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O internacionalismo da CGTP

por jpt, em 26.01.13

Arménio Carlos, líder da CGTP, central sindical ligada ao PCP (ele próprio militante do PCP). Tudo sempre dito como inscrito no amplexo "internacionalista". Continuo na minha, a lógica da esquerda local é absolutamente corporativa, reaccionária. Racista - sempre desligada dos imigrantes em Portugal, diga-se. Agora Arménio Carlos, na manifestação dos professores (!!!!!!) chama "escurinho" a Abebe Selassie, o etíope do FMI que trabalha com Portugal. O racismo, esse que não existe nem nunca existiu em Portugal, ou a ter existido foi sempre das elites, que o povo é camarada e, sendo oprimido, sempre irmão dos oprimidos, vem ao de cima (vá lá, não lhe saíu "cabrão do preto", talvez por haver camaradas senhoras na manifestação).

Leio isto mas a notícia não ecoa a gigantesca vaia com que os manifestantes professores ripostaram à javarda declaração do líder comunista português. Ou será que os manifestantes professores nem vaiaram, até apoiaram? Também me parece ... e é essa escória que ensina as novas gerações. Brancos de merda.

jpt

publicado às 23:25

A propósito de Poussin

por jpt, em 26.01.13

 

O livro é de 1911 (editado por Pierre Lafitte e C.), ano em que o meu avô paterno o comprou (em Coimbra, em Paris?) e assinou. Este "Poussin" (1594-1665) [biografia do pintor] [galeria dedicada] está na estante avoenga acompanhado por um livro da mesma colecção, dedicado a Velasquez. Tem uma biografia do pintor, sem grande aparato teórico, e contém 8 reproduções a cores de algumas das suas pinturas mais célebres, as quais surgem com boa qualidade - têm um século -, ainda que algo, um pouco, sombrias. É quase um livro de bolso, uma edição popular, ainda que de capa dura.

 

E confesso que me comove o livro, e o outro também. Há cem anos, de uma era tão anterior ao mundo Taschen, que trouxe a pintura (e outras artes) para dentro das estantes de todos, com boas reproduções e a preços baratos. Quanto lhe teriam custado, ao meu avô, então jovem estudante, mais ou menos abonado, estas aquisições? De que se teria privado (se calhar de nada, e eu apenas romanceio).

 

 

Depois ando na internet à procura dos quadros que ali são reproduzidos. Todos eles afamados, que pertencem à memória de um amador muito deficitário como eu. E de repente surge-me isto, este desconforto. Pois hoje temos tudo na internet (custa-me nada mostrar à filha o gigantesco universo das artes, esse que era necessário calcorrear para conhecer. E, depois, comprando caros estes livros e reproduções).

 

Mas vejam-se bem estas duas reproduções. Apenas duas das imensas que a "internet" nos dá do mesmo quadro de Poussin. E que mostram bem as radicais diferenças entre as reproduções que vão sendo "uploadadas". Equilíbrios, densidades, luminosidades, etc, tudo se esbate, se pluraliza assim perdendo.

 

Um tipo vai à internet, "vê" a imagem.

 

E desconhece as pinturas ... É o engano global, um aracnídeo de insensações.

 

(na próxima vez que for a Lisboa trago os livros do avô. Mesmo que as reproduções sejam algo sombrias ...)

 

jpt

publicado às 19:33

Heidi já não mora aqui

por jpt, em 26.01.13
(O Pedro Correia fez-me o favor de me convidar para participar no Delito de Opinião, um blog porta-aviões. Este foi o primeiro texto que lá coloquei, esta semana, fica também aqui como meu arquivo.)  

