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Pascoando

por AL, em 31.03.13

 

Os membros da cooperativa ausentaram-se para umas bem merecidas mini-férias. Eu, aqui um pouco ao norte de Maputo, entre o caranguejo e o pão de sura, ou as amêndoas agora mesmo acabadas de achocolatar, ainda consigo fazer alguma monda.  Como esta gipsofila recentemente cavada e que adorna agora o meu jardim. Porque há muito Canadá para além do Justin Bieber…

AL

publicado às 16:08
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:49


AL

publicado às 10:44
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:15


São 2 horas e 3/4, bem sei. 

publicado às 09:32


AL

publicado às 17:26
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:17

Por definição, que me apraz sobejamente, o ma-schamba despreza os dias internacionais e mundiais 'disto e daquilo' e só muito pontualmente assinala este tipo de efemérides.

Hoje, dia 27 de Março de 2013, comemora-se uma vez mais o Dia Mundial do Teatro.

Seja por questões emocionais - o teatro é a minha paixão primeira - seja porque é num teatro que a minha actividade laboral se desenrola, ou seja ainda porque uma das mais importantes manifestações deste dia é a difusão da Mensagem Internacional, escrita tradicionalmente por uma personalidade de dimensão mundial convidada pelo Instituto Internacional do Teatro para partilhar as suas reflexões sobre temas de teatro e paz entre os povos e lida perante milhares de espectadores antes dos espetáculos nos teatros do mundo inteiro, hoje é a minha vez de praticar a excepção à regra.

 

 

Este ano a mensagem foi solicitada ao italiano Dario Fo. Nascido em 1926, Dario Fo é actor, dramaturgo, director, cenógrafo, activista político e Prémio Nobel da Literatura em 1997. O seu contributo, sempre irónico, reza assim:

 

"Já faz muito tempo que a forma de resolver o problema da intolerância para com os comediantes era expulsá-los do país. Hoje, os atores e as companhias de teatro têm dificuldades em encontrar teatros, praças públicas e espectadores, tudo por causa da crise.

Os governantes, portanto, não estão mais preocupados com os problemas de controlo sobre aqueles que se expressam com ironia e sarcasmo, já que não há lugar para atores, nem existe um público para assistir.

Ao contrário, durante o período do Renascimento, na Itália, os que estavam no poder tinham que fazer um esforço significativo para manter em seus territórios os Commedianti, uma vez que estes desfrutavam de um grande público.

É sabido que o grande êxodo de artistas da Commedia dell'Arte aconteceu no século da Contra-Reforma, que decretou o desmantelamento de todos os espaços do teatro, especialmente em Roma, onde foram acusados de ofender a cidade santa. Em 1697, o Papa Inocêncio XII, sob a pressão de insistentes pedidos do lado mais conservador da burguesia e dos expoentes do clero, ordenou a demolição do Teatro Tordinona, em cujo palco, segundo os moralistas, tinha encenado o maior número de performances obscenas.

Na época da Contra-Reforma, o cardeal Carlo Borromeo, que era ativo no Norte de Itália, havia se comprometido com o resgate dos "filhos de Milão", estabelecendo uma clara distinção entre a arte - como a mais alta forma de educação espiritual, e o teatro - a manifestação de palavrões e de vaidade. Em uma carta dirigida aos seus colaboradores, que eu cito de improviso, ele se expressa mais ou menos da seguinte forma: '(...) em relação à erradicação da erva do mal, fizemos o nosso melhor para queimar textos que continham discursos infames, para erradicá-los da memória dos homens, e, ao mesmo tempo, a processar também aqueles que divulgaram tais textos impressos. Evidentemente, no entanto, enquanto estávamos dormindo, o diabo trabalhou com astúcia renovada. Como penetra na alma mais do que o que os olhos vêem, o que você pode ler nos livros desse tipo! Assim como a palavra falada e o gesto apropriado são muito mais devastadores para as mentes dos adolescentes e jovens do que uma palavra morta impressas em livros. É, portanto, urgente livrar nossas cidades de fabricantes de teatro, como fazemos com as almas indesejadas.'.

Então, a única solução para a crise está na esperança que uma grande "expulsão" seja organizada contra nós e, especialmente, contra os jovens que desejam aprender a arte do teatro: a diáspora nova de comediantes, de fabricantes de teatro, que, certamente, a partir de tal imposição, terão benefícios inimagináveis para uma nova representação."

