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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
O Luís Carmelo abordou no seu Miniscente um tema que me é caro (bem, para uma escrita literal seria melhor "que me é barato"): a lusofonia. Não resisti a botar pequeno comentário, que já teve complemento do dono da casa. Confesso que gostaria de por lá ler outras opiniões - nem que seja porque o assunto não é o Iraque.
E enquanto não volto à liça permito-me deixar aqui referência a um velho texto meu sobre o assunto, posto no Ma-schamba quando este era ainda mais marginal. Está aqui o Fragmentos de Lusofonia.
[Sei bem que a auto-referência é pecado de soberba. Ou será de gula...de leitores? Enfim pecado é, escolha a visita de que espécie será]
POEMA DA PERGUNTAÇÃO
Não somos todos, os envergonhados, os verdadeiros culpados?
Não somos nós, os indignados, os verdadeiros carrascos?
O que antes e agora julgamos, não foi apenas uma pequena evidência? O que nós prendemos não foi a mão obscura de uma consciência? E mesmo o que matamos, não foi tão somente uma ínfima parte da verdade?
E procuramos grades? E procuramos muros altos e seguros? E procuramos homens obtusos para que os possamos vigiar? E procuramos armas para os tornarmos intransponíveis? De nada nos valerá, de nada nos adiantará. Não há ferro, nem betão, nem servilismo nenhum que nos possam salvar da luz da verdade.
Uma mentira não tem sempre sede de liberdade? Uma mentira não é a cela da verdade? E quantas vezes a pretendemos prender? E com quantas grades a desejamos ocultar? E com quantas mãos a ameaçamos estrangular?
Não vale a pena. Desistamos. Em nenhum maciço de betão podemos esconder o que a nossa consciência sabe. Em nenhuma anedota, em nenhum boato, em nenhuma suposição, em nenhuma imparcialidade e em nenhum juiz e em nenhum desmentido nos jornais e em nenhum país. Nem de nós, nem dos outros.
Somos todos nós os verdadeiros culpados, são nossos os muros e as grandes onde escondemos a verdade. E deles ninguém se evadiu, somos todos nós os verdadeiros evadidos.
Eduardo White
(Eduardo, agradeço-te o envio. Que é dádiva. Abraço. Até já)