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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Os Prémios Kula são braceletes e colares. Sabe-se que "exercem uma acção profunda sobre a vida dos bloguistas ... os quais têm consciência da sua importância, pois as suas ideias, ambições, desejos e vaidades deles dependem em larga medida". São atribuídos aos bloguistas (individuais, colectivos e comentadores residentes) de quem se gosta e/ou àqueles por quem se quer ser gostado. Dão-se no número que cada um entender. Mas devem ser entregues com bom senso, aos que se presume aceitarem os prémios e, por vezes, a quem os solicitar. E não devem ser recíprocos, uma devolução imediata será insultuosa. O fundamental: os prémios colares circulam no sentido dos ponteiros do relógio (navegando do ego/doador para a esquerda) e os prémios braceletes no sentido inverso (navegando do ego/doador para a direita).
Para aqueles que sempre reclamam objectividade e tendem a afirmar a existência de propósitos escondidos nesta actividade aqui recordo que nestes Prémios Blogo-Kula "o êxito depende muito da aparência da pessoa envolvida", como disse o antigo bloguista Reo Fortune.
[Para mais informações consultar o regulamento do concurso: sinopse e documentação completa]
Escolho os prémios seguintes, sendo que a canoa ma-schamba tem outros marinheiros, provavelmente cada um deles carregados com os seus prémios e que tal ecoarão se assim o entenderem.
[Comentador Residente]
TTE (aliás KCM) - bracelete; 1B (aliás Umbhalane Sena) - bracelete; Pedro Silveira - bracelete; Joana Lopes - bracelete; PALAVROSSAVRVS REX (da aldeia NetworkedBlogs) - bracelete; "Zé" - colar; VA - colar; Carlos Gil (CG) - colar; LL (aka Lowlander) - colar; Carlos Azevedo- colar.
[Blog Colectivo]
Mar Salgado - colar; Crítica - colar; Delito de Opinião - bracelete; De Rerum Natura- colar.
[Bloguista Individual]
Mania dos Quadradinhos - colar e bracelete (é o melhor blog em português, desde há muitos anos) PembaAtolL - colar Mãos de Moçambique - bracelete 100Nada - bracelete Montag - colar Apenas Mais Um - bracelete (levou um colar acima) Sérgio Santimano - colar Pululu - bracelete Divulgando Banda Desenhada - bracelete Da Casa Amarela - colar Respirar o Mesmo Ar [o único bruxo admitido - leva uma concha (malgré tout)] Klepsýdra - colar Beijo de Mulata - bracelete Antologia do Esquecimento - colar Ideias Soltas - bracelete Entre as Brumas da Memória - colar (levou uma bracelete acima) Forever Pemba - bracelete ABC do PPM - bracelete Estrada Poeirenta - colar Letteri Café - colar Desnorte - bracelete Portugal dos Pequeninos - bracelete Mbila - Musica de Moçambique - colar Lanterna Acesa- colar
[Prémios Kula 2010 Blogs Antepassados]
Companhia de Moçambique, Nkhululeko, Miniscente, Quase em Português, Rua da Judiaria, Ideias Críticas
[Prémio Kula 2010 Blog do Ano]
A Travessia Impossível - chefatura
Adenda 1: informam-se aqueles que, sendo bloguistas ou comentadores, quiserem receber um prémio Blogo-Kula 2010 (colar ou bracelete) podem para tal encetar conversações sobre o assunto. Privadamente via endereço electrónico ou publicamente, nesta caixa de comentários.
Adenda 2: para os menos atentos informa-se que as trocas de prendas-prémios entre os tripulantes da mesma canoa decorreram anteriormente.
jpt
(por AL de mau humor; sim, também sofro disto!)
Chegou-me hoje ao conhecimento através do Facebook um blog que fui espreitar. Depois de ler o post que lá me levou já não me apeteceu ler mais e perdi-me em reflexões sobre esta coisa do multiculturalismo. Pensei: a minha cultura, não faz ela parte do multiculturalismo? Não merece ela igual defesa que a cultura dos outros? Faz parte da minha cultura ser tolerante e solidária, mas quer isso dizer que tenho também que dar tiros nos pés? Se respeito a cultura dos outros, estarei errada quando reclamo igual respeito para a minha? Apreciar esse respeito, e exigi-lo até, faz de mim uma fascista xenófoba e racista (perdoem o pleonasmo)?
