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Quero ver Portugal na CEE

por mvf, em 22.03.13


Fiz esta fotografia por volta de 86, com um Soares anunciando a entrada na então CEE como se de um vulgar detergente se tratasse e como se fosse ele o único responsável pelo processo. Talvez o caso não fosse para menos, a felicidade do sonho europeu, leia-se o dinheiro que entraria a rodos ( e não seria preciso contabilidade organizada para justificar os gastos... ), resolvia o estado em que Portugal se encontrava, passados que eram uma dúzia de anos sobre a revolução de 25 de Abril de 1974, um PREC - que agora alguns querem à viva força recuperar como um tempo de felicidade e progresso, embotando a memória de outros tantos que são, afinal, muito mais - uma saída atabalhoada e, muitas vezes trágica, dos territórios ultramarinos que passou de exemplar a " foi a possível", duas entradas do FMI pela porta grande da Portela de Sacavém que hoje parece ser episódio apagado dos responsáveis da altura (Mário Soares é um e o primeiro) e dos seguidistas dos aparelhos partidários dominantes, se preferirmos podemos sem dificuldade pensar em blocos centralizados com matizes alaranjadas e rosadas, ou Soares & Cavaco Limitada e suas versões subsequentes, com mais ou menos embirrações dos dois (porra mais os gajos que juntos somam nos cargos que foram ocupando quase tantos anos como o Matusalém!), o facto é que andaram de línguas entrelaçadas dentro das respectivas bocas anos a fio. Certo é que foram tempos eufóricos aqueles que se seguiram à entrada na CEE e mais ainda com a entrada na moeda única, o agora desiquilibrado e a caminho de ser enjeitado €uro... Não foi exclusivo português e foi uma festa de que a vilanagem não se fartou. Enfim, está à vista de Lisboa a Nicósia, de Madrid a Atenas e a ver vamos se de Paris a Budapeste com abastecimento de jornada no discreto Luxemburgo, que parece não existir como lugar de repouso de capitais variados, o verniz homogeneizado europeu não estala de vez. Entretanto o inglês lá continua com a sua livre libra e manda o resto às urtigas que a Velha Albion não vai em cantilenas. Curioso notar que os antigos e secos eurocépticos floriram, andam felizes e esfregam as manápulas de contentamento pela eventual razão antecipada que apregoaram, ou seja, que a coisa não ia porque não podia funcionar, esquecendo-se que a verificar-se o esfumar da organização, um bocado do céu lhes pode cair em cima das cabeças, os não-crentes na Europa unida, da Esquerda que faz tempo não (o)usa dizer-se extrema pois já não defende a ditadura do proletariado a céu aberto como o não faz com outros estandartes esfarrapados, desajustados do discurso em pleno séc. XXI, século sem ideologias, e da Direita, que já a não há Ultra a não ser em estádios de futebol e bairros relativamente típicos e/ ou suburbanos de muitas cidades dos 27 - é o que se supõe e seria bom não haver grandes distracções... -, uma Direita que também ela se moldou mas que, no fundo se não rendeu, igualmente aos encantos de Bruxelas, saltam das respectivas tocas ou covis ( à escolha o termo consoante pareça mais adequado) numa sagração primaveril que, não espantando, entristece. Depois há ainda os que consoante o vento fazem como a Maria: vão com as outras. Foram europeístas convictos, tornar-se-ão anti-UE se tiver que ser, dirão tranquilamente que sempre questionaram a ideia europeia mas nunca exteriorizando as dúvidas porque não venha o demo tecê-las e porque é sempre bom dizer que sim à titi (agradeço ao velho Eça esta relíquia que me serve de bengala), foram até federalistas num tempo que se pensou ser esse o caminho, aplaudiram de pé, e portanto com entusiasmo, Maastricht e o Tratado de Lisboa mesmo sem entenderem porra nenhuma, aliás como eu, e sentados nas últimas filas das salas que frequentam com acesso garantido por filiação partidária e salário vindo do erário público, pois um dia, ai que esse dia tarda mas não falha, estarão os até agora anónimos, prontos e diligentes na linha da frente dos destinos dos seus países, cidades, vilas , aldeias ou qualquer merda que lhes garanta um penacho que lhes enfeite os cornos e lhes disfarce as fuças mal desenhadas e que se lixe o resto que um poleiro, normalizado como o das galinhas poedeiras segundo normas da UE, é o que interessa e, na verdade, esta gente sem préstimo conhecido não vê para além dos seus amados líderes que sonham substituir quando chegar a hora. A esses, chamam-se com injustiça evidente, lambe-botas, carreiristas e qualquer taxista de Lisboa numa linguagem mais livre os tratará de chulos, gatunos e por aí abaixo. Uns ingratos estes taxistas, já se vê...

