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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Correndo o risco de irritar novamente o meu querido co-bloguista JPT ecoando o (ler agora em carinhoso tom irónico) calendário sacro-ateu da paranóia das causas justas em cada dia, venho hoje assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher. Embora não reze no altar das Nações Unidas, diz o seu missal que a nível mundial uma em cada três mulheres é vítima de violência ao longo da sua vida.Os dados para Portugal são igualmente assustadores; podem ser consultados aqui e dizem que cerca de seis mulheres por semana são vítimas de crimes contra a vida . Saliento que os dados nesta tabela referem-se a agressões físicas e não verbais; estivessem os berros, insultos, os “não prestas para nada”, etc, incluídos nas estatísticas e estas seriam ainda mais assustadoras.Para juntar insulto a injúria e correndo novamente o risco de me ver na ponta da ira do meu colega co-bloguista (mas que desejo pelo abismo eu tenho hoje!), deixo aqui o link a um post da Joana Vasconcelos no seu blog É tudo gente morta.Outros links que penso interessantes se quiser ler mais sobre o assunto:AMCV - Associação das Mulheres contra a ViolênciaAPAV - Associação Portuguesa de Apoio à VítimaBlog Borboletas nos Olhos["Ilha de Moçambique","Évora/Ilha de Moçambique" (8 postais; cx. com duas fotos). Fotografias de José Cabral (1997-1998); Edição da Câmara Municipal de Évora, s/d (1999?)]
Em Junho de 2004 publiquei esta entrada. Saudando o olhar do Zé Cabral. Mas também porque gosto muito da Ilha, por lá tenho estado, até trabalhado. Chateia-me a propósito da Ilha um não sei quanto de coisas, mas acima de tudo as reconstruções da história, sempre a la carte. Chateia-me imenso o saudosismo, sempre falsificador, sempre cego, ao antes, ao agora e, claro, ao que aí vem. Infecundo. E também me chateia o exotismo ignorante.
Também por isso agora abandono o excesso de subtileza. Trabalhei há uma década com o Instituto Camões e desde então não elaboro sobre o que fazem. [ ...] Mas acho absolutamente lamentável que um sítio oficial signifique Moçambique através de um fotografia (bela, e da autoria da minha querida amiga Isabel Osório) de uma mulher nos seus cuidados de higiene. Acho de uma total e radical ignorância, cultural, antropológica, como lhe quiserem chamar. É, para glosar a conhecida expressão, o boçalismo a céu aberto. Quem não percebe acha piada. Lindo (é um cliché, até). E quem percebe?
jpt
Abaixo o PCA ABM zanga-se comigo por usar da linguagem mais violenta para referir os textos que a AL cita sobre a greve portuguesa. Penso que esta é uma greve absolutamente injusta. Por um lado defende interesses corporativos, por outro é maioritariamente praticada por um conjunto de lumpen-racionalidade que ora vota em Guterres ora vota em Carvalhas, para além dos anarco-sexualistas do professor Louçã. Quem tem dedicado a sua vida de cidadão a estas concepções do real bem que pode agora vir protestar, que "guardado estava o bocado". Talvez como nunca o grevista é o culpado.
Mas a minha opinião sobre a greve nacional portuguesa pouco conta. Cerca de 85% dos potenciais grevistas fizeram greve, dizem as centrais sindicais, que são livres de dizer o que lhes apetece. E um pouco menos de 20% dos potenciais grevistas assumiram esse acto, diz o governo, que está legalmente obrigado a dizer a verdade. Como tal, abaixo do quinto de adesão, a greve geral foi um fiasco. Ponto final parágrafo. Não será muito interessante discuti-la.
Um último ponto, sobre a minha linguagem de caserna que foi criticada por ABM, ainda que eu já tenha respondido na caixa de comentários. Que um blog venha protestar contra a característica de "piquete de greve" é como outro, vale o que vale, significando isso que vale nada. Que o jornal Expresso publique uma crónica que anuncia em estridência que são os privilegiados que fazem greve é absolutamente ridículo e só demonstra uma monumental parvoíce do escriba que assina: é e sempre foi essa a característica sociológica dominante dos movimentos grevistas e sindicalistas. E que um sociólogo, funcionário público, venha dizer que o sindicalismo sofre os efeitos do "instinto de sobrevivência" dos trabalhadores é uma monumental parvoíce. Ou, e é a minha radical opinião, uma gigantesca desonestidade.
Deve um bloguista que considera não só o direito mas também o dever do insulto cercear o seu desprezo por estas fedorentas afirmações? Não. Inequivocamente não.
Isto é lixo. E o lixo se nos é posto à porta é enunciado. Afastado, praguejado, anunciado. Até porque amanhã os mesmos locutores aparecerão num outro qualquer momento, a encenarem a respectiva profundidade. Sublinhada pela concordância (distraída?) de tantos ou pela respeitosa discordância de alguns outros. Face à merda - e em particular à desonesta merda profissional que invoca "instintos" - puxa-se o autoclismo. Só.
jpt