Não me interpretem mal: eu sou a favor da emigração e da mistura de povos e culturas (mesmo das diferentes “culturas” que habitam dentro da minha); gosto de ouvir os diferentes sotaques de português; gosto de provar novas comidas, conhecer músicas diferentes, saber de outras tradições e costumes. É todo um mundo de possibilidades e vivências que se abre perante mim. Enriquecem-me estes contactos. Mas o respeito para mim é uma via de dois sentidos ou então deixa de ser respeito e passa a ser uma arrogância transvestida de respeito, a qual eu não esposo; o respeito para mim pressupõe igualdade e não desequilíbrio de patamares. Bater na tecla da euro-culpa/euro-justificação (ou da americano-culpa/americano-justificação) perante os males do mundo parece-me falacioso e assentar no síndrome paternalista do bon seigneur.
O que se me afigura exactamente como a negação do multiculturalismo.
Não seria mais produtivo cultivar a tolerância e a solidariedade dentro da minha própria cultura, em vez de me arvorar em arauto defensor da cultura dos outros? Como posso pretender defender o multiculturalismo e escrever "É que eu dos Alemães espero tudo"*? Um amor que já foi meu dir-me-ia é o Zeitgeist querida. Ao que eu responderia: nanja eu!* comentário escrito pelo dono do blog, em resposta a outros comentários
Para qualquer interessado nas questões de educação é obrigatório ler Em Busca da Excelência, de Algis Valiunas, uma tradução de Desidério Murcho. Um texto que coloca em questão muito do "pedagogismo" actual.
jpt
Um dos meus fortes será talvez a memória que tenho das minhas vidas, mas em detalhes deixo muito a desejar. Quer dizer, nalguns detalhes. Cores, sabores, cheiros, sentimentos, repastos, momentos, pessoas (algumas) ficam facilmente retidos; datas, nomes, rostos tendem a esvanecer-se mais ou menos rapidamente. Lembro-me de histórias de vida sem me lembrar dos nomes de quem as viveu; recordo momentos tendo uma vaga ideia do local; retenho rostos sem nomes e nomes sem rosto. A minha memória parece um mundo de matizes alzheimerianos.Momentos embaraçosos têm sido vários ao longo da minha vida, particularmente com figuras públicas. Aqui há dois anos (não garanto o rigor do tempo) estava eu numa festa em Moçambique, muito animada num círculo de amigos em amena cavaqueira. Intrigava-me um rosto; familiar, muito familiar mesmo, mas cujo conhecimento não conseguia localizar. Acabamos por ficar os dois – eu e o familiar desconhecido – retidos num diálogo interessante. Conversa puxa conversa e eu às tantas não me contive. Falámos de cidades que ambos tínhamos visitado e concluímos que tínhamos estado os dois há relativamente pouco tempo em Nova Iorque. Pensei, é daí que o conheço de certeza. Convencida de que tinha estado com ele nalguma conferência ou seminário, pergunto-lhe frontalmente: Oh Nuno, o Nuno conhece-me não é? Conhece-me de onde? Esteve nalguma das minhas conferências, foi?, pergunto eu segura de ter finalmente localizado a familiaridade do rosto e da voz. Ao que o Nuno responde com um sorriso divertido e perante o riso já indisfarçado dos circundantes: Acho que não Ana, é mesmo a primeira vez que a vejo. Eu é que até há pouco tempo fui Ministro de.... e é portanto compreensível que a minha cara lhe seja familiar.Momentos destes tenho mais, muitos mais. Vem isto a propósito de quê? É que faz hoje um ano (e uma semana!) que me estreei no maschamba. Sabia a minha memória que tinha sido Novembro mas desconseguiu de reter o dia. Foi um ano cheio: trouxe-me um neto e uma neta; uma viagem à Índia; um amor inesquecível (e outros que não quero recordar); bolinei para sul na costa portuguesa; atravessei o estreito de Gibraltar durante uma tempestade; fiz amizades novas e estreei desafios. Foram 101 posts de vida.