Enfim, acabo já com o relambório enfastiante, pois estamos como se sabe, se é que se sabe como é que estamos...

Fica como fecho deste mal amanhado desabafo sobre a situação em Portugal, desculpem o paroquianismo mas (ainda) é na gasta Pátria que vivo, e na Europa da União Europeia, uma delicada expressão de Ramalho Ortigão - em "Carta aberta a Sir John Bull" - sobre a Inglaterra, no dizer de Heine, uma indigesta ilha, e que me parece poder ser utilizada em âmbito mais vasto:

"Só o nojo de vomitá-la, impediu o mar de engoli-la"*

Vosso, enfadado, enjoado, lixado e cheio de sono
mvf


*cito de cor e peço desculpa à ramalhal figura por eventual falta de rigor


Foto: ©miguel valle de figueiredo, Lisboa, circa 1986

publicado às 07:22

Politeísmo (23): Porque sim

por AL, em 21.03.13

AL (para o P)

publicado às 16:25
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:18

As eleições do Sporting são este fim-de-semana. Por isso e pelo processo que as anteceu lembro este meu postal "Sporting sem norte nem sul" (26.2.2011), um mês antes das últimas eleições. Reproduzo-o, não só pela sua actualidade também facial. Mas porque tão premonitório que até me angustia (terei eu o dom? poderes?). Avanço uma das frase que lá deixei, repito, há dois anos, um mês antes de Godinho Lopes ter sido eleito: "O godinhismo, avatar da cleptocracia lusa do bloco central, será apenas o peido-mestre do clube."


 

 

 

 

 

 

Em Janeiro o então presidente do Sporting (ex-director financeiro do presidente Roquette) anunciou a nomeação de um vice-presidente para o futebol, José Couceiro, treinador de futebol de profissão. Este chegou e afirmou que "nunca treinaria o Sporting". Quinze dias depois Bettencourt (antigo director financeiro de Roquette, naquele momento primeiro presidente remunerado do Sporting) demite-se (quinze dias depois de incluir um vice-presidente, frise-se). Agora, um mês e meio depois Couceiro torna-se treinador do clube. Um clube e uma gente "sem rei nem roque", sem norte nem sul. Daqui a um mês eleições. Apresta-se a elite sportinguista para cerrar fileiras em torno de Godinho Lopes (o homem dos barcos da Expo-98, e que a justiça estatal não conseguiu prender) e de Luís Duque (o homem indiciado por qualquer coisa e que a justiça estatal não conseguirá prender). Para compor o ramalhete chamaram o apoio de Angelo Correia, essa imensamente narrável personagem do submundo político português (dizem até que Passos Coelho é sua criatura, o que anuncia tempos desgraçados para Portugal). Godinho e Duque foram ambos cruciais no grupo de interesses, ligados à banca e à construção civil, que em quinze anos construíu um Sporting sem património imobiliário e devedor de 400 milhões de euros (Bettencourt dixit). O povo, sportinguista ou não, que todos os dias vê na televisão e no supermercado o que provoca a avidez usurária e cleptocrática destes meliantes de nome sonante e empregos reluzentes, esquece-se da tralha que enfrenta porque é da bola que se trata. Alguns até esfregam as mãos, acreditam que tendo uns mariolas no poder será possível vencer o gabiru Pinto da Costa e o mafioso Rui Costa (o homem dos túneis). Enganam-se, Roquette vinha com essa fama, tinha enganado o Estado e a sociedade, vendera um banco aos espanhóis (uma ilegalidade, então) torneando a lei. Chegou ao Sporting com essa aura, de aldrabão iluminado. Quinze anos depois o roquetismo provocou um Sporting falido. Arrombado. E com toda a certeza que alguém roquetou, muito ganhou. O godinhismo, avatar da cleptocracia lusa do bloco central, será apenas o peido-mestre do clube. Ainda haverá algo para dissipar? Para transportar? No meio desta merda toda Couceiro, o vice-presidente que "nunca irá treinar o Sporting", ainda é o mal menor. Mas, entenda-se, é uma vergonha. De desnorte e de dessul. E vai ser pior daqui em diante. Por muito que agite, malandro, o apelido Peyroteo.

