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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

Juan Rulfo, A Planície em Chamas, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2003 (tradução de Ana Santos)
"San Gabriel sai do nevoeiro húmido de orvalho. As nuvens da noite dormiram sobre o povoado procurando o calor das gentes. Agora está para sair o sol e a névoa levanta-se devagar, enrolando o seu lençol, deixando fios brancos em cima dos telhados. Um vapor cinzento, apenas visível, sobe das árvores e da terra molhada atraído pelas nuvens; mas desvanece-se de seguida. E atrás dele aparece o fumo negro das cozinhas, cheiroso a azinheira queimada, cobrindo o céu de cinzas.Lá longe os outeiros estão ainda em sombras.Uma andorinha cruzou as ruas e depois ouve-se o primeiro toque da alvorada.As luzes apagaram-se. Então uma mancha como de terra envolve o povoado, que continua a ressonar um pouco mais, adormecido nas cores do amanhecer." ("Na Madrugada", p. 43)"Dali encaminhámo-nos para San Pedro. Deitámos-lhe fogo e depois dirigimo-nos rumo ao Petacal. Era a época em que o milho já estava quase a beliscar-se e os milheirais viam-se secos e dobrados pelos vendavais que sopram nessa altura sobre o Llano. Por isso era tão bonito ver caminhar o fogo nos potreiros; ver transformado numa pura brasa quase todo o Llano, uma fogueira imensa, com o fumo ondulando por cima; e aquele fumo cheirava a carriço e a mel, porque o lume tinha chegado também aos caniçais." ("O Llano em chamas", p. 72)"Velhas, filhas do demónio! Vi-as chegar todas juntas, em procissão. Vestidas de negro, suando como mulas sob os raios do sol. Vi-as de longe como se fosse um rebanho levantando pó. As suas caras já cinzentas de pó. Negras todas elas. Vinham pelos caminhos de Amula, cantando entre rezas, entre o calor, com os seus escapulários negros, grandalhões e ruços, sobre os quais caía em grandes gotas o suor das suas caras." ("Anacleto Morones", p. 137)Adenda: no George Cassiel um excerto de Octavio Paz sobre Juan Rulfo.

Dino Buzzati, O Deserto dos Tártaros, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2005 (tradução de Margarida Periquito)
"No fundo do seu espírito grassa até a pávida satisfação de ter evitado mudanças bruscas de vida, de poder instalar-se de novo nos seus velhos hábitos. Ilude-se, Drogo, com a ideia de uma gloriosa vingança a longo prazo, julga ter ainda uma imensidade de tempo à sua disposição e renuncia assim à luta miudinha pela vida de cada dia. Há-de chegar o dia em que será generosamente recompensado, pensa. Mas entretanto os outros antecipam-se, disputam avidamente a passagem para serem os primeiros, superam a correr Drogo sem tão-pouco lhe darem atenção, deixando-o para trás. Ele vê-os desaparecer ao fundo, perplexo, assaltado por dúvidas insólitas: e se de facto estivesse enganado? Se não fosse mais do que um homem comum a quem, por direito, cabe apenas um destino medíocre?" (167)
"O tempo entretanto passava a correr, a sua batida silenciosa marca, cada vez mais apressada, o ritmo da sua vida; não é possível parar nem por um instante, nem sequer para olhar para trás. "Pára, pára!", apetece-nos gritar, mas percebemos que é inútil. Tudo se afasta a correr: os homens, as estações, as nuvens; de nada serve agarrarmo-nos às pedras, resistir sobre um recife; os dedos exaustos abrem-se, os braços pendem inertes, e voltaremos a ser arrastados pelo rio, que parece lento nunca se detém." (193)
