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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

Há largos anos que sou cliente da MCel, na modalidade "contrato económico". Na qual o cliente tem direito a mudar gratuitamente de telefone a cada dois anos. Agora bloqueou-se o meu velho, e já combalido, Nokia XpressMusic. Como desde Setembro que tenho direito a um novo aparelho fui buscá-lo. Desloquei-me à loja da Baixa (25 de Setembro) onde cruzei uma multidão ali a registar os números. No balcão livre de "pré-pagos" aguardei um bom naco da manhã e lá fui atendido pelo funcionário ( veterano MCel, veio a dizer-me) Nijamo (ou Nizamo) Issufo.
Disse-lhe ao que vinha, fez-me pagar duas facturas em atraso e anunciou-me que tinha poucos modelos disponíveis. Logo avançou com o "mais disponível", por apenas 17 000 e tal meticais. Até saltei! Não sou fanático de gadgets, satisfaço-me com um vulgar aparelho, aquele do telefonema, da mensagem e - nunca esquecer - do despertador. Vá lá, uma ocasional e sempre má fotografia - que sou bloguista e às vezes há inesperados. E 17 000 meticais (300 euros) por um telefone? - e logo me lembro dos convites da "Imagem Global" para iniciativas da Nokia destinadas aos bloguistas de Maputo. Deveria eu ter ido? Talvez tivesse sobrado alguma pechincha, e bom jeito me faria agora.
Mas enquanto resmungo contra o esbanjo alheio ele mostra-me uma outra alternativa, daqueles telefones desdobráveis com maior tendência para a avaria, dizem. Que recuso, por isso mesmo. E uma terceira, um com ar simples, de humildade cristã: o Nokia 2330. Pergunto-lhe se este é "equivalente" ao meu anterior, e o funcionário diz-me que sim, deste modo me sossega. E em assim sendo logo resolvo o assunto, e retiro-me, contente de resolvido.
Chegado a casa trato de introduzir no telefone os dados arquivados no computador (contactos, mensagens, etc). Mas ... como? Se este não tem o cabo para tal? Terá vindo incompleto o telefone?, preocupo-me. Perco uma meia hora a ler o manual, que nada me diz sobre o assunto. Interrompo, enfadado. À noite regresso à questão e abro a patilha que cobre as ligações do telefone. A segunda vez que a abro parte-se ... Nem quero acreditar. Decido que terei que voltar à loja. Para mais recebi alguns telefonemas e o som do aparelho é francamente mau.
Na manhã seguinte regresso ao convívio do senhor Nij[z]amo Issufo. De novo uma longa fila para esperar. Chegada a minha vez apresento o meu problema, como introduzir os dados no telefone? O funcionário sossega-me, bastar-me-á comprar um cabo numa loja. "O quê!?", então o telefone não é "equivalente" ao anterior, tal como me disse? Nega-me, em começo de evasiva, mas imponho-lhe a verdade "V. disse-me que era "equivalente", foi a palavra que utilizámos". Acaba por concordar mas confirma-me que preciso de ir comprar um cabo complementar. Estou ofendido e digo-lho, porque não me informou ele dessa necessária aquisição? Ele invectiva-me "O senhor viu o telefone!", e eu digo-lhe o que penso, que é um caso de abuso de confiança. O homem disse-me que o produto é equivalente e nem me deu as informações necessárias, alertou para as diferenças existentes. Depois avanço, não só o som do telefone é mau, como me queixo da patilha partida à segunda vez que manipulada. Responde-me Nij[z]amo Issufo que isso se terá devido a "mau uso" meu.
Com esta resposta passo-me. Chegámos ao domínio da arrogância. Do funcionário, ali a expressar a da companhia. Assim sendo nem vale a pena contra-argumentar. Devolvo-lhe o telefone, inutilizo o cartão SIM. E anuncio-lhe o fim do meu contrato com a MCel, ele que me "faça o favor" de o cancelar, vou para a Vodacom. Diz-me que não posso cancelar, pois a renovação automática do contrato (acontecida em Setembro) vincula-me por mais dois anos sem que possa rescindir. "Estou prisioneiro?" pergunto, estupefacto e irritadíssimo. Insisto, ali mesmo escrevo uma carta a dizer da rescisão. O homem diz que vai entregar o "pedido" aos seus colegas. Irado digo-lhe que não é um "pedido", é uma "rescisão". Sorri, altivo. E diz que me irão comunicar a decisão por e-mail. Já passou uma semana. Ainda não responderam. Entretanto entrámos em Dezembro e já se devem estar a preparar para me cobrar o mês.
A Mcel é uma companhia majestática? Dela sou eu servo?
jpt