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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
[Hermínio Martins, Classe, Status e Poder, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 1998]"A partir de 1928, os princípios do equilíbrio do orçamento e da estabilidade monetária foram considerados pelo regime segundo imperativos categóricos. A ortodoxia das finanças públicas, sob a forma dos equilíbrios do orçamento, foi inserida na Constituição (exemplo seguido pela Constituição brasileira após o golpe militar de 1964). Objectivos prosaicos do género da estabilidade monetária e dos preços, uma moeda forte e estável, o equilíbrio permanente do orçamento, na propaganda interna e internacional do regime, transformaram-se em títulos carismáticos do chefe e em características peculiares do regime. Opções económicas como estas operaram em direcção à rigidez, diminuíram a liberdade de manobra do regime e, na prática, tornaram necessária a lentidão e a graduação próprias dos seus ritmos e estilos de desenvolvimento. Mas, no que respeita às relações internacionais, elas foram para o regime quase uma vantagem pura e simples, pois minimizaram a evidência das suas tensões internas e ocultaram a relativa lentidão do seu desenvolvimento económico."