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O Tratado de Lisboa

por jpt, em 25.01.13
 

Também nos blogs há o peso da actualidade, do ontem e hoje, principalmente quando resmungamos sobre as coisas da política. Ainda assim deixo este filme, é importante ouvir o discurso de José Manuel Durão Barroso (a partir dos 5 minutos e 36 segundos) na cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa. Não é um ensaio crítico, é o discurso (com dimensões celebrativas e protocolares) do presidente da Comissão Europeia. E é, até por esse contexto de locução, um belo momento. De reflexão sobre a construção europeia e de olhar sobre o que então se passava e se perspectivava (é de 2007). E de apelo à coerência.

(Sei que há quem venha resmungar que é propaganda, e que faço aqui propaganda de Durão Barroso. Suspendamos a "espuma dos dias". O texto justifica ser ouvido).

Adenda: de ler é um artigo de Joschka Fischer, "O declínio da razão britânica (acessível no Público, pelo menos por enquanto); e o manifesto Europa ou o caos (em castelhano, no "El Pais".jpt

publicado às 16:35

Récita do "Corão"

por jpt, em 25.01.13

 

  

Capítulo "An-Nahl" (a génese do universo)

 

 

Capítulo "Al-Muzzammil" (uma convocatória aos fiéis)

 

São as prestações de Amin Pouya, vencedor de vários concursos de recitações do Corão. Absolutamente espantosas, um prodígio. A ultrapassarem, pelo menos em mim, os obstáculos da incompreensão linguística e da ausência de fé (para os que não conhecem o texto deixo ligações para traduções em inglês).

 

 jpt

publicado às 16:34

O Seguro expirou

por jpt, em 25.01.13

O Seguro do PS expirou. Quem o disse foi a Ovelha Dolly.

 

 

O cordeirinho sacrificado, uma versão proto-marxista do Agnus Dei, António José Seguro, o único que não tinha percebido que em tempos de vacas magras, continuando no registo zoológico, só os patetas se chegam à frente, e ainda o único a pensar que os socráticos estavam com ele na saúde e na doença, na pobreza e na abundância, na alegria e na tristeza, enganou-se. Claro que se enganou, está-lhe na natureza avaliar mal as evidências e as circunstâncias, malgrè tout. O espectáculo indecoroso, repentino e sem aviso embora esperado, que os socráticos vieram dar ao pedir um congresso do partido o quanto antes para apear o Tozé, depois deste, precipitado, pedir uma maioria absoluta não querendo, apesar disso, provocar eleições antecipadas (!) - e à frente de todos o clone do emigrante ex-primeiro ministro, o Dr. Silva Pereira, tão inteligente quanto sinuoso, que com os seus tiques de seminarista e cara de pudim "Boca Doce", na escuridão ou na ribalta vai manobrando o que e quantos pode, secundado em silêncio cúmplice pelo miserando Zorrinho - evitamos a piada fácil e passível de ilustração de pôr a pobre criatura a zurrar - estacionado há anos naquela ideia mal amanhada e mal copiada a que se chama 3ª via na qual ziguezagueia pensando-se o Garrincha da política, também o Vieira da Silva, cujo estrabismo fisíco e do qual não é, obviamente, responsável, não se traduz na política pois sabe bem para onde olhar, e até o brutamontes e vomitoso Lello - cheira a veneno que tresanda e cheira também à ganância pelo poder e pelo dinheiro que, aparentemente aí vem (reentrada de Portugal nos mercados, ou seja, direito a pedir mais uns milhões emprestados e a famosa por muito pedida, renegociação do pagamento da dívida...). Nada de desperdiçar a oportunidade, devem ter pensado os judas socialistas:, deita-se este abaixo, os que governam perdem as eleições autárquicas e,de seguida, as gerais, e tudo volta ao rock & roll de há uns tempos com letra (protestada) de Sócrates: "Gaste-se, gaste-se, muito e à toa".Pobre Tozé que não percebeu porra nenhuma, nem sequer como chegou a secretário-geral do PS... Podia ter perguntado ao Costa, António Costa, que lhe explicava facilmente que não se chegou à frente no último congresso, pois sabe de cor e salteado que em tempos de eminente desastre eleitoral e travessia mais ou menos prolongada de areias movediças dada a oposição interna dos "do costume" e memória popular (curta, supostamente) do pontapé no cú dado nas urnas ao seu antigo chefe, o risco de se queimar é enorme e, portanto, nada melhor que ficar com Lisboa , onde a falta de higiene pública, leia-se falta de limpeza urbana, e os disparates rodoviários não atingem o caldeirão fervente que é a luta pelo Poder. Faz lembrar um antigo reclame televiso das panelas de pressão Silampos: "...João Ratão não se queimava pois já tinha uma Silampos!".

 

 

Vossomvf

publicado às 01:43

Estou farto disto: António Costa

por jpt, em 25.01.13

O Guilherme é moçambicano. Estudou antropologia. Eu orientei a sua "tese" de licenciatura (raio de mania, um gajo nessa altura deve é acabar o curso e ir à vida). Continuou os seus estudos, no estrangeiro, e é um tipo do mundo, dos que valem a pena. Mantemos o diálogo, mais pelo computador do que pelos copos (quanto beberemos umas 2Ms, companheiro?). Também ele, e é para aí o 50º, me manda esta cena do António Costa. Não percebo bem porquê. O Guilherme é moçambicano, nem sequer estudou em Portugal, porque raio me manda esta tralha, que ligação tem com o meu país para me mandar este lixo, o qual nem sequer tenho a certeza de ser do presidente da câmara lisboeta (c0rrupta, diga-se, que até dói)? Transcrevo-a, para que saibam do que falo.

(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

Chega-me disto. Eu conheci António Costa na Faculdade de Direito da Universidade (Clássica) de Lisboa. José Apolinário era o presidente da Associação de Estudantes, ele o cabecilha, por bem mais inteligente, todos diziam. Era 1983. Eram uns aldrabões. Falsificavam votações de braço no ar. A única vez que falei em público por razões políticas foi numa RGA de Direito para, corado, indignado, miúdo, revoltado, protestar contra os filhos da puta António Costa e José Apolinário que tinham falsificado uma votação de braço no ar.

Passaram três décadas. O tipo, que fala assim como se não fosse do PS, como se alguma vez tivesse falado contra o conteúdo do projecto europeísta que avalassou o país, como se tivesse tido outra ideia, como se estivesse noutro lado, manda umas bocas, e todos esquecem o seu caminho, todos admitem que poderá ser um hipotético (como ele quer) primeiro-ministro. É, desde puto, um isto. Ponto final parágrafo. Ainda que a TV (e Pacheco Pereira, também) lhe dê apoio.

Lembro num dia de copos, early 90s, no Procópio, com o grande Aventino Teixeira. O gajo a chegar, eu a dizer "coronel" (sempre me recusei a chegar-me ao "Tininho" que outros usavam) "este gajo não". E o coronel, homem grande, maior que nós, a dizer "senta-te na mesa ao lado, que este meu amigo conhece-te e às tuas aldrabices". E assim foi.

Guilherme, queres falar do meu país? Bebamos um copo. Mas não me tragas isto. Que é, e escrevo literalmente, a abater. Repito, falo literalmente (e conheço-o daqui, camarada, em falsas viagens de ministro para férias no Bazaruto).

Morramos nas barricadas, se necessário. Mas, este gajos nunca ....

jpt

publicado às 01:13


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