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Ultramontanos

por jpt, em 11.05.04

Está por todo o lado: A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) pretende acabar com a existência dos chamados «blogs»...afirmou ao EXPRESSO Online Pedro Amorim, especialista em direito para as novas tecnologias da informação...«Os blogs estão cada vez mais a ter uma relação com o jornalismo, e prevê-se uma grande tendência para a difamação. O objectivo da ANACOM é acabar com a criação de "blogs" e espero que seja cumprido», disse Pedro Amorim

1. Cá por mim estou no estrangeiro, irei alojar-me noutro sítio. Aliás é interessante a noção deste "especialista", até eu que sou totalmente leigo nas "netices" me interrogo sobre a capacidade de um Estado encerrar algo na net, emigrava tudo ali para o Paulo Querido de Marrocos ou quejando. É que isto de "estrangeiro" terá que se lhe diga. Ou então o "especialista" tem outros saberes que eu não tenho, é provável.

2. Sou um bocado leigo. Não sei bem o que é a Autoridade Nacional de Comunicações. É o regulador? Então será estatal, presumo. Se é estatal, então tem tutela, presumo.

Se é estatal e tem tutela então urge a informação: estou a violar alguma lei portuguesa? Se estou que saia aviso público para que de imediato eu exporte o Ma-Schamba para onde seja este legal, não quero cometer ilegalidades.

Mas se isto tudo não é ilegal este modesto cidadão desejaria um desmentido formal do responsável dessa Autoridade. Um desmentido efectivo, ou seja um compromisso assumido da falsidade das declarações, um desmentido com implicações futuras. E logo pela manhã.

Se demorar até à hora de almoço, "por aquela hora das treze", se se engasgarem, então não quero qualquer desmentido. Qual Salomé quero mesmo uma travessa contendo a cabeça ensanguentada do responsável da tal Autoridade.

E, se assim, que dizer do ministro da tutela, que assim seria responsável político de tamanho ardil contra a liberdade de botadura? No mínimo que será indigno de ser ministro do meu país democrático.

3. Há difamação? Decerto que haverá. Mas lembro que quando surgiu um tal de "Muito Mentiroso" José Pacheco Pereira referiu, e muito bem, que qualquer polícia minimamente apetrechada deveria poder traçar o seu autor.

Há difamação? Sob nome próprio ou anonimato? Que se resolva isso tal e qual se faz nos outros meios de comunicação.

Nada disso tem a ver com o meu anseio...um "afinal não" matutino ou uma cabecinha a menos.

Exagero? Nada! Acho absolutamente espantoso que se digam barbaridades destas no meu país. Chega de ultramontanos.

publicado às 09:52

Já que me caíu da parede

por jpt, em 11.05.04

publicado às 09:50

...

por jpt, em 11.05.04

Nos blogs assim para o político há dois mais do meu agrado, aos quais não costumo faltar. Um, e estou farto de o dizer, é o Bota Acima, um sítio bem à minha esquerda, onde o Patrão exerce o corrosivo misturado com humor. O outro é o Ecletico, um sítio um bocado à minha direita, e cuja Dona tem um olhar especial sobre África (e não só), de profunda informação (e excêntrica, no sentido de externa ao mainstream lusófono), um blog muito ponderado e exigente para o leitor. Não digo que sejam os melhores blogs das praças, quem sou eu, mas são blogs onde aprendo um pouco, desperto outro tanto, e discordo também. Sítios aprazíveis. São, acima de tudo, pessoas livres a pensarem.

Visito-os quase diariamente. E neles me comporto de modo diferente, como o fazemos quando nas casas dos diferentes amigos, "a cada um como cada qual". No Eclético, entro respeitoso, bem comportado, leio com a atenção possível, raras vezes envio mensagem para não incomodar. Também a Dona é uma senhora, isso é óbvio, e há que ter a atitude correspondente.

Já no Bota Acima sou outro, rejuvenesço-me boémio e desbragado, intrometo-me, boto faladura, provoco, por vezes o homem deve querer ir-se deitar e o convidado não lhe abandona a garrafa e o sofá, a falar alto a acordar-lhe mulher e filhos, enfim, quiçá serafim lampião. Também ninguém mandou ao gajo dar-me uma medalha, agora leva comigo.

Vem isto a propósito de um comentário que deixei por lá o outro dia, assim desbragado, a propósito de um texto que...enfim, presumi bisnaga vira-bicos e que afinal não era. Mal-comportado pus-lhe isto de rajada: "maxambei o sudão por causa do sudão (1º ao 99º que tudo), maxambei o sudão a ver se se calavam com a merda do iraque, esquerdalhada ignorante somente à volta do prato fast-food do telejornal, direitada enlabuzada com o PR dos Eua como se fosse primo deles (100º que tudo). Porra, todos preocupados com "a democracia no mundo" mas sem olhar para ele mais longe do que os piolhos que têm no umbigo" . Um bocadinho pró inconveniente, confesso, o que vale é que o homem tem paciência, coitado.

Vem isto a propósito de um texto hoje posto no Abrupto, o Formas de economia da indignação. Ó JT, era isso que eu queria dizer, mas não sabia como.

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publicado às 09:48

Objectivo do Blog

por jpt, em 11.05.04
Objectivo do blog? Excelente avatar, à eterna pergunta "Qual é o objectivo do teu blog?" a excelente resposta "Obviamente, para não ter que me aturar sozinho!". Assim vistas as coisas, ser leitor deste blog é também uma espécie de baby-sitting.".

Subscrevo integralmente, apenas lamento não ser minha a prosa. Daí o roubo.

publicado às 09:47

Joaquim Agostinho

por jpt, em 11.05.04
Leio que fez ontem 20 anos! Agostinho foi meu ídolo, puto de jogar à carica, dezenas delas com as camisolas dos ciclistas, paciência de menino não há dúvida. Puto de ir comprar "A Bola" (a sagrada, a do Miranda, Farinha, Pinhão, Santos e esses, não o asco clubístico em que se veio a tornar por "razões de mercado"), ainda aquela da tinta que se soltava, para saber as suas aventuras lá pelo Tourmalet e isso, uma Bola que ninguém lá em casa alguma vez leu para além de mim. Achavam piada, era isso, um puto na primária a ler o jornal.
Agostinho, percebi-o mais tarde, ídolo de um país tão mais pequeno do que o é hoje, onde ninguém vibrará por nenhum atleta "lá fora" como se vibrou por ele, campónio feito gigante lá nas franças então tão longínquas, terra do sucesso miragem de então. Meu ídolo, ídolo de um povo que já nem há. E que, também ele, terá começado a morrer no mais pungente funeral público de que tenho memória.
Agostinho e Damas, os meus gigantes de menino morreram-se quase novos. Deixando-me um pouco só, ainda hoje.

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publicado às 09:46

Biografia de Carlos Cardoso

por jpt, em 11.05.04

Ainda que lhe falte o capítulo final, um anúncio tão antecipado, tão evidente, que será desnecessário parafrasear Gabriel Garcia Marquez.

publicado às 09:43


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