"E assim Drogo sobe uma vez mais o vale da Fortaleza, e tem menos quinze anos para viver. Infelizmente não se sente muito mudado, o tempo passou tão velozmente que o espírito não chegou a envelhecer. E conquanto a inquietação obscura das horas que se escoam seja cada vez maior, Drogo porfia na ilusão de que o importante ainda está para vir. Aguarda impacienta a sua hora, que nunca chegou, sem pensar que o futuro se reduziu drasticamente; já não é como antigamente, em que o tempo vindouro podia parecer-lhe um período imenso, uma riqueza inesgotável que se podia esbanjar sem correr riscos." (199)
Dois tomos, em fase inicial (e prometem):
"Na circunstância, isso significa que o "discurso crítico" que caracterizamos como intervenção intelectual pública, na Europa dos séculos XVI a XIX, em defesa da instituição social de um conjunto de liberdades modernas é o mesmo "discurso crítico" que veremos desenvolver-se em Portugal ao longo do século XX. Mas se a função social deste tipo de intervenção foi a mesma na Europa dos séculos XVI a XIX e no Portugal do século XX, isso não deve ser motivo para fantasiar identificações entre autores de tempos e contextos tão diversos. Tal como neste trabalho não se "antecipa" o século XX português, também .... não se fala em nenhum "Montaigne português" ou num qualquer "nosso Espinosa". ... "Portugal Extemporâneo" significa que Portugal permaneceu fora do processo de modernização da Europa Ocidental quando este decorreu (e nestas páginas se verá como para Montesquieu e Wollstonecraft, entre tantos outros, esse barbarismo foi notado) e só fez o seu próprio e isolado caminho tardio para a modernidade no século XX. Se a transformação cultural é funcionalmente equivalente, tratando-se de uma mudança sobretudo de praxis e não apenas de mentalidades, isso não é motivo para confusões vagas. Só identificando, pelo estudo do discurso crítico, o que foi a Modernidade europeia se pode compreender, pelo estudo do discurso crítico, o que é a modernização contemporânea de Portugal." [itálicos do autor]
Carlos Leone, Portugal Extemporâneo, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, pp. 14-15

António Cabrita, As Cinzas de Maria Callas, Lisboa, Teorema, 1997
A estes contos (?) apetece-me chamar-lhe romance de formação, um homem a lembrar-se de um miúdo ali ao Cristo-Rei em construção (Pragal?), um vago quasi-primo em terras de Moçambique, coisas da então guerra e de algumas novas que esse enviou, tias e "tias", putos e isso a fazerem-se homens, ainda que espantados. Um bocado amolerado, parece-me, ainda que a esse tenha lido há quase trinta anos - ou seja, se calhar não. Bom de bola, perdão, bom de paleio:"As palavras avaliam-nos pelas peúgas que lhes pomos, estão sempre a medir, a comparar. Nem sempre é justo mas é assim, vive a fraqueza de uns para a impiedade dos outros. Sim: as pessoas não passam de muco viscoso para as palavras, que ocupam a vida a desembaraçar-se de nós - e quando não o conseguem, divertem-se. ...Qual é a tarefa delas? Os inocentes, julgam-se uma espécie de guarda-chuva para as palavras e que as utilizam sem pagar o preço. Como se bastasse massajá-las! Não dão hipóteses. Já leu o Gulliver? Para mim a chave do livro está naquele povo que vive em "ilhas voadoras" e num estado de alarme permanente, por causa dos perigos que podem vir dos corpos celestes. As "ilhas voadoras" são as cabeças múltiplas da hidra que cada palavra é." (48-50)Depois: duas coisas, de pormenor uma. O César Brito não jogava no 25 de Abril de 1974. E a outra, o posfácio, se poderá ter a ver com a "psicologia" da obra, não tem muito com a "economia" da obra, como agora se diz. Mas são opções, pronto.