publicado às 04:59

Simpósio

por jpt, em 20.03.13

(Fotografia de Helena Ferro de Gouveia)

 

Helena Ferro de Gouveia, consóror bloguista, veio a Maputo e conta como foi a sua permanência em curta missão de trabalho. E tem a simpatia de referir o simpósio blogal que por cá aconteceu. Ficamos à espera da próxima vez.

publicado às 22:44

Parece um filme,

por jpt, em 20.03.13

Administradora Maria Teodora Cardoso

Teodora Cardoso, administradora do Banco de Portugal, parceira de José Magalhães

 

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, parceiro de José Magalhães

José Magalhães, o secretário de estado que esbanjou o erário público em bric-a-brac maçónico

 

 


 

 

daqueles americanos, aquelas teias quase inquebrantáveis, apenas vulneráveis ao lone ranger - acabo de ver "Protegendo o inimigo (Safe House)" com Denzel Washington, um dos inúmeros exemplos dessa mitologia americana. Pois acabado o filme passo pelos telejornais portugueses e vejo (na SIC) o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a falar num evento chamado Fórum das Políticas Públicas, organizado pelo ISCTE, e também aqui narrado, anunciando a sua visão do futuro económico do país. A seu lado outro membro da administração do Banco de Portugal, a dra. Teodora Cardoso, que bem criticou a troika. Desta gente que governa o banco central esperamos a maior ponderação e competência, ainda para mais nestes tempos conturbados. Que sejam um garante das finanças mas também da sanidade intelectual publica.

 

Ora na mesa do tal Fórum, ladeando-os, também estava José Magalhães, antigo partenaire televisivo de José Pacheco Pereira, e em tempos um simpático precursor pois produtor de manuais de internet. E também antigo secretário de estado de José Sócrates, esse mesmo Magalhães cujo desrespeito pela coisa pública o levou a esbanjar o erário público a comprar decoração com motivos maçónicos (está aqui). Fosse noutro país democrático a carreira pública - não só política - de Magalhães estaria terminada. Seria, até hipocritamente, evitado por todos. Correligionários explícitos e implícitos.

 

Mas em Portugal, quando ansiamos como peixe fora de água por clarividência e honestidade, é o contrário. O governador do Banco de Portugal (e outros administradores) acham perfeitamente normal sentarem-se à mesa pública com um tipo que rouba o estado para satisfazer as suas pulsões espirituais e denotar as suas fidelidades organizacionais, anunciar as suas redes. O ISCTE, organismo público, acha normal dar sede a um tipo destes (mas no ISCTE esperamos tudo, principalmente o silêncio nada acabrunhado dos seus docentes não maçónicos).

 

Parece um filme, claro. O país a precisar de gente nova, sistema novo, procedimentos novos. E esta cáfila a amparar-se, a segurar-se. Como poderemos aceitar que num momento de crise abissal destas, de suprema desconfiança no sistema financeiro (e no político), o governador do Banco de Portugal e seus administradores, aceitam sentar-se com um tipo com um passado de más práticas governativas? A Dra. Teodora Cardoso, lesta em botar contra a troika, não lhe ocorre escolher os parceiros com quem se apresenta à informação, ao país? Não me venham com as competâncias técnicas de Cardoso e de Costa. Pois não servem. São, visceralmente, incompetentes. Pois nos lugares que têm não se podem sentar ao lado de um tipo, não sei se já disse, José Magalhães, que inaceitavelmente gasta o erário público a comprar quinquilharia maçónica.

 

Parece um filme. Mas não é. É apenas o lixo à superfície. E vai resistir. Regressar.

 

publicado às 21:42

Em 27.3.2011 coloquei aqui este postal dedicado às eleições do Sporting, então ocorridas. Nesta semana que antecede novas eleições recoloco-o. Porque nele me lembrava de uma das questões fundamentais do clube (a outra é a impossibilidade económica-financeira): a sua efectiva decadência sociológica. Como inverter o rumo?


 

Durante a noite de ontem leio num jornal que se esperava o maior número de sempre de participantes numas eleições do Sporting. Depois foi confirmado, o maior número de votos de sempre. Mas, como mostra a foto acima (retirada do jornal Record, ali sem indicação da autoria), os sócios do Sporting têm número de votos diferenciados consoante os anos de associativismo. Assim sendo é preciso realçar que estas eleições tiveram o maior número de votos mas não de votantes.