Dario Fo

 

(a tradução apresentada acima é a versão brasileira, bastante mais fidedigna do ponto de vista formal)

 

VA

publicado às 16:59

Politeísmo (26): Huracan

por jpt, em 27.03.13

publicado às 16:18

Uma boa série de TV

por jpt, em 26.03.13

 

Uma boa série televisiva dinamarquesa, ficção política: Borgen (O Castelo?). Uns tiques de tv, romances e isso, mas funciona bem.

 

publicado às 21:59

Django sem correntes, de Tarantino

por jpt, em 26.03.13

 

Enfim, está visto. Nunca tarantinei.

 

 

E com a idade tarantino cada vez menos.

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publicado às 21:52

Torquato da Luz

por jpt, em 26.03.13

 (Imagem encontrada aqui)

 

Leio a nota que sua filha colocou ontem no seu tão cuidado blog Ofício Diário, anunciando-nos, aos fiéis leitores, a morte de Torquato da Luz. Sabia-lhe o nome, o papel na imprensa portuguesa, em particular em tempos épicos da instauração da democracia. Mas foi nesse "Ofício Diário" que o conheci, acompanhando-o ali, onde durante anos, desde 2004, de um modo paciente, apaixonado e tão sóbrio, partilhou a sua poesia.

 

Sou um mau leitor de poesia, impaciente, quantas vezes buscando-lhe o rumo e mesmo desenlaces que ela não quer ter. Ou que eu não consigo descortinar. E nisso lembro agora que, há um mês, ao chegar ao "Sem drama", último poema que ali deixou, me senti retratado naquele, nada acusatório mas tão descansadamente irónico, transpirando a bonomia do homem vivido e sábio, "Poucas pessoas gostam de poesia, / embora a maioria, / como é sabido, diga que sim. / (...) / Vicejando em qualquer lado, / há quem a ponha na lapela / para o encontro aprazado. / Outros mostam-na à janela / no lugar do cortinado. / Mas, sem que nisso haja drama, / raros são decerto aqueles / que a fazem dormir com eles / noite após noite na cama". Pensei até enviar-lhe nota dessa minha sensação de retratado, "sem drama" claro. Falhei nisso, perdendo-me em demoras.

 

Com gentileza, que me foi até surpreendente, e que inicialmente atribuí à solidariedade no seio desta confraria bloguística, foi-me enviando os livros que ia publicando. Agradeci-lhos, com sinceridade, mas nunca me atrevi a perguntar-lhe da razão de ofertar este leitor sempre silencioso. Fiquei-me com a ideia, fico-me com ela, pois me é agradável, que fosse forma dele remeter o seu trabalho para este Maputo, o ex-Lourenço Marques, onde um dia, longínquo das quatro décadas já decorridas desde 1971-2, entrou com os seus poemas nessa espantosa, até lendária, aventura do "Caliban", revista como-se-fundacional capitaneada por António Quadros (então J.P. Grabato Dias) e Rui Knopfli. Sendo assim meio de refutar, pelo menos em parte, aquilo do "Tudo o que outrora soube e já esqueci: / os nomes, coisas, datas e lugares. / (...) / Tudo o que tive e nunca mais terei." (em "Tudo"), neste caso um seu lugar de ombrear poético.


Assim sendo, deixando-me crer nesta versão, nesta sua morte regresso ao Torquato da Luz de "Caliban", neste meu volume que um dia, abençoado seja, José Soares Martins e Nelson Saúte, abençoados sejam, decidiram reeditar e reavivar. A um Torquato da Luz invejável, capaz de deixar isto (será que o viveu?, e se sim ainda mais invejável ..., invejo-o eu, sempre estancado diante da aflição):


Apenas aflição


Apenas aflição e nada mais.

Um arrepio correndo o corpo todo.

Estar aflito é um modo

de estar com os demais.


Aflito. Como se um rio

de súbito saído do seu leito

afogasse o navio

do corpo a que estou sujeito.


Não temas. É aflito que escrevo.

Aflito realizo

ser de tudo o que vejo o dono e o servo.


Tudo o mais que preciso

é saber que me devo

um permanente aviso.