Ernst Kantorowicz, Mourir pour la Patrie et autres textes, Presses Universitaires de France, 1984
"Dulce et decorum est pro patri mori" (Horácio).(Morrer pela pátria é doce [maravilhoso?] e digno)
Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000
II"A hesitação coloca-se ao nível da experiência. É ela que constitui o mais importante do material, do capital acumulado. Mas ela, a experiência, constitui-se a partir das referências. As do mundo e do tempo anteriores. E é a esse mundo anterior que a ordem das coisas, e da própria experiência, me impõe dar testemunho. Não viesse eu de fora e a experiência seria a da existência comum, não se revelaria como experiência, nem se revelaria sequer, estaria integrada na existência. E, assim, se me sentisse impelido a dar testemunho de alguma experiência, tratar-se-ia daquela que, fora dessa existência, me tivesse sido dado acometer. A experiência, assim, só faz sentido quando referida, à partida e à chegada, ao que lhe é exterior. Sem o antes não poderia ter tido lugar, sem o depois perderia o sentido. E a contradição maior reside no seguinte: tratando-se de uma experiência total, o seu saldo efectivo estaria em dar-lhe continuidade. E ela assim deixaria de o ser, transformar-se-ia em rotina, existência."
coisas que só se revelama quem não é do lugarporém exigem estaraté sentir com elaso tempo do lugarque não se dá a lersó de as olhare nem a quemfaz parte do lugarpartir de novo entãopara captarda mesma forma e algureso tempo que a haversó noutro lugar
Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000II"A hesitação coloca-se ao nível da experiência. É ela que constitui o mais importante do material, do capital acumulado. Mas ela, a experiência, constitui-se a partir das referências. As do mundo e do tempo anteriores. E é a esse mundo anterior que a ordem das coisas, e da própria experiência, me impõe dar testemunho. Não viesse eu de fora e a experiência seria a da existência comum, não se revelaria como experiência, nem se revelaria sequer, estaria integrada na existência. E, assim, se me sentisse impelido a dar testemunho de alguma experiência, tratar-se-ia daquela que, fora dessa existência, me tivesse sido dado acometer. A experiência, assim, só faz sentido quando referida, à partida e à chegada, ao que lhe é exterior. Sem o antes não poderia ter tido lugar, sem o depois perderia o sentido. E a contradição maior reside no seguinte: tratando-se de uma experiência total, o seu saldo efectivo estaria em dar-lhe continuidade. E ela assim deixaria de o ser, transformar-se-ia em rotina, existência.coisas que só se revelama quem não é do lugarporém exigem estaraté sentir com elaso tempo do lugarque não se dá a lersó de as olhare nem a quemfaz parte do lugarpartir de novo entãopara captarda mesma forma e algureso tempo que a haversó noutro lugar"
Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000"Ontem à tarde ocorreu uma configuração na paisagem de que nunca mais me vou esquecer. Todo este tempo tem sido de chuva e fui aferindo daqui, todas as tardes, os caminhos da água que inexoravelmente nos iam envolvendo umas vezes pelo sul e depois a rodar para leste, outras pelo norte, uma massa pesada e compacta de céu muito escuro que de oriente se estendia até muito longe, uma barreira azul-cobalto por detrás das nuvens mais próximas e das suas bordaduras, dos seus debruns, brancos e explosivos. Só longínquo ocidente preservava uma faixa de céu limpo, que o sol atingiu quando ia a pôr-se e de onde irrompeu então essa luz verde, rasante e limpíssima, que acontece às vezes e incandesce mais do que ilumina. As superfícies brancas da lona da tenda e da chapa do jipe, o ocre do chão, as ramas dos mutiatis, as pedras e as roupas do Paulino e do sobrinho, tudo irradiava uma espantosa luminosidade autónoma. De costas para o ocidente, era o espectáculo destas