Disto retiro o que considero mais significante destas eleições. Lembrando que decorreram num momento de enorme crise do Sporting (financeira, desportiva e económica), que foram super-animadas com cinco candidatos, chegados com propostas sonoras (os tonitruantes nomes de Zico, Rijkaard e Van Basten, por exemplo, para além dos avatares de Abramovich). E que colheram a extrema atenção de três canais televisivos generalistas e vários canais de cabo, tantos deles com debates com os candidatos (e respectivos apoiantes, para além dos comentadores), uma pluralidade de canais radiofónicos, bem como três jornais desportivos diários, e inúmeros sítios da internet (já para não falar de blogs e do omnipresente [omnipotente?] facebook), todos esses meios centrados nas eleições do Sporting, e evidentemente apelando e induzindo à participação dos votantes.

Ainda assim as eleições do Sporting tiveram menos votantes (não menos votos, devido à ponderação que acima refiro) do que as realizadas em 1988 e 1989, onde a atenção mediática e o "aquecimento" do ambiente era bem diferente [então apenas existiam dois canais de televisão estatal, havia menos rádio, menos imprensa desportiva, e inexistia a internet]. Isto demonstra bem a redução do peso do clube na sociedade, da adesão, do fervor (por mais confusão que haja na madrugada pós-eleitoral). E ainda o envelhecimento dos sócios (mais votos pois têm mais anos de inscrição). Que a nova direcção tenha isso em conta. E que tente inverter, em Portugal e no estrangeiro, o emagrecimento do clube.

publicado às 08:29

O "eurocapitalismo"

por jpt, em 19.03.13

 

No mural-FB de um meu amigo real está afixada esta deliciosa fotografia. Que não diz quase tudo. Mas diz muito e deixa, assim, cada um dizer o mais que lhe ocorre. E o que ocorre a cada um depende muito de onde está, de onde vive e onde quer viver.

 

Na minha "gasta" e "amada" pátria e arredores, subjugados pela sensação de crise, há quem queira acabar com o capitalismo. É um assunto a discutir. Os seus antepassados políticos foram uns viscerais defensores do capitalismo ("de Estado") mas pode ser que tenham aprendido alguma coisa, com aquilo do "socialismo real" e dos morticínios praticados e da efectiva pobreza disseminada. Duvido, mas poderá haver esperança na razão humana? Há os liberais, esses do liberalismo económico, que defendem o capitalismo, e que são panteístas, acreditam que por todo o lado (até nas calotas polares que não derretem, claro, e nas florestas, que desabrocham, viçosas) está deus nosso senhor em avatar mão invisível, provocando que seja virtuoso tudo o que se passa entre os homens desde que estes livres indivíduos, desalgemados da influência desse mito (ainda que algemador) "sociedade", às vezes dito "estado".

 

Depois há a maioria, que defende o capitalismo, o capitalismo corporativo. Para a qual tudo estará bem desde que tudo fique como antes, que as corporações nacionais (os países, para quem não entenda) privilegiadas se mantenham ricas e as corporações nacionais desprivilegiadas melhorem um bocadinho, coitadinhas - são estes os grandes clientes da democracia populista, que tem vingado no continente. Por outras palavras, mantenha-se ao limite possível a "troca desigual" internacional e as futuras gerações que paguem os défices que entretanto provocamos com os níveis de consumo e de .... serviços - e por alguma razão há algumas décadas se proibiram os supraendividamentos públicos aos sistemas bancários estatais, remetendo-se os estados para empréstimos na banca privada. Certo, tudo terminou como está agora. Há quem veja esta medida como uma "(teoria da) conspiração" do capital. Esquecem é que suas causas foram (também) a demência endividadora do populismo multipartidário, e a tentativa de a vedar. Neste eixo corporativo há um fluído grupo composto pelos que dizem querer acabar com o capitalismo, os "indignados", mas não querem bem isso. São os barulhentos neo-Keynesianos, querem viver no capitalismo desde que tenham os privilégios de o fazer e a liberdade de protestar por isso mesmo, e também de fazerem o bem, "ajudarem" na "alterglobalização" - à qual antes chamavam "ajuda pública ao desenvolvimento" -, coitados dos indígenas. Mas não lhes apetece assumir isso, tudo um aparente conservadorismo que não fica bem no youtube.

