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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Patético, entenda-se comovente. Após anunciar o seu abandono eis o homem de novo. Nem um dia depois. Agora, bem disposto, a partilhar as suas memórias, sobre riquexós, sobre Moçambique e alhures, sobre tempos que passaram e que lhe foram, nitidamente, agradáveis. Como se este lhe fosse, afinal, um sítio aprazível para conversar e debater.
"Inácio de Loyola", "Inácio Ma' Conde", "J. Silva", "Dino" (este nome assumido desde que o Eduardo White cá veio, uma piscadela de olho para se afirmar de um qualquer meio, conhecedor até do carinhoso diminutivo do poeta), IP 81.84.140.19, é óbvio que não é o que você (ou vocês, que isso é decerto muito fragmento a partilhar um mesmo) diz que desagrada, não é o se vem em dia bom ou mau, participação, complemento ou crítica.
O que me desagrada é o facto de não ter eu paciência para o aturar, esta minha impaciência irredutível. Não é bem-vindo. Daí que ficam os comentários do fim-de-semana para os hipotéticos leitores conhecerem o bicho. A partir daqui apago, sem ler sequer.
Não vou fumigar a casa, não haverá estratégia de extermínio. Abrirei o blog e usarei, até cansado, o mata-moscas. Mas sem pressas, que a rede mosquiteira da indiferença (ainda que comovida, repito) está aí.E "juro, palavra de honra, sinceramente", desejo que você, IP 81.84.140.19, seja feliz, aquilo que ainda conseguir, porque "não quero morrer assim" como se ficou você!
(Zulmiro de Carvalho, "Sulcos" (1999); 70x50 cm; Argila c/ resina acrílica [Exposição Desenho como Dizer, 1999])
Nas andanças de fim-de-semana deparei, que surpresa, ali no Centro Cultural Português, na Nyerere, com uma bela exposição sobre a Ilha, da autoria de sete artistas da Lugar do Desenho/Fundação Júlio Resende: Armando Alves, Francisco Laranjo, Júlio Resende, Manuel Casal Aguiar, Marta Resende, Victor Costa e Zulmiro de Carvalho.
Inaugurada já a 28 de Abril passado, disse-me a menina da porta que para integrar a agenda da conferência dos ministros da cultura da cplp, e por cá até ao próximo dia 15 de Maio. A ver. Depois as obras serão mostradas na Ilha, e ainda bem, é assim que deve ser, levar o fruto do trabalho ao sítio onde este nasceu é obrigação moral nem sempre cumprida.
E diante da exposição não posso deixar de recordar este episódio.
Em 1999 estava eu na Ilha e, pura coincidência, deparei-me com este grupo de artistas e seus acompanhantes, entre os quais a equipa da RTP em Maputo, os meus conhecidos Paulo Dentinho e Rui Assubuji. Tinham eles exposto em Maputo (simpáticos, logo me ofereceram o pequeno catálogo) e ali estavam para preparar uma nova exposição dedicada à Ilha, esta que longos cinco depois agora por cá aportou.
A Ilha pequena e os conhecimentos comuns foram suficientes para que me aproximasse eu do grupo, tive a honra de uma ou outra refeição comum e até o prazer de lhes poder ser útil, alguma boleia em hora mais solarenga. Gente bela, um olhar límpido, talvez necessário para quem cria observando.
Entre outras duas imagens especiais me ficaram, e que por vezes me regressam sem que eu dê conta do porquê. Mestre Júlio Resende, então com infatigáveis 82 anos, absorto, desenhando de cócoras, sob o inclemente sol. E Zulmiro de Carvalho saltando-me do carro, entusiasmado, como se reconhecesse algo querido, ao deparar-se com uma casa de pau-e-pique mal maticada, se ainda incompleta ou já decadente não lembro, essas que oferecem espantosas texturas aos passantes (e ainda mais profundas quando à luz da fogueira).
(Zulmiro de Carvalho, "Muipíti"; 40x30 cm; Fotografia preto e branco [Exposição Viagem. Ilha de Moçambique, 2004])
Não há dúvida, há momentos de conhecimento que são de reconhecimento. Sensações, se se quiser.
Gente grande, soube ainda que organizaram uma exposição no Porto de jovens artistas moçambicanos. Tive ecos, funcionaram os amigos comuns, do grande agrado destes: Gemuce, Sitoe, Kheto, Zandamela (hoje doente) e Miro, já falecido e que por isso mesmo aqui recordo.