fontes de inverosímil luz contra a barreira de chuva a leste, painel total. A envolver o acampamento todo, o jipe dum lado, a tenda do outro, duas árvores no meio e entre e para além delas as pedras que nos servem de cozinha e as pessoas nelas, havia não apenas um, mas dois arcos-íris, altos no céu, concêntricos e assentes no perfil do verde da mata próxima. E tudo exactamente no centro dos dois arcos. Uma coisa assim perfeita, concertada, determinada, irreal, e tão completamente ordenada em função daquele local, eclodia perfeita qual aparição e seria puro vício de prevenção não lhe conferir um estatuto de sinal. Mas era como numa gravura abusiva e kitsch, inverosímil e quase obscena pela artificialidade da composição e pelo excesso impudico da cor." (182-183)
Ruy Duarte de Carvalho, Como Se o Mundo Não Tivesse Leste, Lisboa, Cotovia, 2003"Um homem não deixa nunca sem mágoa um espaço que inventou e o inventou, uma nação que urdiu para si por escolha e amor ao chão." (43)"Já vive no mundo que não se distingue. Se é vivo, se é morto, se é Deus, se é palavra, se é gesto, se é alma, não lhe dá cuidado. É o mundo, e se é mundo progride em silêncio, porque é o silêncio que governa tudo." (156)
Ruy Duarte de Carvalho, Vou Lá Visitar Pastores, Lisboa, Cotovia, 1999"Quererás tu, ou poderá interessar-te, ou ajudar-te, saber o que ando eu próprio para aqui a fazer; investido há mais de cinco anos num projecto que ninguém me encomendou e a tentar por todos os meios torná-lo socialmente rentável sem perder no entanto de vista que se trata de facto de um projecto pessoal que em plena consciência me atrevo a manter e a sustentar apenas porque através dele não descuro, antes reforço, as obrigações e actuações que entendo inerentes ao meu lugar cívico, sem prejuízo, antes com benefício, para a comunidade em que ocupo o lugar de cidadão em condições de agir segundo os seus próprios recursos e instrumentos?" (101)
Ruy Duarte de Carvalho, Observação Directa, Lisboa, Cotovia, 2000//andou anos a dizer que a uma paisagem, para tê-la,só podendo partilhá-la, até que aprendou a partilharcom a própria paisagema amarelidade, em si, do amarelo dela.
Ruy Duarte de Carvalho, Actas da Maianga, Lisboa, Cotovia, 2003"Proclama-se pois a determinação de repor um passado, de reabilitar uma "cultura" nossa, e investe-se em conformidade, mas o que se "repõe" não corresponde afinal a passado nenhum nem a qualquer presente que não seja o da representação que um certo presente faz daquilo que hoje lhe ocorre poder ser um passado adequado às estratégias que o presente lhe dita. O equívoco, assim, proposto como testemunho." (233)
Ruy Duarte de Carvalho, Aviso à Navegação, Luanda, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1997"Nunca me ocorreu falar em nome fosse de quem fosse e pessoalmente ponho séria e constantemente em dúvida a fundamentação de qualquer filosofia, modo ou dispositivo de representatividade. Mas do ponto de vista da minha actuação cívica, e aqui não é o antropólogo que se manifesta mas o cidadão angolano, só posso justificar-me, perante as populações e perante mim mesmo, se continuar a trabalhar para que a "sociedade global" tenha em conta a diversidade dos interesses e das lógicas que a nossa realidade comporta e se aperceba de que, por exemplo, numa era em que tanto se fala de direitos humanos, não cabe certamente num tal espírito de cruzada o sacrifício do direito de certas populações preservarem a capacidade de se resolverem quando os processos donde emanam os discursos sobre os direitos do homem conduzem à desestruturação e à destruição totais." (134-135)

Pedro Juan Gutiérrez, Carne de Cão, Lisboa, D. Quixote, 2005 (tradução Jorge Fallorca)