 

Eu não sei bem em qual destes grupos estou. Ando angustiado, com o meu país e com a minha família. Apetecia-me que a gente continuasse a viver bem.

 

Tal como diz a fotografia penso que isto não é uma "crise" (no mundo nunca houve tanta gente a viver bem ou, pelo menos, melhor). É o capitalismo. Está agora numa fase de "capitalismo real"? Sim, e em alguns sítios isso esmaga (noutros faz brotar). Por isso a pedir uma grande mudança. Radical. Talvez a exigir revolucionários, mais ou menos furibundos, furiosos, descabelados. Mas nunca populistas. Principalmente os de ar sereno.

 

Fico então a pensar, em píncaros de ingenuidade, se será possível um capitalismo "de rosto humano".

 

Um eurocapitalismo, para glosar a expressão europeia dos anos 1970s. 

publicado às 13:19

Politeísmo (22): avatar

por jpt, em 18.03.13

publicado às 15:29

O Professor

por jpt, em 18.03.13

 

Nosso professor no mestrado, no ISCTE. Nós chegados de outras áreas, desconfiados do discurso economês, aquela arrogância ideológica que se grita ciência, aquela outra vinda da costela dos gestores disfarçados. E a sermos recebidos por um economista assim, economia compreensiva, outros a dizerem-na "economia social". Debruçado na questão do desenvolvimento, mudar "isto" - e acho que ainda não se lhe chamava "sustentável", era "enraízado" o apelido inglês que se lhe dava. E quão complexo era pensar o desenvolvimento naquele princípio dos anos 1990s, esbroado o mito comunista, explodindo os "tigres", alterando-se a situação política em África sob "Bretton Woods", contratualizando-se o GATT. E, já então, notoriamente descentrando-se o mundo da Europa. Podemo-nos sentar, eu, o FF e não só, e não só, e constatar que para tanto do que se anda hoje a discutir [a nossa vida, o nosso futuro, e o da(s) nossa(s) comunidade(s)] fomos nós convocados naquela altura. Alguns responderam à chamada, outros nem tanto. Pois a cada um o seu caminho, intelectual e profissional.

 

Assim um Professor. Um cavalheiro, também, dotado de uma enorme doçura, cruzada com a ironia bem-humorada. Com especial carinho por nós, gente da antropologia. Não só pelo seu humanismo. E não só por causa da sua paixão por Cabo Verde ... Passados anos, uma década, integrou um processo de formação pós-graduada em Maputo. Por várias vezes aqui esteve. Foi visita cá em casa, nós cerimoniosos, em reverência não só pela sua idade. Nessas vezes chegou, pelo acaso, até a coincidir com o antropólogo da sua família, o Jorge, nosso companheiro de há muito. E era sempre um prazer a conversa com ele. Até pelo seu interesse no que aqui fazíamos e no aqui se passava, até nisso denotando um raro descentramento. De si próprio, do seu e nosso país. E do pequeno  mundo académico.

 

Um economista nada acidental. Ficam os livros ali na estante. E também a sua página informática. Para quem o leu e conheceu. E para quem não o leu. Está aqui: Mário Murteira.

publicado às 00:21

Vêem-se gregos, os cipriotas

por jpt, em 17.03.13

 

Viajei no Chipre em 1982, o primeiro inter-rail. Ficou-me uma imagem meio esbatida, pelo tempo e não só. Lembro o Muro de Nicósia, que achei pouco imponente e bem estranho (até porque na altura os "turcos" infiéis não eram os inimigos, estes vinham mais do norte), o alegre convívio júnior, até esfuziante, uma fome combatida a cervejas e muito ocasionais spaguetis e estes magníficos mosaicos de Paphos. Foi uma semana, depois voltámos à Grécia, inebriados pela história no Peloponeso, e pela fome vivida e as cervejas bebidas.

Pelo Chipre e cipriotas ficou-me este carinho, de memória. Agora vejo que lhes esbulharam as poupanças. Não sei que lhes terá acontecido e o que terão feito para se chegar a este desenho. Cheira-me que é o princípio do fim. Do quê não sei, mas de alguma coisa será. Não que me surpreenda, cá no blog falou-se disso há uns dois anos. Emigrantes remediados, pequeninos aforradores, pensámos que o dinheiro (a moeda) entregue à guarda dos gabirús poderia desaparecer. Nos comentários co-bloguistas mais sábios na vil matéria aconselhavam: compra dólares, não os guardes em Portugal (e arredores).

