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Futebol e estrangeiro

por jpt, em 21.08.04

Tem toda a razão Almerindo Marques quando afirma "É preciso eliminar o lugar comum de que o futebol é serviço público".

Apenas gostaria de lembrar dois factos. Há milhões de emigrantes e de lusodescendentes que adoram ver os jogos de futebol, e que os vivem também como paliativo às constantes saudades. Durante décadas não viram os jogos, ouviram-nos. Mas de há anos a esta parte passaram a vê-los. Somos animais de hábitos e de amores. Habituámo-nos a ver, semanalmente, esses nossos amores clubísticos. Agora retiram-nos essa possibilidade. Não é isto um deficit induzido?

E uma outra questão. Por mais que custe aos téoricos e aos práticos da "lusofonia" o grande traço que vai amigando Portugal e os povos antes colonizados é o futebol. Acompanhado apaixonadamente. Semanalmente. Que me perdoe Almerindo Marques, ao que consta excelente administrador da RTP e lúcido desfutebolizador do país. Concordo, e por mais que lhe vá sentir a falta, que "dar futebol aos emigrantes" não seja "serviço público".

Mas o actualizar de mecanismos de alguma identidade e afectividade comuns com povos distantes, e cujas relações com Portugal são complexas e não tão afectivas como os "lusófonos" gostam de imaginar, é indiscutivelmente uma acção de política externa. E isso é serviço público. Indubitavelmente.

Não acredito na inexistência de possibilidades tecnológicas que permitam a transmissão dos jogos da Superliga na RTP-África e na RTP-I para o estrangeiro, impedindo a sua retransmissão no território português, assim garantindo os legítimos interesses comerciais da concorrente TVI.

Julgo que para isso bastará alguma sensibilidade para assuntos de política externa. E, já agora, algum apreço pelos emigrantes

publicado às 20:54


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