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Tão perto...

por AL, em 14.03.13

 

Vejo-a do outro lado do meu telefone. O oval do rosto agora talhado em preocupação, os olhos em sombras de noites mal dormidas, o sorriso sempre terno e alegre agora diluído nas lágrimas que lhe caem. Fala-me do tudo que lhe tiraram: o trabalho de uma vida, a esperança de futuro melhor. Ficou-lhe este presente dorido que lhe pesa. Faço minha a sua dor, sufoco o entulho que sinto na garganta e mais não consigo dizer que as platitudes habituais. Mesmo sabendo-a por demais inteligente para com elas se consolar. Palavras vãs, meros embrulhos daquilo que nos une e o pudor nos impede de articular. Uma dor que nos ata, um laço que nunca se desfaz.

Vejo-a do outro lado do meu telefone. Tão na ponta dos meus dedos e eu sem lhe poder tocar...

AL

 

 

publicado às 19:13

Já não há velas no céu…

por AL, em 14.03.13

Vagueando pela net, hoje dominada pela nomeação do novo Papa, deparo-me com este blog com uma bem interessante colecção de fotos sobre o acontecimento. Deixo esta acima reproduzida e convido os leitores a clicarem aqui para verem as restantes.

AL

publicado às 17:25

Politeísmo (20): Atena

por jpt, em 14.03.13

publicado às 16:21

Hugo Chavez no conclave

por jpt, em 13.03.13

Uma semana após a morte de Chávez cresce a procura por produtos como os conhecidos bonecos do presidente (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)


[Bonecos de Chávez são vendidos nesta terça-feira (12) nas ruas de Caracas (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)]

 

Para Nicolás Maduro, Presidente em exercício da Venezuela, o falecido Presidente Hugo Chávez terá tido alguma influência na eleição de um Papa argentino. “Nós sabemos que o nosso comandante subiu até às alturas, que está em frente de Cristo. Alguma coisa influenciou para que tenha sido escolhido um Papa sul-americano, alguma mão nova chegou a Cristo e lhe disse: chegou a hora da América do Sul. Assim nos parece”, disse Maduro em declarações transmitidas pela televisão oficial venezuelana. (nos jornais)

 

Em Portugal Boaventura Sousa Santos escreve um texto sobre Chavez de verdadeira ciência política, debruçando-se sobre a "química" chaveziana, base do seu poder, o socialismo de XXI. Culmina BSS com uma crítica aos políticos democratas (capitalistas) europeus, pois quando morrem não são chorados em sofrimento popular. Constate-se a mudança neste o teórico do socialismo de XXI: não só o sufrágio universal é insuficiente, as eleições não legitimam o poder, como também as "arruadas", antes tão convocadas, são insuficientes. Agora o critério de validade progressista, da legitimidade política, transitou para a dimensão dos rios de lágrimas apaixonadas (pre mortem e post mortem) que os políticos causam. O "condoímento" é o condimento desta teoria? 

 

Os bloguistas e leitores desta esquerda pós-iluminista (e defensora da teocracia iraniana - já agora, quantas lágrimas de pesar colherá Ahmadinejad?) "linkam" e "laicam". Os intelectuais apoiam. Os académicos apoiam. E, mais do que tudo, citam e referenciam. A imprensa remunera. O XXI português, o seu discurso político, resplandece. Deve ser da "química" do "carisma". 

 

Poderosa química, até alquímica. Pois, e como diz o lugar-tenente de Chavez, até Cristo, lá no sagrado Alto, lhe é sensível. Têm então os crentes, os praticantes e até os infiéis, um Papa Chaveziano.

 

publicado às 23:12

O dente de elefante

por jpt, em 13.03.13

AP/Bullit Marquez

 

(Fotografia AP/Bullit Marquez)

 

O meu texto na coluna "Ao Balcão da Cantina" na edição de hoje do "Canal de Moçambique". Vai dedicado aos que divulgam as notícias da matança internacional dos paquidermes e de tantas outras desgraças ecológicas que nós-outros, distraídos, desacompanhamos nos nossos pobres quotidianos de mastigação.

 

 

O Dente de Elefante

 

Os elefantes são animais de farto alimento, todos os dias percorrem uma larga área e comem imensa vegetação. Estão confinados, em estreitas áreas cada vez mais exíguas, “reservas ecológicas” ainda não devastadas pelos gafanhotos bípedes, esses museus do mundo que testemunham a nossa demência omnívora e histriónica. Pois se os elefantes comem muito os homens são glutões desvairados.

 

Em sendo preservados os elefantes tornam-se excedentários nessas, afinal reduzidas, zonas que habitam. Reproduzem-se, crescem e, repito-me, comem. Por isso por vezes se intenta a difícil transferência de alguns indivíduos para outras áreas. Ou abatem-se excedentários, para evitar a sobre-exploração dos recursos alimentares (e espaciais).

