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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

[Margaret Kalk (org.), A Natural History of Inhaca Island, Witwatersrand University Press, 1995]
Numa época na qual é habitual julgar o ser similar (ou até subordinado) ao ter é notório que este Ter (ser) passa ainda pelo "andar". Ou seja, é-se se se for, se em determinados momentos do ano se andar para junto do mar, onde se transpira com abundância, se é ferido pela luz solar e onde se mostram os refegos e furúnculos próprios e apreciam as cicatrizes e tatuagens alheias, e todas essas chagas em vice-versa. Seja isso na costa do sol maputense, aos milhares, ou em refúgios quase-secretos nas águas do cabo delgado, os propósitos são os mesmos. O melhor disso mesmo é podermos enviar, com frequência, sms (ou até mensagens para o facebook, se tivermos "daqueles" telefones), a informar de quantas laurentinas premiuns já bebemos, de quanto azul é o paraíso solar só nosso, ou as formas das mamas face às quais nos babamos, e outras coisas que tais. Enfim, fazer os outros ser (ter) menos dado o nosso tanto ter (ser). Andar ...
Não tenho paciência para estas vertigens solares alheias. Não quero saber da "alegria" alheia - que aliás reputo de alienadora. Nos próximos dias, ar condicionado ligado, vou-me dedicar à leitura deste livro colectivo, 394 grandes páginas dedicadas à ilha defronte, adiada há muito. Não estarei nem aqui nem no trampolim facebook - onde poderão mostrar as vossas aventuras, na praia, na neve, nas montanhas, nas discotecas. Estarei, de forma ainda mais literal, dedicado ao saber.
Sejam. Aliás, andem. Tenham, em suma.