(Caliban, nº 3-4)

 

Adenda: também coloquei este postal no Delito de Opinião. Lá, nos comentários, Ana Vidal deixou um poema auto-retrato de Torquato da Luz. Mais do que se justifica trazê-lo para aqui:

 

O QUE DER E VIER

Tributário apenas da verdade,
avesso a peias e grilhetas,
feito da massa dos poetas
e dos que amam a liberdade,
sensível à dor própria e à dor alheia,
lutando até ao fim por uma ideia
de peito aberto e sem ter medo
de nada nem de ninguém,
capaz de guardar segredo
mas de o revelar também,
eis como sempre hei-de ser
para o que der e vier.


publicado às 07:02

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publicado às 13:56
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:18

publicado às 13:12
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:18

A "crise" anunciada

por jpt, em 23.03.13

 

Os visitantes mais antigos do ma-schamba lembrar-se-ão do episódio, até doloroso. Há uns anos o blog tornou-se colectivo com a entrada do António Botelho de Melo (ABM). Passados uns tempos a gente zangou-se, episódios de faca-e-alguidar ... Enfim, coisas da vida, desnecessárias (no fundo, como quase tudo o que acontece, de bom e de mal, de bonito e de feio). O ABM acabou por sair e levou os seus textos para o seu The Delagoa Bay Blog, apagando-os aqui (como era muito do seu direito, claro).

Mas estes sistemas bloguísticos são complicados e surpreendentes. Nesta passagem do ma-schamba para o sistema SAPO algumas coisas se desarranjaram, em particular a colocação de fotografias e filmes em postais mais antigos. Por isso visitei os arquivos do blog, para arranjar o que esteja deformado (é uma tarefa morosa e até insana). E nisso percebo que vários postais do ABM estão de novo visíveis. Respeitando a sua vontade tenho-os apagado, com pena, claro. Porque me lembram tempos de pré-zanga (que são sempre mais agradáveis do que os tempos pós-zangas). E pelo seu interesse, alguns deles são deliciosos (mas estão todos no seu blog, os interessados poderão seguir a ligação acima colocada). 

 E eis que nessas andaças me deparo com um seu postal, de 8 de Abril de 2010 (!!), "O Tsunami no Horizonte". Nele ABM (que é um profissional da banca de alto calibre, não fala apenas em cima do palanque do "achismo bloguístico") cita longamente um estudo sobre a economia europeia e portuguesa. E junta-lhe as suas ideias. Sobre o que se passou na década de 2000 (e antes), sobre o consulado socratista. E sobre o futuro próximo da economia portuguesa - ou seja, sobre os momentos que estamos agora a viver.

Ponham-se de lado as nossas zangas e resmunguices. Pois é muito interessante ir ler (ou reler) este texto, luminoso. Está aqui o seu "Tsunami no Horizonte". Convém a todos lê-lo. Muito em particular, atrevo-me a dizer, aos que responsabilizam o (fraco) governo português pelo triste estado do país. Pois é preciso recordar, a ver se é possível melhorar.

publicado às 15:33

Ainda ontem referi a minha capacidade para antecipar as questões sportinguistas. Sei que estas minhas afirmações provocam o desdém dos visitantes ou, quanto muito, um sorriso aos que vão tendo simpatia para com este blog.

Então, por isso mesmo, e para que mais uma vez comprove os meus dons oraculares no que ao Sporting diz respeito aqui deixo reprodução de um velho postal, muito sintético, de 14.11.2009: Última hora: apresentação do novo treinador do Sporting.

 

publicado às 11:43

É só um corno, seus cornudos

por jpt, em 23.03.13

publicado às 06:28

Hoje, Verde Dia

por jpt, em 23.03.13

 

 

 (Sporting da Ilha de Moçambique, Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

Um excelente postal de Pedro Correia sobre a situação do Sporting "As raízes do fracasso", explicitando a cupidez instalada nas últimas administrações baeadas no mais rasteiro populismo. E ligando a esta excelente reportagem,  Verdes Anos, narrando as absurdas últimas décadas do clube. Como diz Paulo Futre: "Depois de João Rocha não houve ninguém à altura do clube".

 

"Verdes anos" é um bom documentário para começar este hoje, um "Verde Dia".

publicado às 06:11

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