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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
"...Os que nada tinham olhavam para os outros e refugiavam-se no interior das cubatas, esperando que melhores dias chegassem. Luandle, que nada tinha além da terra seca e morta, olhava com dó o filho que se alimentava de areia e ervas nunca comidas que mataram famílias inteiras e obrigaram os homens idosos a voltarem à prática dos tempos imemoriais em que tudo experimentaram, autorizando depois as mulheres e as crianças a comerem antes de descobrirem que os macacos bem serviam de guias em certos produtos. E já que os macacos emigraram os homens tiveram que experimentar tudo, arriscando-se à morte ou a uma diarreia interminável..."
(Ungulani Ba Ka Khosa, Orgia dos Loucos)

Já aqui antevi a conferência de ministros da cultura da CPLP. Aconteceu em Maputo a semana passada. Por isso Gilberto Gil esteve cá. E deu-se ares de intervalar o seu ministério, com espectáculo de ambiente bem descrito por este normando.
Lá fui eu, feito penetra no "todo o maputo" ver o concerto do músico que também é ministro. Por meros 50 usd direito a um bilhete que me disse VIP.
Uma maçada afinal, quatro grupos antes, mais discursos ao princípio, criancinhas a agradecer o apoio mais senhoras bem intencionadas e tudo o mais. Um festival, que fui suportando fugido no vizinho África bar, este primeiro vazio depois enchendo-se de enfastiados.
Para mais o pior som que já ouvi em alguma produção Conga. Mas finalmente, já quase pela madrugada o músico que também é ministro. Ainda mexe um pouco-pouco apesar de pré(?)-sexagenário, a voz ainda vai lá, algum requebro. Dia dos grandes êxitos, mais o Marley aqui e ali. Música um bocado arrockada, um guitarrista cheio de tiques, mas isso não é coisa nova no Gil que eu (des)conheço. Enfim, aqueceu um bocadito, sem deslumbres, até porque o sentido crítico se vai desvanecendo na escassez de espectáculos.
No final, e como é aqui o costume (e bonito, acho eu), o representante do poder subiu ao palco para saudar os artistas. Pode confundir alguns estrangeiros, mas aqui é assim. Nesse dia foi a primeira-ministra, Luísa Diogo, subiu para saudar o músico que também é ministro.
Aí, e contrariamente ao que aqui é costume, o artista deu-lhe o microfone para que pudesse ela "falar ao seu povo". Ah, afinal ali estava mesmo o ministro que também é músico - e não o contrário.
Luísa Diogo foi uma senhora, apenas agradeceu o concerto. E isso deve ter lembrado a Gil que já foi só músico. E que ali o era. Talvez!
A fazer as malas (a tal ida para o Mpumalanga) entrevejo no telejornal a demissão da presidente do Instituto Camões, logo seguida das declarações "socialistas" criticando a falta de uma política de cooperação.
No regresso leio no JN e no Público desenvolvimentos do assunto. Interesses de emigrante, está-se mesmo a ver.
É madrugada e o apontamento não pode sair burilado. Mas ficam alguns esquiços (nunca de Mileto, Francisco, nunca de Mileto!).
1. não tenho nada a ver com os critérios jornalísticos do Público. Mas se repararem a notícia dessa demissão vem na secção "Cultura". Erro ou sobrevivência? Pois deveria ter sido integrado na secção "Educação". Pois há muitos anos que o Camões não é um instituto de cultura, mas quer-se sim como um instituto de língua.
Dirá algum leitor: mas como é possível distinguir língua de cultura, que bloguista imbecil. Pois o bloguista também pergunta.
2. quem não se quer "de cultura" não faz cooperação cultural. Isso é óbvio, silogismo. Aliás nem sequer sabe o que é cooperação. Nem procedimentos, nem ideologia, nem atitude. Ou seja, desprovido de tecnicidade e de ética (ou cultura profissional se o leitor se assustar com a "ética").
3. se não faz cooperação cultural que faça acção cultural externa - o que é absolutamente outra coisa. Produza ou induza. Por aqui vindo daí nada! E por aí?
4. a dirigente socialista Ana Gomes critica ainda o camões porque tem muitos funcionários e não funciona contrariamente às fundações que com meia dúzia de pessoas obram imenso.
Terão os funcionários brotado expontaneamente? Ou foi a Prof. Stock que os impingiu?
Não sei se a ex-presidente foi bem ou mal, não tenho meios de o saber, nem a minha opinião sobre o assunto interessará.
Mas a este propósito só posso espantar-me diante desta gente, desprovida de retrovisores, tão lestos a esquecer (pintar?) o passado, como podem eles querer guiar algo, e ainda para mais um país?