2012 foi o ano em que morreu o meu pai. Assim, sem mais, deixando-me esta papaia na garganta que não há maneira de escorregar, e já correu um ano inteiro. Depois, meses depois, morreu o meu sogro. De repente, inesperado. Assim, a devastar a Inês, assim a alquebrar-me. Velhos já, octogenários, idosos como se diz dos burgueses (ambos "senhores engenheiros", daqueles dos anos em que "engenheiro" era engenheiro). Por isso, por acabrunhados sem o dizer, por doridos, este Natal, esta quadra, mudámos, cedemos, voámos para a família, para o frio, para o nosso Portugal, lamentando toda esta década e meia de vida dos nossos mais-que-queridos que perdemos, e como se assim recuperássemos algo do irrecuperável, dos nossos mais velhos que já não mais veremos (ou só em sonhos, como hoje, na sesta, raisparta, a acordar para as lágrimas, esquivas, do desencanto).

Nisso da nossa Lisboa, que afinal já estranhamos ("pai, por que é que há tantos velhos em Portugal?", pergunta-me a Carolina, nos seus dez anos tão estupefacta naquele eixo geronte entre o Olivais salazarista e a Av. de Roma salazarenta), fugimos, com amigos queridos e "dos tempos", também eles emigrantes de longo termo, até mais do que nós, que até os há, e estes bem mais lá para o Norte rico, mas também eles com esta estranheza indita aquando em casa, e ainda é casa, que o exigimos a nós-próprios. Avançamos, como se festivos, claro, os miúdos todos juntos a alegrarem-nos, para sul, para a nossa costa, quando nos namorávamos, nós então cerca de Alzejur, os outros por ali mais ou menos. O último ali que valeu a pena antes deste Índico que me aprisionou, esta paixão sem metáforas, sem rodeios, sem merdas.

Odemira é como alguns chamam ao gelado atlântico que nos acolheu. Estou na sua costa, a tiritar, em busca de um medronho que me aqueça, pois não se está ali perto de Monchique?, a terra do verdadeiro hidromel?, e deparo-me com um imigrante, este vindo do norte, bem-posto. E logo brota a solidariedade imediata, sabemos nós bem como e quanto, entre quem vive entre aqueles que se julgam outros. É ele que me (nos) leva até aos medronhos e conta-nos o como dele por ali. Que trabalha naquela Odemira, mas a dos montes, a do mato chamo-lhe eu em tom cúmplice. Serviço social, diz-nos, supreendendo-me nestes tempos da raiva egoísta, mercantil. Trabalha com velhos, percorre a área apoiando os aqueles solitários, e aqui não há idosos, são velhos mesmo. Centenas deles, com-abrigo sem-família, diz-nos e traduzo-o assim, por esses montes do interior. 60% não tem casa de banho em casa, a maioria não tem água corrente nem electricidade, e narra a coisa que faz com aquele sorriso doce que eu uso ao falar dos distritos daqui, para os aguentar, para não gritar a des-graça deste mundo sem graça. Lamenta-se um pouco, sem ênfase, sem nenhum mais, pois sem recursos e com distâncias para percorrer (sorrio, como se no nosso rincão houvesse distâncias...) não consegue(m) aceder a mais que meia dúzia de casas por dia, nisso um constante défice da acção devida, do socorro desejado, que seja às vezes, tantas vezes, apenas um pouco de atenção.

