de Eleições

por jpt, em 30.05.04

[aí estão eleições no meu país. Aqui deixo um texto velho - como todos os "Roupa Velha" que aqui ponho, prontos às teias de aranha do "Arquivo". Escrito na noite das últimas eleições legislativas e logo enviado para aquelas dezenas de amigos/conhecidos que costumava então assaltar via email assim despejando-lhes os meus textos, um blog artesanal, um blog ao domicílio, um blog atrevido, um blog sem o saber...

 

Texto envelhecido, claro está, como qualquer desabafo de época. E poderá levantar a questão: é a administração PSD melhor do que o PS? Francamente não posso julgar em absoluto, mero cidadão emigrante. Quero crer que sim. Os meus votos que o seja, nem que "para pior já basta(va) assim"!

 

Mas para mim tem pelo menos uma enorme vantagem: viajam menos para Maputo. E chega.]

 

NOITE DE ELEIÇÕES

 

É bom o clima por aqui, em especial em Maputo que é temperado o q.b., não arrasa os europeus. E são bonitas as árvores, e então naquele tempo das folhas vermelhas nem vos digo, e mais ainda a baía, com a xefina e a inhaca à frente da varanda. Come-se bem, em especial o peixe que é fresco mesmo que não muito variado, e os mariscos, um camarão recomendável e um caranguejo ímpar. E há tempo, mesmo que em corrida, fica sempre um bocadinho (arrastem o "dinho" s.f.f.) para parar, olhar, disfrutar. As mulheres são muito bonitas, como o devem ser em todo o mundo, mas aqui faz calor e passam gingando, naqueles vestidos quase justos, feitos de chita que o dinheiro não abunda, e tudo isto é belo, e apaixona.

 

É o burguês em África !(se se cegar à outra enorme face da moeda, mas isso não é para hoje). Tudo isto chama as visitas. Comprendo-os bem, eu fui-me deixando ficar.

 

Até há uns 30 anos isto foi nossa colónia, toda a gente o sabe. Mas nem todos se recordam que já não o é, quantos o esquecem neste dia-a-dia, e nisso ajuda-os a língua que julgam comum. Diz-se que quando daqui saímos houve notícias na TV e até nos jornais, mas já foi há tanto tempo! Será por isso que todos os que chegam perto do Poder, ou até menos perto, todos os que chegam “lá” sentem a urgência de “cá” vir, “cooperar” dizem, ajudar, realizar, mandar. Terá tudo a ver com esse primeiro parágrafo, ali em cima, mas também tudo a ver com este último.

 

Pois chegados ao governo é-se lá alguém se não se viajar em África, por lá fazer algo por esses queridos Palops, sempre tão nossos amigos e expectantes? Ou melhor, se não se prometer algo em África? Não há dinheiro para isso?, não há problema, vai-se até lá, assinam-se os protocolos da ajuda, põem-se nos papéis todas as boas intenções, tira-se a fotografia, praxe claro está, e depois, bem depois, ver-se-á lá pela Europa onde deve haver fundos disponíveis. Oops, não veio dinheiro de Bruxelas? Não faz mal, não se diz mais nada, isto vai andando assim até à próxima visita, e então torna-se a assinar o assinado...entretanto manda-se lá fulano, aqui do ministério qualquer ou semelhante, leva as ajudas de custo e ainda há-de trazer o relatório e etc. e tal.

 

No meio disto tudo passaram-me cinco anos aqui, muitos camarões, imensos caranguejos, milhares de chamussas, alguns gins e afins. E falares distendidos, que o clima ajuda, os comes idem, e os gingares ainda mais. E com essa gente mais do que tudo germinam conversas sobre o Portugal deles, que é certo que cá vêm mas o seu interesse por Moçambique é bem pouco, vê-se bem que à maioria dos que vão chegando a cabeça (e as estratégias, e as estratégias) não saíu de lá, aqui aportam só os corpos, ai, ai, mas não vêm cantar o “Mãe África”, é mais o “ó prima, anda cá!”.

 

E com isto tudo falam, vão falando, abrem-se enquanto nos olham num “estamos juntos” que aqui aprendem, como se por cá estarmos tenhamos que ser do clube deles, ainda que por estas bandas a jogar nas reservas. E foram assim imensas as conversas sobre aí, com essa gente do poder, a maioria mordomos do poder é certo, mas nem percebem que comem na copa. Gente boa alguma, gente distraída outra, e gente má, muita. Dizia o Padre Américo que não há rapazes maus, e devia ter razão, o problema é que crescem.

 

Cinco anos, dizia eu, com tanta conversa, sobre eles próprios e os seus. Sobre o país que gerem. E sobre os outros...E nós a ouvir e, claro está, quantas vezes a pagar a conta pois, coitados deles, é tão notório que lhes é pesada a mão quando tem que avançar para a carteira. Analítico, e nunca elitista, ainda me pergunto, será essa uma doença desta gente emergente, agora doutores? Ou apenas um mal socialista?

 

Por isso tudo nesta noite de eleições, agora que houve o ontem, aleluia, brotam-me as perguntas, algo confusas e até em catadupa. Mas acabam todas nesta: Mas que raio, será a higiene a última das ideologias? Ou apenas o alívio?

 

Rejuvenesço-me nesta madrugada, tanto que até me vem à cabeça o que o Bowie cantava (há já tantos anos), “calcem os sapatos vermelhos e dancem o blues”. E lembro-me deles todos e rio-lhes um dancem agora...”Toca a dançar”.