5. fugindo ao Instituto Camões, apenas uma nota, que nem um blog inteiro chegaria para esgotar o assunto.
Como podem vir os socialistas criticar a falta de "uma política de cooperação"? Quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) (o que seria "o caminho") e não o conseguiu em legislatura e meia. Mas também quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) e o dotou de uma lei orgânica impeditiva. Mas também, e mais do que tudo, quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) e fundou paralelamente a APAD, agência que tinha os fundos financeiros disponíveis, inibindo, impossibilitando, cerceando todo o caminho que apregoavam.
Esquizofrenia governamental? Autofagia?
Perguntas que um blog a céu aberto não pode responder. Pelo menos o meu. Basta-me, ligado à cooperação, arrepiar-me. Não de luto, mas do seu sinónimo. Mas limpo, pois para tal basta nunca poder ser "socialista".
É tardissimo, vou dormir. Mas o descontraído do fim-de-semana morreu-se. Caramba, maldito blog!
Preâmbulo ao apontamento seguinte. Cooperante contratado, era o que me faltava botar discurso sobre medidas tomadas no ministério que me abona, ainda que noutro organismo que não aquele ao qual respondo. Suicidário não!
Entenda-se, acredito que o Estado português é democrático. Posso, se assim o entender, criticar o governo, os ministros, o estado da arte. Posso resmungar, no café, no partido (se o tivesse), no blog, no jornal, até "anunciar na TV". Pequenino, ninguém se aborrecerá. Mas botar faladura sobre assuntos e gentes mais próximos de quem me manda, mesmo assim pequenino, nada feito, há-de sobrar algo. Entenda-se, e bem, falo do Estado, não de um qualquer governo. São as coisas de blogar a céu aberto.
[O Ma-schamba começou incógnito (mas não anónimo, era só perguntar o nome) para não ficar clube de amigos. Quando me irritei com umas politiquices portuguesas e botei opinião assim tipo resmungo meti-lhe o nome. Acho que é legítimo escrever anónimo ou mascarado. E mais, acho óptimo. Mas também acho legítima a minha irritação com quem está dentro dos sítios a escrever anonimamente (apenas incógnito para os amigos?) botando faladura sob agenda própria ou partidária. É legítimo? É! Mas, e repito-me, irrita-me. Por isso me irritam esses blogs pré-socráticos - que me desculpe a discordância o professor da aldeia, se aqui vier].
Exagero? Não, conheco duas pessoas que perderam os empregos nos últimos anos por terem escrito ou reenviado emails criticando as suas tutelas. [É um facto que surge horrível. Mas também me pergunto, como se pode trabalhar em/com se se está visceralmente contra? Enfim, teias que o funcionalismo público tece].
É bonito? Nada, mas são as regras do jogo. Qual jogo? O jogo do leite da Carolina e da ração da Joana. E do meu whisky novo. Vá lá que a Inês se amanha sozinha, e bem melhor do que eu, valha-nos a sua cabeça.
Fim de preâmbulo.É sabido que na África do Sul se come mal. Ou seja, come-se muito. E coisas boas. Bela carne, sim senhor. E toda a outra tralha, sim senhor, que tudo aprenderam a copiar com o bloqueio, e com honesto arreganho. E com tamanho apetite são generosos na oferta.
Mas, coitados, não são muito dados à cozinha. É mais botar na grelha e alongarem-se em molhos lá para cima. Químicos, claro. Não são muito dados a preliminares. Na cozinha, pelo menos.
Daí que ando há meses para notar uma muito honrosa excepção. Ali à capital do Mpumalanga, um vale que tem vindo a crescer a olhos vistos, regionalização de lá, alguma paz racial ainda, e o dinheirinho aqui de Maputo, tudo isso a fazer crescer essa Nelspruit.
É chegar via Maputo, nem entrar, virar à esquerda entre o Mr. Price e o Valência. E subir poucochinho ao Bambu Azul. Comida cozinhada, imaginação até, paciência também, um toque de exótico. E sala arejada, decoração assim modernaça, quase como lá na Europa. E, dizem, bar à noite com ar de divertido. Ah, adega. Adega. Requinte por estas zonas.
The Blue Bamboo. Em terra boer, quem diria.
Pois, agora que já tomei o duche, que estou mais calmo...Pois, agora que já tomei o duche, já posso pensar no futuro. Na próxima época. Algo terá que mudar. Ou sairão o Carlos Martins e o Rodrigo Tello, por não terem valor para ser jogadores do Sporting. Ou então não sairão, porque têm esse tal valor. Nesse caso tem que sair quem anda enganado. Por mais "ingrato" que seja...[Prognóstico de meio do jogo, e absolutamente nada original. Que coisa, a meter-se pelos olhos dentro, todos nós Gabriel Alves]