Depois, já na Vila Nova das milfontes, à mesa, farta, saborosa, bem bebida, naquilo do já me chegar a trôpego, lembro-me da Heidi (o livro que quase ninguém leu, de Johanna Spyri, a série de animação que a minha geração adorou). Naquela Suíça montanhosa, pobre, "bárbara", por evangelizar, e nisso tão marcando as igrejas protestantes que por lá germinaram em XIX, aquela Suíça rural tão bem descrita por Patrick Harries na sua extraordinária biografia do gigante etnógrafo do sul de Moçambique e nordeste da África do Sul Henri Junod, o "Junod e as Sociedades Africanas. Impacto dos Missionários Suíços na África Austral" , por cá editado pela Paulinas Editorial (sim, nunca editado em Portugal, coisas do paroquialismo tétrico do mundo da lusofonice). Sei, percebo, já discorro, quase sem rumo, como se ainda estivesse à mesa, entre aguardentes. Mas relembro a Heidi dos desenhos animados, a menina orfã de mãe (uma qualquer tuberculose? sífilis não foi, que a moral literária não deixaria. Sida também não, que não havia) levada da cidade pela jovem tia, recém-empregada na cidade (prostituta não era, julgo que alguma honesta aprendiz de artifício manual, ou só operária, ou mesmo criada de servir, de fora, claro), para casa do velho avô, qual urso mal-disposto na montanha, este hibernando de afectos, até temido pelos aldeões do sopé. Afinal, crosta quebrada, um doce de homem, apenas ferido pela solidão, e que dará à menina Heidi a sua experiência de boa selvagem, entre cabritos e pastores, afectos e prazeres. Coisa falsa, claro, Condessa de Ségur em regime de "pastoral". Mas coisa vera, claro, se quisermos viver, essa dos afectos vividos ou sonhados.

É disso que me lembro neste fim do ano, após o Natal. Daquela Heidi. E de todos estes velhos das odemiras, nos montes, sozinhos, inconfortáveis, deixados para trás pelas suas "tribos", pelos seus "clãs", pelos "seus", estes todos amancebados nos feijós, rios de mouros e barreiros, nos seus sonhos de não sei o quê. Pois a Heidi já não mora aqui.

Eles exactamente tal e qual eu próprio, no meu Maputo, nos meus maputos. Deixando os meus mais-velhos para trás. E roubando-lhes a presença. Do sorriso da Heidi. E, até, da minha carantonha. Nos meus sonhos de não sei o quê. E degluto a aguardente.

jpt

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publicado às 18:40

O Poeta Chifrudo

por jpt, em 26.01.13

[Mbate Pedro, Minarete de Medos, Indico, 2009]

Fraco leitor de poesia diante dela sempre me deixo, humilde, com o chapéu na mão. Ainda assim atrevo-me a opinar - que há muito não me entusiasmava deste modo com um poeta moçambicano. Desde que o li que deixe um rascunho de postal para o anunciar. Mas para quê perorar sobre algo para o qual me falta a verve? Basta avisar os que ainda não entrararam no livro. Este "Minarete de Medos" é (foi, que já tem anos) um marco no panorama literário aqui, que anda, sejamos francos, um bocado monótono. E já há algum tempo.

Então combata-se a monotonia e leia-se o Mbate Pedro.

jpt

publicado às 16:57

Requiem por um artigo

por jpt, em 26.01.13

(um postal que ficou em rascunho 5 anos. Era um "requiem por um artigo" que nunca escrevi. Tornou-se assim quase um "requiem por um postal nunca publicado". Fica aqui)

No interessante livro, já antigo, Barzarketing o publicitário moçambicano Thiago Fonseca refere o desafio interessante para a sua actividade profissional - deparar-se com uma população ainda relativamente virgem de imagens audiovisuais, assim passível de uma maior atenção/apreensão aos/dos conteúdos que lhes são transmitidos (impingidos, tantas vezes direi eu).

Não se trata aqui de demonizar a publicidade - certa é a poluição sonora e visual em que resulta, seja na rua (a perfídia moderna assume contornos de painéis, que o arrivismo chama de "outdoors", - p.ex. um painel em tempos colocado ao fundo da Av. K. Kaunda, interrompendo o Índico, merecia a óbvia pena, não adquirir os produtos do anunciante), seja em nossa casa, via tv ou outros meios. Bem pior é a indução de necessidades ou valores, poluição interna (depois há os "liberais" ignorantes que acham a publicidade mera comunicação, informação neutra, mas o trálálá deles é, cada vez mais, mero lixo da moda).