 

Que fazer com o precioso marfim, com os dentes dos elefantes abatidos? Há quem defenda que deve ser vendido, um recurso. Há quem diga – e diz com razão, e nem sequer o discuto, é-me dogma – que o marfim das presas dos elefantes não é um recurso, não deve ser vendido. Ou seja, que não é precioso, pois não tem preço. Mesmo que o abate controlado seja necessário, o marfim não é um bem transaccionável, não é um bem utilizável.

 

E talvez essa seja a grande questão, bem para além dos elefantes: o necessário combate a essa histórica e demencial ideia de que tudo o que nos rodeia é um recurso, consumível. Comercializável. Em suma, que tudo é taco … que tudo é dólar. Mas enfrentar esta ideia ultrapassa as forças do meu teclado e o espaço deste jornal. Mesmo num país Moçambique em que, por quase todo o lado, essa ideia de preservação (até sagrada) de áreas de flora e de espécies de fauna existe nas “visões do mundo” das populações. Mesmo que o crescimento populacional e a baixa produtividade agrícola as empurre para o constante destroncar, para as descontroladas queimadas, a ideia de que tudo é recurso apropriável e comerciável vive muito mais nos compêndios de Gestão e similares, nas almas dos (candidatos a) PHDs e nas dos grandes possidentes, do que nas práticas de quem vive da terra e convive, conflituando, com os animais.

 

Em suma, retirar totalmente as presas de elefante do mercado, impedir a sua utilização, é a única forma de tentar evitar a sua extinção. Evitar o comércio. E punir a sua utilização. Punições legais, claro. Mas, e se calhar acima de tudo, as punições morais. A desvalorização de quem usa os enfeites ou outros produtos delas derivadas. Nesta questão eu sempre uso o mesmo exemplo: há décadas no Ocidente era costume as mulheres usarem peles de leopardo. Caríssimas, bens de luxo. Ou imitações. Acontece que as vestes de pele de leopardo (ou a sua imitação) passaram a ser associadas a mulheres de mau porte, “profissionais do sexo” entenda-se. Terá sido a melhor forma de as desvalorizar.

 

Recordo que há alguns anos, ainda nos 1990s, acompanhei um simpático patrício, aqui professor universitário, ao “mercado do pau”, a feira de artesanato dos sábados na Baixa. Era ele muito dado ao bric-a-brac, coleccionador de artesanato, dele conhecedor e pesquisador. E foi-se a comprar um pequeno artefacto de marfim, uma obra belíssima. Resmunguei, sabia ele da minha dogmática oposição, e a modos que a desculpar-se disse-me “bem, o bicho já está morto”. Pois, respondi, “mas não estou preocupado com o elefante. A questão é que quem usa marfim é, literalmente, um filho da p …”, mas juntei-lhe as letras todas. Não percebi bem porquê mas ofendeu-se, como se o ofendido não fosse eu, ainda para mais ali a ver e a acompanhar aquela miserável indignidade.

 

Bem, mas isto são pequenas memórias, talvez até indignas de ascenderem a um jornal. Vêm elas a propósito das notícias que explodem. Da razia na fauna africana, nos últimos anos a caça furtiva (?, será mesmo furtiva?) a rinocerontes, estes agonizantes, próximos da extinção. E na devastação das populações de elefantes. Em poucos anos os países africanos perderam mais de metade dos elefantes (atenção, não é dos “seus” elefantes como a língua nos leva a dizer, atraiçoando-nos o pensamento. Pois os elefantes não “são” de ninguém, pessoas ou países).

 

Não falo dessa torpe “caça desportiva”, homens endinheirados que atravessam o mundo para ejacularem munições abatendo grandes mamíferos, indefesos diante da tecnologia e do saber dos caçadores profissionais, esses que ladeiam os “másculos” da frouxa aventura. Uma pobreza mental, uma miséria moral, coisa há pouco exemplificada pelo espanhol Juan Borbón, em fotos que cruzaram o mundo devido à sua posição profissional. Apenas um entre muitos.

 

Mas o problema fundamental é a caça desenfreada, o abate comercial. Que tem causas actuais. O crescimento económico chinês é uma delas, potenciando o apetite pelo marfim, fazendo explodir a sua importação, como o denunciam as notícias internacionais. Uma sociedade rapidamente enriquecida e que não tem sensibilidade ecológica (nem legislação, ao que parece). Vê-se na devastação própria, com as suas cidades radicalmente poluídas demonizando a vida do seu próprio povo, uma insensibilidade até suicida. Se estão num momento histórico desses ir-se-ão preocupar com os elefantes ou rinocerontes do estrangeiro? Ou com as madeiras raras, que vão comprando até à extinção e desflorestação radical? Que interessa tudo isso diante do apetite de boas mobílias e lindos objectos decorativos, esses que por lá há poucas décadas eram privilégio do topo dos “apparatichks”?

