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Lisboa, as causas da crise

por jpt, em 10.01.13

Saí de Portugal no milénio passado. Eram os tempos do escudo. Depois veio a moeda euro. No país, e apesar de alguma minha impressão contrária, desde essa altura sempre foi anunciada uma baixa inflação - qualquer coisa como abaixo dos 4% anuais. Ao longo dos últimos dezasseis anos fui ganhando em dólares, depois em meticais, depois em meticais e euros, depois em meticais. E, ocasionalmente (e aliviadamente) em dólares. Com essa irregularidade sempre mantive o hábito, quando em Portugal, de fazer a "tradução" dos preços para escudos. Qiuantas vezes me disseram, até castigando-me, "não podes fazer isso". Assim mesmo, no registo do "dever ser", como se acusando-me de uma qualquer irracionalidade. Económica. E não só.

Ontem fui ao cinema com a minha filha. Dois bilhetes, um pacote de milho, duas pequenas águas. Paguei 4 contos 460 escudos (!!!). À saída fui buscar o carro ao parque e paguei 480 escudos. Para ir ao cinema com a princesa paguei 5 contos. (E estou a fazer o euro a 200 paus, não aos 208 de então). Resmunguei várias vezes, entredentes, para que ela não ouvisse, "foda-se", "foda-se", "foda-se". Não por razões morais ou políticas. Pura e simplesmente dado que não ganho para isto, fui surpreendido e não a quis desiludir à porta do cinema.

Querem uma causa para a crise? Está aqui. Ou continuam, estúpidos imbecis, a dizerem-me que "não posso fazer as contas assim? Ou, morcões infectos, que a inflação tem sido baixa?

Adenda: "A Vida de Pi" é um filme bonito. Não vale cinco contos (perdão, vinte e cinco euros). Mas é bonito.

jpt

publicado às 13:45


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