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A passagem do ano

por jpt, em 28.12.10

[Margaret Kalk (org.), A Natural History of Inhaca Island, Witwatersrand University Press, 1995]

Numa época na qual é habitual julgar o ser similar (ou até subordinado) ao ter é notório que este Ter (ser) passa ainda pelo "andar". Ou seja, é-se se se for, se em determinados momentos do ano se andar para junto do mar, onde se transpira com abundância, se é ferido pela luz solar e onde se mostram os refegos e furúnculos próprios e apreciam as cicatrizes e tatuagens alheias, e todas essas chagas em vice-versa. Seja isso na costa do sol maputense, aos milhares, ou em refúgios quase-secretos nas águas do cabo delgado, os propósitos são os mesmos. O melhor disso mesmo é podermos enviar, com frequência, sms (ou até mensagens para o facebook, se tivermos "daqueles" telefones), a informar de quantas laurentinas premiuns já bebemos, de quanto azul é o paraíso solar só nosso, ou as formas das mamas face às quais nos babamos, e outras coisas que tais. Enfim, fazer os outros ser (ter) menos dado o nosso tanto ter (ser). Andar ...

Não tenho paciência para estas vertigens solares alheias. Não quero saber da "alegria" alheia - que aliás reputo de alienadora. Nos próximos dias, ar condicionado ligado, vou-me dedicar à leitura deste livro colectivo, 394 grandes páginas dedicadas à ilha defronte, adiada há muito. Não estarei nem aqui nem no trampolim facebook - onde poderão mostrar as vossas aventuras, na praia, na neve, nas montanhas, nas discotecas. Estarei, de forma ainda mais literal, dedicado ao saber.

Sejam. Aliás, andem. Tenham, em suma.

publicado às 15:40


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