Ora aí está. Hoje vê-se grego o cipriota e eu não disse nada ... amanhã ver-se-á grego o búlgaro e eu não direi nada ... depois de amanhã, ver-se-á grego o ... É ir ler o Brecht, que tem uma ladaínha dessas.

Solução? Simples. Ponham o dinheiro no estrangeiro, mesmo que seja pouco. Num estrangeiro. Escolham bem. Façam como os gabirús. E, se puderem, vão atrás dele. Não deles. Dele.

publicado às 22:15

 

A fotografia está no jornal "A Bola", na edição informática de hoje, acompanhando as declarações do retratado. Trata-se de uma notória excitação do jornal, habitual em desmandos, diga-se. E prontamente (mal)reproduzida pelo rival "Record", que faz uma trapalhada com o texto, tornando-o ainda mais incompreensível. O habitual, que isto dos jornais desportivos está uma sem-graça.

 

Trata-se das declarações de Enoque João, o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, uma associação que à partida recolhe toda a minha simpatia. O conteúdo da notícia respeitante às afirmações do referido presidente Enoque João é este:

 

O presidente da Casa de Moçambique em Portugal, Enoque João, acusa Bruno de Carvalho de aproveitamento da recente visita que fez a Maputo em prol da sua candidatura à presidência dos leões. «O Sporting tinha já em marcha um protocolo idêntico com Moçambique», garantiu Enoque João. «Foi claramente um aproveitamento de Bruno de Carvalho. Ele foi apresentar um projeto da Fundação Aragão Pinto com o governo de Moçambique e falou em nome do Sporting. Não o podia fazer e por isso digo que foi claramente um aproveitamento da situação», diz a A BOLA. Enoque João acrescenta que a atitude de Bruno de Carvalho foi como que «uma punhalada a Godinho Lopes», o ainda presidente dos leões que, tal como o candidato da lista B, é moçambicano. O presidente da Casa de Moçambique em Portugal enaltece depois as qualidades de José Couceiro, o candidato da lista C às eleições do Sporting, que têm lugar no próximo dia 23. «Devemos apoiar José Couceiro», apontou e completou: «Ele é uma referência do Sporting. Pelo passado que tem no clube e no futebol. E o Sporting é um clube de Portugal, não é um clube de bairro. Por isso Bruno de Carvalho deveria ter procedido de outra forma.»  

 

Está mal. E está mesmo muito mal o referido Enoque João, presidente, repito, da Casa de Moçambique em Portugal, imigrante moçambicano em Portugal e dirigente associativo, e que surge nessa condição a falar aos jornais sobre a situação eleitoral do Sporting, inclusivamente tomando partido em nome colectivo (repare-se no "Devemos apoiar José Couceiro").

 

a) Está mal Enoque João porque está factualmente errado. Como me escreve o amigo João Trincheiras, indefectível sportinguista há muito residente em Moçambique, e que presenciou as acções em Moçambique do candidato atacado por Enoque João: "O Bruno [Carvalho] tinha este protocolo marcado há meses. Durante o lançamento da academia não se referiu ao nome Sporting. Eu estava lá e perguntem ao Mario Coluna que também lá estava.


Esse protocolo com Moçambique [o referido por Enoque João, assinado por Sporting e entidades moçambicanas] está onde?. O único protocolo que existe é um documento assinado entre o Sporting e vários membros do Núcleo Sportinguista de Moçambique onde me incluo eu [e eu também, diz o jpt, honrado] e que está parado há quase 6 anos.