 

(Março 2002, dia seguinte às eleições legislativas)

publicado às 20:22

Arqueologia Subaquática 6

por jpt, em 30.05.04

No Oeste Bravio Filipe Castro com mais uma achega para desmontar a credibilidade (???) dos piratas Arqueonautas.

publicado às 20:21

Procissões

por jpt, em 30.05.04

Visitando blogs para mim desconhecidos deparo com um interessante: Apenas um pouco tarde, de Manuel Jorge Marmelo.

No qual encontro uma deliciosa contradição, logo ali na página de entrada. Lamenta o autor com evidente desconforto, e mesmo denotando alguma vergonha, a procissão, coisa pré-moderna e tão de "atraso", ainda por cima nas barbas do vizinho inglês. E aqui soprando até um tique provinciano, que me desculpe o bloguista, tão preocupado com as impressões do dito "vizinho inglês". E logo salta para a narração, participante e efusiva, da alegria na festa da bola. A qual, depreende-se nem que por silogismo, de romaria, "atraso", ou pré-moderno nada terá, e nem ofenderá o tal "civilizado vizinho".

Não é crítica, que somos nós senão poços incoerentes? E ainda bem, que cinzento triste o do coerência. E também porque poderia ter sido eu a cometê-la, entre o irritado com o feitiço de fátima, padres deixando (pelo menos) brotar a crença na acção pelo sacrifício, e o eufórico, profunda e absolutamente feliz porque uns tipos foram ganhar 4-0 ao Salgueiros.

Mas não se está a falar do mesmo tipo de fenómenos? E que "atrasos" não servem para os entender?

publicado às 20:18

Cabinda e Nigéria

por jpt, em 30.05.04
Cabinda e Nigéria em discurso directo no sempre atento Ecletico. Para se começar uma semana com menos futilidades.

publicado às 11:08

Afinal, vá lá

por jpt, em 30.05.04
Há uns meses o filho de um antigo presidente do meu Sporting foi condenado a pagar uma multa por ter praticado "inside trading": se bem me lembro era cerca de seis vezes menos do que aquilo que tinha lucrado com a operação ("anunciado na TV").Espantei-me. Pois fiel ao lema "o crime compensa". Pois praticado num país onde a ladaínha da corrupção africana serve de lama no espelho para tapar um pouco do luso-lixo.Afinal...vá lá, vejo aqui que há (alguns) juízes honestos no meu rincão.

publicado às 11:06

Quase em Português

por jpt, em 30.05.04
Novo conselheiro.

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publicado às 11:00

José Craveirinha,

por jpt, em 28.05.04

A Texto vai passar a editar a obra póstuma que Fátima Mendonça está a organizar, assinaram hoje durante a pequena evocação lá na velha casa. O Eduardo disse, e coisa dele ainda, o Jaime Santos também, e trouxe um velho Brecht afiançando que o poeta gostava, pela primeira vez em público foi dito Craveirinha em ronga, tradução ali mesmo, e só por isso teria valido o fim-de-tarde, o Stewart cantou só, o Karingana wa Karingana, e desafiou um disco de Craveirinha, aí tanto cantor a pedir tradução para changana ou ronga, seria boa ideia, Mucavele, Wazimbo, Langa, alguns outros.

Nas traseiras falou-se de atletismo, um bocadinho de algarve também, e de uns outros tempos quando as visitas espontâneas entrávamos ou ficávamos à porta, dependia da hora ou dos humores. Alguns lembraram viagens e o Jaime o facto de um fato, ali presente e já a caminhar para o velho, que dependeu do Fernando Pessoa.

Enfim...

publicado às 20:17

Craveirinha e Knopfli

por jpt, em 28.05.04
José Craveirinha comemoraria hoje o seu 82º aniversário. Aqui fica a memória. Ilustrada por um pequeno livro, que acarinho, em que se recolhem algumas das suas crónicas de jornal, casadas com as contemporâneas de Rui Knopfli, um "verso e anverso" desses irmãos de letras inventado pelo António Sopa: "Contacto e outras Crónicas" + "A Seca e outros textos".

 

No final dos anos 40 o então jovem Zé Craveirinha escrevia, com um tom muito da época, coisas de sempre:

 

"O movimento que se deseja efectuar-se-á ...quando o homem de cor intelectualmente preparado não desdenhar acintosamente o influxo de correntes culturais de origem africana, num sonambulismo ignaro que se vem prolongando demasiado. ... Trata-se muito simplesmente de não abdicar de uma cultura indígena, nem renegar uma corrente europeia, quando de tal enxerto pode surgir uma beneficiação integral..." (8-9)

publicado às 20:12

Poema de Rui Knopfli

por jpt, em 28.05.04

Em Maio blogs mil foi o que foi ... assinale-se o primeiro aniversário à sombra dos palmares, que antologia já é.

 

Que começou e continuou assim:

 

(...)Teu olhar tem a curvatura

terna e feroz de uma grande-angular.

Esse perfil distante de cimento

e argamassa é toda uma geometria

decantada e gostosa molhando os quadris

deleitados no charco doce da baía.

Diacho, que perfil mais bonito, hem?

Então, Rui, que é isso,não vais agora comover-te?

 

(Rui Knopfli)

publicado às 20:08

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