 

Sei que aqui logo alguém dirá “sim, mas vocês europeus …”, ilegitimando o discurso. Sim, os países industrializados devastaram o que puderam, e continuam a devastar. Mas alguns deles conheceram o desenvolvimento de concepções ecológicas, tiveram e têm conflitos sociais sobre a matéria. Neles se tenta, por legislação e práticas, impedir a destruição total do que tanto tem sido destruído. Seja em casa própria seja no restante mundo. Os gigantes emergentes, e a China é o cume disso, não têm esse percurso. E são, agora, vorazes.

 

As notícias desta vaga assassina chegam agora de Moçambique. É a Rádio Moçambique que informa o massacre dos elefantes no Cabo Delgado e Niassa. Milhares deles foram abatidos nos últimos dois anos. Redes internacionais de comércio de marfim alimentam este processo. Que não é, ao contrário de que alguns “contextualizadores” que querem “compreender”, fruto da acção de populações empobrecidas, em busca de sobrevivência. Trata-se da renovação de uma longa tradição, de séculos, de redes de comércio internacional de marfim, agora alimentado com altas tecnologias (caça-se de helicóptero, ao que parece). É uma velha história em terrível embrulho moderno.

 

E nada vai sobrar. Agora aproveitam alguns, poucos, uns milhares de dólares, nem grande coisa será. Que se extinguirão. Tal como os grandes mamíferos.

 

Os outros, todos nós, ficaremos por cá. Mais sozinhos. Mais pobres. E mais feios. É uma desgraça. E é uma desgraça, também, que nem nisto todos concordemos.

 

 

publicado às 08:06

Chef Gourmet

por jpt, em 12.03.13

Aqui está a minha estreia absoluta como chef, gourmet até. Uma receita inventada por mim (se calhar já alguém antes cometera a conjugação em causa, mas desconheço tal).

À entremeada que nos é trazida à mesa (ali ao Recanto dos Sabores, na 24 de Julho), na sua até esponjosa armadilha, mandei juntar-lhe piripiri, a malagueta verde fresca, seccionada no local e espalhada manualmente sobre os finos nacos, à medida da resistência de cada um. Uma delícia, para palatos "como deve de ser".

Acompanha bem com vinho tinto. Leva o cognome de "entremeada à zézé".

publicado às 23:04

Cristo em Nampula

por jpt, em 12.03.13

 

Quadro anónimo fotografado com telefone em Anchilo. Para quem conhece Nampula o quadro é uma delícia, até de realismo.

Sim, eu sei, tenho andado muito perto deste contexto religioso. Fases, se calhar ...

publicado às 22:38

 

Um potlatch, por assim dizer. A mostrar que a idade, o raio da idade, a calvície, a papada, as bossas, estes sacos sob os olhos, tudo isso e mais o resto, não têm que nos amansar. Nem nos tornam "pateticamente banais".

 

Também por isso, pelas mostras, tão surpreendentes quantas vezes, gloriosa é esta invenção do youtube, a permitir o convívio quotidiano com estes heróis, semideuses, a quem orei in illo tempore, nestas suas andanças de um agora. Nada alquebrados, barulhentos. Pujantes, coisa da húbris. Que os possui. Quem me dera a osmose ...

publicado às 22:16

 

Acabo de regressar da sessão de esclarecimento, seguida de jantar, do candidato a presidente do Sporting Bruno Carvalho, realizada aqui em Maputo (no restaurante "Escorpião"). Foi um belo momento de sportinguismo, sócios e adeptos de várias tendências conjugados no anseio do bem comum, o nosso amado clube.

Falo por mim, foi relativamente esclarecedor. Pareceu-me um homem vinculado a um objectivo, o sportinguista, e com uma paixão, até sonho, a sportinguista. Será o homem ideal? Com toda a certeza que não , que isso é coisa inexistente. Duas informações relevantes retirei: Mário Moniz Pereira, esse gigante do sportinguismo, e do país, apoia esta candidatura. E, como se isso não fosse suficiente, Rui Oliveira e Costa, um sportinguista que tive o desgosto de cruzar (na condição de sportinguista) em Maputo há alguns anos, e que vem falando na televisão nessa condição, apoia José Couceiro (para mal deste próprio, se calhar até à revelia deste mesmo). Face a isto, o positivo absoluto (quem maior que Moniz Pereira?) e o negativo absoluto (que opinião mais descabida e que sondagem mais manipulada do que as de Oliveira e Costa?) inclino-me, definitivamente, a apoiar Bruno Carvalho para a próxima eleição. Para mais falou com franqueza, sem promessas de glórias e vitórias, com acentuado realismo.

