Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
O guiar para longe tem isto, o deixar pensar, bem rápido e até consistente, consistente com a rotação do motor, pensar atalhos imprevistos, picadas mesmo daquelas das rudes, semi-destinos ali abruptos, atrevimentos por vezes e, sem querer, derrapagens. (e que nunca se me rebente um pneu no entretanto...)Neste quase ontem, a terminar semana pouco-pouco, dei-me conta nessa via dos quase amigos, coisas mais acontecidas a quem se viajou, assim longe do cúmplice lá de jovem, esse que, ainda que nos custe, pode cansar e mesmo aborrecer mas não trair, tem lá ele como?São estas coisas de quem andou, aqui e ali, a reconfortar-se em mesas, as do come mas mais as do bebe, deixando-se por quem há-de par parecer talvez só porque vindo lá de onde viemos. Para só depois lembrar que origem não é sítio, nada disso, digamo-la outra qualquer coisa (que nem olhar limpo será, tanta lente obscura afinal por aí).E vejo-me a cair nas covas, direcção até empenada, óleos desperdiçados, pois que afinal dos “nossos” não estão só aqueles dos melhores. Que o caminho parece difícil e, sem dúvida, tanto temem eles que não lhes chegue o seu quinhão de estrada ou, se calhar, é mesmo só medo que o “dono” nem a todos venda o diesel.São batidas estas para as quais não há seguro, e que o houvesse pois a franquia seria decerto elevada. Destas têm-me sucedido no ano a ano. Distracção ou as artérias já rijas a demorarem reflexos? estupidificado ou no quase-doença? Pois como explicar este assim, tantos anos de carta e tão iludido na estrada?Paro no caminho, Malelane que é quase lá, um novo Rothmans exigido e, já agora, o café de malga, e ainda o jornal “lá de cima”. Que está ali ladeado de revista tão colorida que logo esta me acompanha até à mesa para me deixar distrair, página a página regressando-me a um tão novo.Tenho ainda que voltar à estrada. Chego-me ao carro, este musso já velho, meu burro de pança nem mais. E não deixo agora de sorrir a todos estes seus amassados, todos os riscos, mesmo peças em falta, afinal tão pequenos tudo isso. Todos nós. Tão mesmo que só merecemos sorriso, para quê algo mais sob este céu, ainda para mais céu num hoje de tantas fotos para que não o esqueçamos se no nosso bulício.

Para quem tenha apreço pelos postais antigos que aqui vão sendo postos de modo avulso (e serão) quero lembrar o belíssimo livro "Memórias de Moçambique" de João Loureiro, editado pelo próprio autor em 1997.
Uma cuidada edição que inclui 313 postais sobre Moçambique datados entre 1895 e 1975. Excelente trabalho, tal como as outras obras de semelhante teor que este autor vem publicando.

Como era Lourenço Marques há 50 anos , memórias do colono José Correia da Veiga pela mão do jornalista A. Rosado (1949). Fotos de Louis Hilly, Lazarus, e do dr. Ângelo Ferreira
O início da cidade colonial, um retrato da sociedade à época. E aí presente a iconografia da conquista. Eis um grupo de cidadãos integrantes de uma "legião estrangeira defensores da cidade contra o Gungunhanha". Nele pontifica o fotógrafo Louis Hilly (1º à esquerda), presumo que a foto seja um auto-retrato encenado, ou gostaria que assim fosse.
Daí que aqui fica pois os fotógrafos, tal como os vencidos, quase nunca são (re)vistos.