Rum e Sexo. Muito de ambos. O protagonista (alter ego?) instalou uma pérola na glande, para potenciar a potência. É esta pérola o único adorno visível (?) numa escrita despojada - lembrando os ancestrais neste tipo. Nunca tinha lido este Gutiérrez, histórias (como se contos, como se episódios) com garra ainda que a darem a sensação que chegadas depois de muitos outros livros já havidos. Entenda-se, a rapar o tacho. Mas saborosas. Se calhar por isso.Um fatalismo um bocado blasé: "Não sabem que a sorte é de quem a encontra e não de quem a procura." (95)Ensaio sociopolítico sobre a Cuba local: "Recordo aquela época aborrecida, há quinze anos. Do meu apartamento, no quarto andar, só se via uma serração e outros edifícios, todos idênticos. Nunca se passava nada, éramos todos bons e correctos, obedientes e disciplinados. Agora é o contrário: somos todos maus e incorrectos. As mulheres, ao ataque, as pessoas cínicas e perversas. Todos desesperados numa correria louca e desenfreada atrás do dólar nosso de cada dia. É preciso avançar seja como for e deixar a merda para trás. Está bem. Gosto. Pelo menos não é aborrecido. E as pessoas tiraram a máscara. Nada de aparências. Agora é a época do caos e da vertigem. Garras e presas, à beira do precipício." (147-148)
"Centuries ago", the priest concluded, "the Italians learned that there is only one life, and they try to live it the best they can. This has made them calculating and talkative, but it has also cured them from cruelty." (12)
Gabriel Garcia Márquez, Seventeen Poisoned Englishmen, Penguin Books, 2005 [Seventeen Poisoned Englishmen, I Only Came to Use the Phone, The Woman Who Came at Six O'Clock, Light is Like Water]

"O primeiro fundamentalismo, o "original", que se desenvolveu no seio do protestantismo americano, centrou-se num livro - a Bíblia - como encarnação da visão primitiva, original, como guia para a reconstrução do mundo. Mas nem sempre ... se procurou num livro essa encarnação. Além do protestantismo, foi provavelmente também, em grande medida, o caso do Islão. Em ambos os casos o livro - visto como fonte directa da autoridade suprema - não passava pela mediação de instituições como a Igreja ou o papa, sendo, por isso mesmo, acessível a todos os crentes." (56)
"... a comparação entre o protestantismo e a o catolicismo é de grande interesse. Não é por acaso que no seio do protestantismo, de um protestantismo de cariz essencialmente sectário, que o fundamentalismo desenvolveu algumas das suas formas mais cristalizadas - ao passo que esses desenvolvimentos foram sempre muito mais ténues no catolicismo - já que a sua plena cristalização sempre se viu contrariada pelas funções mediadoras do papa e da Igreja, bem como pela capacidade do catolicismo para confinar, por assim dizer, as tendências fundamentalistas através da criação de várias ordens diferentes." (57).
"Amo o rio. Amei-o sempre, desde a infância, o rio da minha infância e o rio de hoje, tão distante, porque era a visão do rio que me situava no mundo, no meu pequeno mundo, logo de manhã se abria a janela do quarto e aspirava o finíssimo aroma da madressilva e, também, de uma tília que teria de ser, necessariamente, frondosa, como todas as tílias que acompanham a nossa vida desde os primeiros anos até muito depois, quando as recordações são doces e ternas, porque vamos eliminando aquilo que, à força de nos magoar, aparece como uma incarnação do mal"
"Foi na aldeia, na da minha infância e igualmente na de hoje, exilado que sou, buscando a mesma cal das paredes e o mesmo sinal das rolas entre as oliveiras, que aprendi que não há uma mas várias vidas e que a cada um cabe experimentar a alegria e também a tristeza de saber que assim é, apesar da nossa vontade, que é aquilo que, normalmente, mas cedo se abandona."
Francisco José Viegas (texto), Maurício Abreu (fotografia), José Teófilo Duarte (projecto gráfico), O Ar, a Terra, a Água. O Voo dos Anjos. Um Cântico Votivo, Região de Turismo de Setúbal, 1996Legenda das Fotografias: "O Sado"; "Santa Susana".