Deixo fotografia do candidato e, espero, futuro presidente do nosso Sporting Clube de Portugal. A seu lado o excelente João Trincheiras, organizador do evento, homem encantador, daqueles sempre disponíveis para congregar aqueles que andam por bem e que se desdobra no afã de fazer e espalhar esse bem. Um embaixador. Da boa vontade, da decência. Um abraço ao João Trincheiras. E viva o Sporting.

 

Adenda, à laia de nota de rodapé: permito-me ainda um conselho, a viajantes que acorram a Maputo e aos habitantes da cidade. Evitem o restaurante "Escorpião" (à Feira Popular). Comer mal acontece em muitos locais, por esse mundo fora. No "Escorpião" isso não acontece. É mesmo insulto ao cliente. Repugnante, uma total falta de respeito. 

publicado às 21:24

Não sei o que odeio mais: se é o arranjinho em tom de engate bacoco (ou de ir ao **, diriam outros) ou a vozinha em sugestões de intimidade. Porquê?, porquê?. Ah Bill Withers, Bill Withers...

AL

publicado às 06:37
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:20

Lincoln, de Spielberg

por jpt, em 12.03.13

 

Os ecos da sua qualidade, da superlativa interpretação de Day Lewis, impeliram-me a esta novidade. Vendeu-ma David, ali ao "Vosso Supermercado", verdadeira cópia pirata, algo que não costumo fazer (comprei também o "Django", já agora), o que me custou a reprimenda da minha filha, um "pai, isso não se faz" que me enche de orgulho.

 

 

Sobre Lincoln, personalidade histórica, muito está dito. Sobre a excelência de Day Lewis, que protagoniza o filme, já é conhecida há décadas também. Spielberg é um dos heróis da nossa geração, "Encontros Imediatos ..." à frente. Este "Lincoln" pode ser abordável por vários pontos de vista, cinéfilo - e nisso fazendo apelo ao magma da tradição cinematográfica que ali, apesar de leigo, consigo entrever - literário até, estético. Ou até uma semiologia (fora de moda). Ou ainda a necessária reflexão sobre o condimento ideológico, a produção discursiva para consumo interno americano e para a constante disseminação externa da grande nação "arco-íris" "democrática". E haverá ainda outras formas lúcidas de o olhar, dissecar. Até pelos grandes e excelentes participantes (para mim com particular prazer revendo James Spader, para sempre o mano-mais-novo do meu outro alter ego Danny Crane).

 

Mas essa tentativa de dissecação não a farei aqui. A meio do filme, já expulsa a família, estremunhei no sofá. Depois, voltei e acabei-o. Uma grande chatice, cinzenta. Uma pepineira, como antes se dizia. Que pelos vistos tantos gostam. Um desperdício de tempo, tão necessário ele é aos domingos à noite para ver os resumos do futebol alemão.

 

A culpa deve ter sido da cópia. Pirata. "Pai, isso não se faz". Não se faz mesmo. 100 paus para o lixo. E uma grande seca.

publicado às 06:26

Laique (1)

por AL, em 12.03.13

AL

publicado às 04:26
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:50

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publicado às 13:56
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:20

Bento XVI

por jpt, em 10.03.13

 

Lamento-o agora, descarregadas que estão as fotografias no computador. Estava cansado, mesmo exausto. À saída da aldeia, dessas de povoamento disperso, no recomeço da caminhada, ladeio a igreja (católica) local, de blocos feita, encimada por aquelas terríveis placas de zinco que vão produzindo pequenos infernos por esse país fora. E noto o pormenor, delicioso, nele me detenho e num automatismo exaurido fotografo-o, distraindo-me da máquina, dos seus necessários modos. E sigo, na pressa da longa caminhada pela frente. Por isso ficou-me assim este nada, perdido o enquadramento da pequena, isolada e até rara igreja, deste parapeito com a bíblia aberta, ladeada pela pobre cruz esculpida em madeira nova e o plástico cheio de pilhas. E atrás o túnel de luz até à outra janela, aberta para as machambas, lá dentro as cadeiras onde nos sentáramos um pouco, uma conversa seguida de caracata e galinha, a moela para mim, que já cheguei a essa idade. Falhada a fotografia guardo o momento mas não posso partilhar a impressão causada.

 

Ainda assim deixo-a, deixo este momento vivido nesta igreja de uma longínqua povoação de Namaponda, Angoche. Para vos chamar a atenção a um inteligente e belíssimo texto sobre a igreja católica, o catolicismo actual e Bento XVI escrito por José Pacheco Pereira, "O Peregrino". Este ateu gostou.

publicado às 22:15


AL

publicado às 17:25
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:20



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