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Noel Langa

por jpt, em 05.05.06



Uma individual de Noel Langa no Centro de Estudos Brasileiros, inaugurada ontem.Fotografias de "O Sol, a Lua e o Arco-Íris" e "O Ninho" (em ambos os casos acrílico sobre tela).

publicado às 23:25

Centro de Estudos Brasileiros

por jpt, em 05.05.06

Ontem uma novidade (para mim). O Centro de Estudos Brasileiros (CEB) foi durante a década de 90 um importante centro da vida cultural em Maputo. Desde então tem vindo a decair, fundamentalmente desde a saída da excelente directora que foi a Fernanda Verissimo, julgo que em 1999. Porque a cidade mudou, com novos pólos, decerto. Também por falta de fundos (que atrapalham todas as instituições culturais estrangeiras aqui). Mas não só, era notória e comentada alguma falta de dinâmica própria, um adormecimento. Agora a representação diplomática brasileira decidiu, e penso que muito bem, contratar um moçambicano para gerir o Centro. A escolha foi feliz, saúdo-a e não estou sozinho nesta saudação: Raul Calane da Silva, ficcionista, poeta, ensaísta, professor, ex-jornalista, homem de cultura e da cidade. Amante das coisas, acima de tudo.A animação já se nota, ontem com uma boa mostra do percurso e universo do Noel Langa. Na semana anterior com uma excelente sessão de apresentação do Maputo - Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade. Vamos ver, acho que a cidade (re)ganhou um espaço.Um conselho, Calane: usa a net, usa a net.

publicado às 23:21



[João Paulo Borges Coelho, Crónica da Rua 513.2, Ndjira, 2006]

Já aí está, em surdina nas livrarias*, o novo livro de João Paulo Borges Coelho. A ser cerimoniado lá para meados do mês mas já à venda. Em Portugal a edição Caminho será lançada hoje e para a semana (cidades diferentes). Uma crónica de rua, esta microcosmos do país desde a partida dos portugueses aos dias de hoje. Uma rua "entre o mar e o mato" (seria um belo nome, acho eu) onde se vão cruzando velhos e novos habitantes, um rosário de personagens a mostrarem o país que se foi fazendo. Vivendo, sempre, com o passado ao lado.

*Nota: O mercado livreiro aqui é pequeno, as edições curtas. Mas confesso que me surpreendem as práticas de venda dos livros. JPBC ganhou o prémio José Craveirinha de Literatura, O prémio literário moçambicano atribuído pela Associação de Escritores Moçambicanos e pela Hidroeléctrica de Cahora-Bassa. Foi-lhe atribuído pelo livro "As Visitas do Doutor Valdez". Quem lê o que vai saindo não se terá surpreendido com a atribuição. O prémio foi atribuído e o livro estava esgotado. Assim continua. A editora não edita, os livreiros não encomendam. Os livreiros nem uma fotocópia do jornal com a notícia colocam junto aos livros existentes do autor. Nem sequer o realçam nos escaparates (tipo "O vencedor do prémio ..."). Perde visibilidade o autor e os seus livros. Perde visibilidade o prémio e a Associação de Escritores que o organiza. Perde visibilidade o mecenas HCB. Perdem os livreiros que não despacham os armazéns (nem que sejam 20 ou 30 livros, isso seria 5% da edição local). Perdem os editores que idem.

Para o ano outro prémio, muito provavelmente, diz quem lê o que vai saindo, para Ungulani Ba Ka Khosa - ou para outro qualquer escritor. Vão livreiros e editores continuar a "dormir na forma"? E a dizer que se vende pouco? Eu já nem falo de livros, mas se fosse o mecenas muito me irritaria. Ou pelo menos perguntar-me-ia "para quê"?

publicado às 08:45


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