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por jpt, em 18.08.04
3 penadas de imbecilidade militante.

publicado às 21:26

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por jpt, em 18.08.04
3 penadas de imbecilidade militante.

publicado às 17:11

Estudar a política

por jpt, em 18.08.04

Ao longo destes meses de Ma-schamba recebi algumas mensagens notando-me excessivamente ácido, demasiado crítico no que a Portugal diz respeito. Na sua maioria foram mensagens dos amigos (por ora em férias, presumo) pré-blog.

Extra-blog vou procurando estudar política, a política local, não sou praticante de ciência política. Quando se analisam processos políticos em África, em particular quando se procuram entender as lógicas de institucionalização em sistemas democráticos e respectivos funcionamentos, logo se levantam questões sobre as concepções de Poder. Entenda-se, como as visões locais (chamem-lhes cultura se quiserem, desde que seja só para facilitar) sobre as cadeias causais e sobre as legitimidades de acção vão influenciar o comportamento dos indivíduos em contextos políticos. E como tal marca os sistemas políticos (democráticos) e as modalidades de actuação dos cidadãos e das hierarquias políticas.

Nestas matérias logo surgem aqueles que pensam a enorme distância entre sistemas sociais "ocidentais", com outras perspectivas históricas (mais uma vez chamem-lhe cultura para facilitar) sobre o exercício do Poder político, sobre as capacidades (o poder) de agir. O Ocidente, e portanto Portugal, tem outra história, outra cultura, e esse húmus facilita a institucionalização dos sistemas democráticos, de uma cidadania de pares. África, vivendo outras realidade em desenvolvimento, encerra indivíduos com outras e mais hierarquizadas noções de legitimidade de acção, de capacidade de acção, de Poder(es). [Há até sábios que torcem o nariz à existência de "indivíduos" em África]. Daí a dificuldade em instituir a democracia, uma paridade de cidadãos, dotados dos mesmos efectivos direitos políticos.

Aos meus amigos acima lembrados, e também aos outros leitores, peço-lhes que vão ler este terrível texto, e compreendam a vertigem. Porque não usar neste caso os mesmos princípios da análise (desvalorizadora) que se costumam utilizar para as interrogações sobre África?

Há imbecis que acham que esta ignorância política se deve à preguiça dos indivíduos, à sua falta de capacidade de trabalho e análise, à sua distracção relativamente aos seus direitos e deveres de cidadão [há um texto no último Público, da autoria de Maria Filomena Mónica que se poderá enquadrar nessa linha]. Pois as gentes daí aprendem imenso sobre futebol, sabem pilhas de coisas sobre merdas de coisas. Mas não sabem sobre o que é importante. Realmente importante. A culpa (e é de culpa que falo, não de responsabilidade), a culpa é dos indivíduos. Eu sou um dos imbecis que pensa assim, a culpa é das pessoas sempre prontas a embarcar no "comboio descendente", sempre prontas "a rir à gargalhada" ainda que "sem ser por nada".

Há outros imbecis que acham que a responsabilidade não é dos indivíduos. Que a sombra em que vivem é ideológica, que não há quem lhes efectivamente ensine sobre os seus direitos e deveres, quem lhes ensine realmente a utilização dos intrumentos analíticos da sociedade e da sua posição nela. Ou seja, que a cidadania não é ensinada, provocada, produzida. É uma teoria da conspiração, que imagina alguns grupos sociais interessados na manutenção de um véu sobre a maioria dos indivíduos, para que não percebam eles realmente como funcionam as coisas do social (e do económico, claro). Para que não sejam eles mais cidadãos (quanto ao melhores cidadãos isso seria outra coisa). Eu também sou desses imbecis.

Contradigo-me? Acho que não. Apenas acho que o imbróglio é tão complexo que para o compreender é preciso vê-lo de vários lados.

Temo que o imbróglio seja górdio. E que venha a ser desatado. Pois os especialistas em górdios são, como se sabe, caciques altaneiros. Nada mais.

PS. e vem a propósito. Que dizer de um país que gasta milhões e milhões para arranjar dez hectares de campos relvados, milhões e milhões para gastar meia dúzia de hectares na zona oriental de Lisboa, e não tem dinheiro para ter uma efectiva frota aérea de combate aos incêndios que há décadas devastam milhares e milhares de hectares? Que não a soma a uma prática planificada (entenda-se, politizada) e obrigatória de limpeza de matas e de penalização e rápida expropriação aos refractários? Que não o faz não por inexistência de recursos, mas porque os atribui estupidamente.

(Se o lóbi do material bombeiro fosse tão forte como o lóbi do cimento poucos fogos existiriam, mas isso é a tal teoria da conspiração).

A esse país Eça di-lo-ia "uma choldra". Eu, que sou só eu, digo-o uma foda. Rapidinha.

Adenda: visitar aqui, para ilustração parcial de tese.

publicado às 11:21


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