A Academia [a agora lançada por Bruno Carvalho em Maputo] não é de futebol. [O nome de Enoque João vem sim numa carta dirigida ao Ministro da Juventude e Desporrtos feita pelo Sporting SAD mas de intenções e sobre uma academia de futebol e com o Maxaquene. São duas coisas diferentes e academias diferentes. Claro que o BC ira dar seguimento a essa carta.] Os jornais sabem criar noticias maningue picantes e até colocam pessoas que não são do Sporting a dizer estas coisas..."


b) Está mal Enoque João porque fala em nome colectivo, ao expressar o apoio a um candidato num processo eleitoral enquanto presidente, assim convocando todos os membros da associação a que preside, a Casa de Moçambique em Portugal. A qual agrega, julgo, amantes do país residentes em Portugal e membros da comunidade imigrante moçambicana em Portugal. Deste modo convocados para tomar partido neste processo eleitoral. Julgo que sem ter sido consultados - aliás, presumo que a maioria nem estará interessada nesta questão. Por não serem adeptos clubísticos, por não serem sportinguistas. Por acharem que a associação Casa de Moçambique em Portugal não é para discutir estes assuntos. E, alguns, por serem estrangeiros, desligados destas questões.


c) Está mal Enoque João, e ainda mais mal está. Pois, como logo dizem os seus amigos aqui de Maputo, ele não é sportinguista. Será, dizem-me até risonhos, um adepto do Futebol Clube do Porto.


Ou seja, é como termos o presidente da Associação Portuguesa de Moçambique (a sede é na F. Engels, Maputo), ainda para mais sendo um adepto do Ferroviário ou do Desportivo, a intervir em nome da colectividade no processo eleitoral do Maxaquene. Uma sem-vergonha, que todos cobrariam.


Pois ter o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, adepto do Porto, a mentir sobre a viagem de Bruno Carvalho a Maputo e a dizer(-nos) quem devemos escolher para presidente, é um caso radical de imprudência e desonestidade. Andradismo em estado puro. E de radical incúria dos jornalistas que o ecoam e usam. Ou então é um caso de aluguer jornalístico. Também acontece

publicado às 14:17


AL

publicado às 06:54
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:19

Portugal

por jpt, em 16.03.13

 

Esta fotografia do Luís Abelard acompanha-me há anos. Desde que ele a mostrou, então vindo das cheias aqui a sul no início de XXI. É um all-in-one. Serve-me amiúde, demasiadas vezes, para entender o meu caminho. Às vezes, nem tantas, para entender o caminho alheio.

 

Serve-me agora, claro, para compreender a situação portuguesa, anunciada nos jornais, que ecoam os resultados da última avaliação externa (auditoria?). Uma desgraça: as despesas não baixam, o desemprego cresce, a recessão aumenta, e o final disto é antevisto para as calendas gregas ("mais tempo", diz-se).

 

O que os outros antes escangalharam não consegue este governo remediar. Está uma cangalhada. Nas sociedades não há a opção "reboot". Só há uma função válida: mudança.

 

Mas ... como? E com quem? 

publicado às 05:32

Textos em Moçambique

por jpt, em 15.03.13

Há algum tempo juntei dois blocos de textos, na sua grande maioria dedicados a Moçambique, e dei-lhes formato como-se-livro. E incrustei-os aqui no ma-schamba e num outro local, a minha página na rede Academia - pois, apesar de não serem, por definição, textos académicos ou profissionais, para os quais a rede Academia está concebida, ela é um bom sítio para se arquivarem textos, disponibilizando-os para leitura e/ou consulta. Assim sendo utilizei-a, sem escrúpulos deontológicos. 

 

Acontece que na recente passagem do ma-schamba do sistema wordpress para o Sapo, os arquivos de textos aqui se perderam. Presumo que por este novo sistema não ter essa disponibilidade. Portanto aqui deixo, de novo, a ligação para as colecções de textos. Basta "clicar" e aceder. Depois, a quem encontrar interesse bastará gravar:

 

 

 


 

 

(machamba perto do Búzi, fotografia de jpt)

 

Este é o conjunto que levou o nome de Ao Balcão da Cantina, 57 textos, parte sobre viagens no país, outra parte sobre andanças mais trepidantes em Maputo.

 

 (desenho de Ídasse)

 

E este é o "Desde o Canal de Moçambique". 56 textos, a maioria escritos entre sofá e escritório, no Maputo.

publicado às 08:16

Um roteiro diferente

por AL, em 15.03.13

Via email chega-me este video produzido, dizem-me, pela TAP – Lisboa vista pelo prisma dos vinhos e petiscos. Um pouco longo, é verdade, mas que vale a pena espreitar. Figura nele o meu bar preferido de Lisboa: o Chafariz do Vinho. Que, caso não conheçam, recomendo passem a conhecer. A selecção de vinhos é basta e de qualidade, os petiscos são de ir ao céu e voltar, o ambiente é único e o acolhimento cativa-nos.

AL

publicado às 04:21



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