Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Por uma economia de clics.

por jpt, em 28.04.06

Nos próximos dias, por razões lúdicas e profissionais, não poderei actualizar o blog. Abaixo ficou uma enxurrada de entradas, que estavam em mais-ou-menos rascunho. Obrigado pelas visitas. Aos bloguistas de várias latitudes: zanguem-se (sim, o crescimento bloguístico em Moçambique também azeda, deve ser uma lei física. Ou informática). Zanguem-se muito.Aos bloguistas de grande espírito: Viva o Sporting! O sofrido é risonho. Falo do futuro, claro.

publicado às 21:56

Cada Um Como Cada Qual

por jpt, em 28.04.06
Um blog muito novo, é via sitemeter que o conheço, tem elo para aqui. Obrigado. Vou lá conhecer. Clico para deixar nos favoritos, é até automático, guardar morada para ir acompanhando até porque a primeira impressão é simpática [tem música mas eu tenho uma enorme vantagem, não tenho colunas, não ouço o ruído alheio]. Clico para deixar nos favoritos, dizia eu, depois colocar aqui o elo, reciprocidade também. Mas logo me aparece a caixinha (pop-up??) informando-me

copyright .. 2006 [ .... ] Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução, cedência, distribuição ou armazenamento de qualquer informação (texto, imagem e som) publicada neste site

Ambiente hostil. Nem o endereço posso guardar - teria que copiar na barra acima e passá-lo para algures (copy-paste, diz-se). Digo teria porque a vontade esmorece. Ainda desço até ao início (blog novo, já disse), para ver o que é. O primeiro post afixa cartaz, algumas notas importantes sobre os direitos de autor, informando-nos, lembrando-nos que não podemos copiar o que ali se passa. Ixe, cofre-forte, e decerto abundam por lá tesouros. Cada um como cada qual, insisto-me. Mas para quê abrir a porta se tão trancado se está? Saio. Pode ser muito interessante mas não hei-de regressar - convidarem-me para entrar e tratarem-me como um ladrãozeco? Insisto, cada um como cada qual. Serve para todos. Portanto serve para os outros e também para mim. Daí que ali não volto.

publicado às 16:10

Batuques

por jpt, em 28.04.06
Princípio de ano, turmas caloiras, coisas parece-que-básicas que se vão transmitindo. Em ambiente desprendido pergunto, a-ver-se-ficou-ou-se-continuamos-por-ali, "então diga-me lá o que entendeu por etnocentrismo". A aluna sorri, patina-se-lhe a voz, arqueiam-se-lhe as sobrancelhas, está visto, sorrio e digo-lhe, amigável, "então, embatucou?". E tranco, nunca tinha notado, foi-me necessária a coincidência para (me) entender, total condensação vocabular do tal etnocentrismo - para exemplo nunca me poderia ter lembrado de melhor. "Em-batucar", mente trancada da gente dos batuques. Armadilha? Rimo-nos todos.

publicado às 16:08

As Raças em Moçambique

por jpt, em 28.04.06
A última edição do jornal Zambeze é um exemplar a guardar, um manancial de informações, de explícitos muito para além do sub-texto recorrente nestas questões, sobre as tensões existentes em Moçambique entre grupos sociais: os textos de diferente teor sobre "monhés" e "bantus", a propósito de uma campanha partidária de angariação de fundos, a polémica sobre as ligações de moçambicanos de diferente origem ao Portugal colonial. São algo de não essencialista, linguagem de outros conflitos? São, com toda a certeza. Mas são categorias omnipresentes. Por isso interessantes. Repito, jornal a guardar.

publicado às 15:38

A Dívida do Sporting

por jpt, em 28.04.06

Até hoje sempre pensei que se estivesse em Lisboa votaria. Mas com declarações deste tipo Soares Franco descredibiliza-se, totalmente: "há dez anos herdámos um Sporting de tanga"? E nestes dez anos o que aconteceu para se chegar onde se chegou? 277 milhões de euros de deficit e a culpa é da "pesada herança"? Do gonçalvismo? Do fascismo?

Não adivinho nenhuma alternativa. Mas com uma demagogia destas de quem está no poder no Sporting há mais de dez anos (o "projecto Roquette"), escamoteando um óbvio falhanço, porventura suicidário, não adivinho grande futuro. O Sporting está à beira do abismo. Declarações destas demonstram quem quer dar o passo em frente.

Não há dúvidas, o peso dos homens na história é decisivo. Aquilo que o Senhor João Rocha construíu (e há ignorantes que ainda vêm acusá-lo por um jogador de futebol que mudou de clube) foi absolutamente dissipado. A minha homenagem a esse grande nosso Presidente. A minha saudade. E a minha angústia.

publicado às 15:36

George Orwell sobre o Nacionalismo

por jpt, em 28.04.06
"Political or military commentators, like astrologers, can survive almost any mistake, because they more devoted followers do not look to them for an appraisal of the facts but for the stimulation of nationalistic loyalties. And aesthetic judgements, especially literary judgements, are often corrupted in the same way as political ones."


