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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

[Bracelete Kula, ilha Nabwageta, Papua Nova Guiné; Fotografia de Mila Zinkova]
É uma regularidade a aparição dos "prémios" entre-bloguistas, correntes que aumentam quando se aproxima o final do ano, tipo blogo-rescaldos. No ma-schamba até temos a categoria "correntes" que - não sendo exaustiva - dá conta de um conjunto alargado de "piscares de olhos" havidos ao longo dos tempos. Se é bom a gente escrever em blogs e ler blogs também é bom avisar "gosto do seu blog"/"gosto daquele blog" ("vão lá ver") - em tempos "organizei" o Gandula 2004 e o Gandula 2005.
Com o correr dos anos torna-se óbvio que isto é um Kula bloguístico, uma ritualização das alianças, uma simbolização dos apreços, um anichar de interrelações, de entre-leituras. E em alguns núcleos, mais político-lisboetas, ensaiando a hierarquização estatutária. Faz parte. Sobre este kula bloguístico deixei há anos que "As correntes entre-blogs são uma forma de convívio, daí que se justifiquem. Há as mais interessantes e as menos.".
Agora o hmbf tem a gentileza de me atribuir o "Prémio Dardos", uma das correntes menos interessantes. Não por causa do próprio hmbf, dono de um belíssimo blog, homem com mau-feitio e sportinguista. Mas pela discursata que acompanha as menções:

O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Não basta dizer que se gosta de ler (ou ver) fulano ou sicrana? É necessário este folclore?
A lógica é premiar com "Dardos" outros 10 bloguistas. Quebro a corrente - dei uma vista de olhos pelos prémios, estão os dardos anteriores cheios de capelinhas políticas, vêm já estragados. Honestamente posso reconhecer "trabalho" (e mesmo muito) na mole de bloguistas socialistas que já se entre-nomearam. Mas "ética"? "Valores" também reconheço, mas dos mais prostituídos que se encontram no bazar.
Em suma, faço as minhas navegações de Kula. O meu colar mais precioso é para a AL, o grande bracelete é para o ABM (nesta época a todo o gás no seu The Delagoa Bay Company). Tenho o baú cheio de vaigua'a que pertenceram a gente grande, guardados para o PSB, o MVF, a MJA e o FF. Depois leio vários blogs. Porque gosto, não porque defendem "valores" "produtivos" "para a Web", através do seu "trabalho" - que piroseira.
jpt
Lembro o que deixei abaixo: era urgente acabar com isto, apesar dos "especialistas" da política. Agora leio a capa do Expresso: Luís Amado apela à coligação (a um novo governo). Costa a um novo líder do partido. Ana Gomes a um novo ministro das finanças. [Rui Tavares, no exercício de populismo anti-parlamentar de matriz totalitária, dá bolsas de estudo]. Sim, são os "notáveis" a posicionarem-se para o futuro. É significante. Apesar destes contorcionismos inadjectiváveis "isto" acabou, apenas subsiste em estertores. O que vem a seguir não será fantástico. A festa não se justifica. Mas o alívio é grande. Resta não esquecer os vis que "isto" fizeram. E ostracizá-los. Vão querer reaparecer, exercer. E não são gente de bem. Nenhum deles o é.
jpt
Ler o hmbf sobre o homem do adeus e sobre uma Lisboa em camisa que subsiste (aqui abaixo também). Num contexto onde os pobres (populares) e loucos são sempre "homem" e reduzidos ao nome próprio, a forma como este pobre velho demente rico é elevado a "Senhor" ("do Adeus") e lhe respeitam excepcionalmente o direito ao apelido, é cruamente denotativa de uma pequenez preconceituosa lisboeta. Como abaixo me referem tudo isto habita bem no âmago (facebookesco, bloguístico, jornalístico) da esquerda que ri - não só, mas também. Afinal tão tão tão reaccionariazinha nestas pequenas coisas. Apalhaçada sem humor.
jpt
No meio da insónia abro o Google e encontro-me no mundo de Stevenson, o seu 160º aniversário. Muito livro lido. Mas mais do que tudo, quem nunca foi Jim Hawkins? Vou à estante. Para ser, agora, na alvorada do ocaso, Long John Silver ...
jpt