A publicidade tem também coisas óptimas, não só estéticas, mas no respeitante a valores - dessacralização de símbolos, valorização do humor: num país onde o "respeitinho" é muito bonito foi interessante ver a resmunguice com o anúncio realizado com Dilon Djindji [recordo que o postal foi escrito há quase 5 anos]. A má-vontade com a publicidade (e até com o capitalismo) implica a incompreensão do humor, e até a infantilização (ou vitimização) dos ícones, como se estes incompreendessem os seus próprios actos. E, no entanto, nada mais digno do que rir-mo-nos de nós próprios (eu, quasi-ícone de mim próprio isso encenei).

Abaixo deixo alguns exemplos de publicidade (em muitos casos pintada in loco, que é uma actividade fantástica de observar) que fui encontrando ao longo do país. Encimadas pela espantosa praça da Coca-Cola na Beira, que ali encontrei já em 1998, no advento deste processo de iconização dos produtos de consumo (assim tornados substitutos dos "heróis identitários", locais ou nacionais, âncoras político-culturais).

Passados uns anos fui encontrar a praça Samsung junto ao aeroporto da Portela e logo de seguida uma praça Coca-Cola ali para os arredores de Tavira, nas minhas andanças portuguesas. A frisar que esta substituição dos marcadores identitários é bem mais global do que poderia parecer - e ainda bem que não escrevi o tal "artigo" sobre isto, pois a tese que perseguia era que este fenómeno toponómico se estabelecia mais favoravelmente num contexto de transição identitária e de formulação dos "novos heróis", no período da independência moçambicana. Como pude constatar, através desses exemplos portugueses, não podia estar mais enganado.

(pressionando as fotografias elas engrandecem)

jpt

publicado às 16:22

Ainda Filipe Branquinho em Lisboa

por jpt, em 26.01.13

abaixo referi que Filipe Branquinho expõe em Lisboa até ao próximo 23 de Fevereiro. Aqui deixo imagens da exposição que realizou na Gulbenkian, conjuntamente com Camila de Sousa, no Verão lisboeta passado. Acredito que muitos dos que então passaram pelo jardim da fundação não terão gravado na memória os nomes dos fotógrafos e por isso aqui as relembro, para chamar a atenção. Agora o Branquinho está a solo, lá para o Príncipe Real:

(Fotografia de Filipe Branquinho)

(Fotografia de Camila de Sousa)

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publicado às 12:36

Cheias no Chockwé

por jpt, em 26.01.13

Chegam mais fotografias das cheias no Chockwé e da debandada, tardia, da população. Com as imagens chega também o pedido de ajuda.

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publicado às 07:38

Elis Regina

por jpt, em 26.01.13

 

Maneira de fugir à actualidade é também esta ...

 

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publicado às 06:35

40 actrizes pré-1960

por jpt, em 26.01.13

 

Neste combate ao primado da actualidade, que melhor do que estas 40 actrizes pré-1960? (Via Pedro Correia, no Delito de Opinião)

 

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publicado às 06:34

Fernando Charrua e Carlos Queiroz

por jpt, em 26.01.13
 

No consulado socratista dois casos de investida "moralizante" do poder político sobre a sociedade, formas nada esconsas de controlo político, foram os acontecimentos com Fernando Charrua e Carlos Queiroz, muito similares nos seus verdadeiros conteúdos. O primeiro, um professor colocado no ministério da Educação, foi reenviado para o seu local de origem por ter sido acusado de um impropério referindo o primeiro-ministro, dito em privado. O segundo foi atacado pelo próprio secretário de estado, pois acusado de ter praguejado quando referindo-se a um médico, na ausência deste, ainda para mais.

O tribunal decidiu agora que foi ilegal o processo imposto a Fernando Charrua. A hierarquia político-administrativa socrática nada sofre com o assunto. Nem sei se Queiroz colocou a situação no tribunal. Mas se o fez sei bem que, independentemente do que for decidido, aqueles que usaram o poder político para controlar a seu bel-prazer, nada sofrerão. E continuarão como antes. Eles e os que os tomam como modelos.

jpt

publicado às 06:15


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