[George Orwell, "Notes on nationalism", In Defence of English Cooking, Penguin Books, 2005, p. 12]

publicado às 08:57

Maputografia

por jpt, em 28.04.06
[António Sopa, Bartolomeu Rungo, Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade, Centro de Estudos Brasileiros, 2006, 56 pps.]

Surpresa, a edição deste interessantíssimo livro (a muito contrastar com o habitual desprendimento de um dos autores num "tenho aqui um "folheto" para si"!!!) que julgo ainda não distribuído. O livro é fruto do trabalho realizado no ano passado, então destinado às exposições "Xilunguine, as origens da cidade" e "Percurso histórico da cidade de Maputo". Vasta iconografia, percorrendo as origens da povoação, passando pelo seu traçar colonial, até, e aqui muito se saúda, ao desenvolvimento do além-cimento. A cidade mesmo, sem os espartilhos conceptuais de outras abordagens iconográficas.

(c. 1880)

(1960-1970)


(1996)

publicado às 08:50

Dumba-Nengue

por jpt, em 28.04.06

Tags:

publicado às 08:22

As traduções e o latim

por jpt, em 28.04.06

[John Locke, Carta Sobre a Tolerância, Edições 70, 1996, (tradução de João da Silva Gama, revista por Artur Morão)]

É óptima a existência destas edições populares dos clássicos. São relativamente baratas, acessíveis à compra (encontram-se, são distribuídas). E assim permitem aos populares ler tamanhas palavras. E, mais do que tudo, recomendarem-nas, emprestarem-nas, recortarem-nas e assim passá-las aos populares mais novos. Têm defeitos nas notas de rodapé? Referências bibliográficas incompletas? Notações exóticas? Citações incompletas? Revisões parece-que-inexistentes? Terão, mas é por isso que são populares. Letra pequenina e lombada frágil? Sim, mas são populares.

O que me irrita são as não-traduções. Não é a primeira vez que aqui venho com latinices semelhantes. Não consigo entender a inexistência de tradução (que seja entre parêntesis, que seja em rodapé, até mesmo no fim do livro) das citações em latim. Durante muito tempo pensei que fosse sinal de distinção. Género quem aqui vem (o aqui são as ilustres colecções) tem que saber latim (e alemão, também sofre do mesmo mal). Pensei assim bastante tempo, chapéu na mão, respeitoso e humilde diante do saber de quem edita ou traduz tão grandes pensadores. Ainda que paradoxo, então as colecções populares não serão para nós, populares? Já letrados no hoje-em-dia do progresso mas não em latim (ou, repito, em alemão)? Mas enfim, de paradoxos está o mundo cheio. Ainda assim isto irrita-me, e cada vez mais.

Como mero exemplo, nesta "Carta Sobre a Tolerância" as duas siglas, bem significantes, que integraram a edição original, anónima, surgem

pelo menos 3 vezes, nas introduções e no texto. Em nenhuma delas são traduzidas, tal como várias outras citações. Porquê? Nós, populares, não podemos saber o conteúdo exacto e total do livro? Há dimensões que serão só para iniciados?

Repito, isto é mania geral, não apenas neste livro. Tradutores altaneiros? Editores elitistas? Vice-versa?

Talvez não. Pois estas são traduções de edições traduzidas. E quando nessas edições base (normalmente em francês) algum excerto em latim foi traduzido também aqui o surge em português. Portanto a imperscrutabilidade do latim não é um dogma (aliás neste caso está-se a traduzir um original latim, mas enfim). E na única tradução do latim para português (ainda que mediado pela tal tradução francesa, ainda assim) em todo o livro o jeito é este:

"Não tinha ele tomado como divisa o pensamento atribuído a Santo Agostinho: In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas" (na necessária unidade, na dúvida liberdade, em todas as coisas caridade)" [meu sublinhado]. [versão wikipedia, para quem tiver curiosidade]

Confirme-se. É um pequeno erro (ainda que invalide uma ideia). Até pode ser de revisão. Mas denota bem, o restante latim deste(s) livro(s) não é traduzido porque é desconhecido. E não se solicita trabalho complementar. O latim a seco não é sinal de distinção. Afinal somos todos populares, posso entrar. E ponho o chapéu na cabeça.

Mas e os mais-novos, como lhes traduzir as latinices avulsas? E, principalmente, como não os deixar assustar diantes dos excertos (quase)incompreensíveis?

publicado às 01:57


Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos