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A cerveja de mandioca

por jpt, em 05.03.13

 

 

"Com a mandioca das nossas machambas" é o que consta no rótulo desta cerveja Impala, cerveja de mandioca que acabo de conhecer e fruir durante a deslocação à província de Nampula. Um pouco pesada, é certo. Mas aprovada.

 

Espero que se venha a espalhar pelo sul.

publicado às 23:58

Bruno de Carvalho em Maputo

por jpt, em 05.03.13

 

 

O xirico do ma-schamba anda animado mas como isto não é só música, qual uma boa estação de rádio aqui fica ... um anúncio. Dedicado a todos os sportinguistas a sul de Moçambique, Suazilândia e Mpumalanga (e não só, claro). Bruno Carvalho, um dos três candidatos a presidente no Sporting nas próximas eleições de final de Março, desloca-se a Maputo na próxima semana.

 

Na terça-feira, dia 12, acontecerão dois momentos de contacto com as bases sportinguistas. Como informa o cartaz acima reproduzido haverá uma sessão de esclarecimento no teatro Gilberto Mendes (entre as 16 e as 19 horas), seguido de um jantar-convívio no restaurante "Escorpião" (na Feira Popular) a partir das 19.30.

 

Aqui apelo à presença de todos os parentes sportinguistas. Os momentos não são apenas para sócios, com direito a voto. A crise que avassala o Sporting é de tal forma que a mobilização e sensibilização de todos é fundamental. Para que se debata a actualidade e as hipóteses de futuro. 

 

Não se retire daqui que apoio a candidatura de Bruno Carvalho. Mas é urgente ouvir - e inquirir - quem se propõe pilotar a embarcação. Abalroada que foi, adornada que está. Para que depois, se disso for caso, não nos desculpemos com distracções ou ignorâncias. Ou seja, vamos ouvir para crer. Ou descrer. 

 

Até terça-feira.

publicado às 22:58

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publicado às 18:23
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:21

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publicado às 14:39
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:22

Politeísmo (11): Atena

por jpt, em 04.03.13

 

 

Para quem queira melhorar o trautear tem aqui a cábula. É uma oração adequada aos tempos que correm. (Estão disponíveis versões menos "limpas", até mais apetecíveis. Mas aqui fica esta, com o som e a imagem menos carne e suor, mais adequados ao remanso do computador).

publicado às 17:03

 

Dado que aqui em Maputo se continua a discutir questões ligadas com a imigração ocorre-me partilhar este artigo: segundo relatório do Banco Mundial os imigrantes africanos são os que mais pagam para enviar dinheiro para países de origem. Por exemplo, no mínimo são taxados duas vezes mais do que os sul-asiáticos, e até bastante mais - 3,5 vezes mais quando imigram para a África do Sul, o grande receptor de mão-de-obra do continente. Sendo mais do que presumivel que são também eles os mais mal pagos e os que partem de contextos originários mais empobrecidos.

 

As coisas são sempre mais do que parecem. À primeira vista. E a quinquagésima vista, também. Teria muito mais interesse discutir coisas destas. "Coisas destas" entenda-se como "desenvolvimento".

 

publicado às 08:41

 

Chamo-me pássaro Pablo,

ave de uma pena só,
voador na escuridão clara
e claridade confusa,
minhas asas não são vistas,
os ouvidos me retumbam
quando passo entre as árvores
ou por debaixo das tumbas
qual funesto guarda-chuva
ou como espada desnuda,
estirado como um arco
ou redondo como uma uva,
voo e voo sem saber,
ferido na noite escura,
aqueles que vão me esperar,
os que não querem meu canto,
os que me querem ver morto,
os que não sabem que chego
e não virão para vencer-me,
a sangrar-me, a retorcer-me
ou beijar minha roupa rota
pelo sibilante vento.
Por isso eu volto e vou,
voo mas não voo, mas canto:
pássaro furioso sou
da tempestade tranquila.
 

Pablo Neruda - O Pássaro Eu

AL (ao P por um ano de vida)

publicado às 06:33
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:23

Miguel Relvas em Maputo

por jpt, em 02.03.13

 

Miguel Relvas deslocou-se esta semana a Maputo para assinar alguns "protocolos desportivos" - sobre a inutilidade destes nem vale a pena esboçar argumentos. Há quem veja apenas fel nesta minha desilusão com as práticas de "cooperação" portuguesa. Mas não o é, é pura empiria. Em 1997 vim para Maputo e parte do meu trabalho era o acompanhamento das relações de "cooperação" no sector desportivo, sei um pouco do "patois". Daqui a dois anos ou quatro anos faça-se uma verdadeira avaliação dos efeitos destes protocolos e se tiver germinado algo de verdadeiramente real, estruturante, tragam-me o fogo para eu meter lá as mãos. O ministro terá ainda acompanhado uma feira de empresas portuguesas. E, presumo, contactou o estado moçambicano, neste formato actual, em que a desconfiança entre primeiro-ministro e ministro dos negócios estrangeiros o colocou como representante do PM na política externa. Essas já são coisas mais subjectivas, o governo saberá como tecer a sua rede de sustentação. Só espero que benéficas para o país. E, já agora, neste caso, também para Moçambique.

 

Interessa-me o eco local desta visita, e o que ele mostra da apreensão  do momento português. "Afinal o Relvas anda por cá?!" (assim mesmo, "o" Relvas), li no mural-FB de um colega académico moçambicano. O qual nem sequer estudou ou trabalhou em Portugal, não tem qualquer relação mais próxima com a realidade portuguesa, este dito vem-lhe mesmo do reconhecimento do ministro português. Sucederam-se alguns comentários jocosos e um outro, de académico bloguista, mais irado. Que se fosse Relvas a uma universidade moçambicana deveria ser boicotado, tal e qual Jonathan Moyo (o académico zimbabweano que como ministro da informação no início de XXI deixou uma vergonhosa imagem, repressiva e venal, e aqui em Maputo foi boicotado). O eco das difíceis relações de Miguel Relvas com alguns jornalistas portugueses a fazerem-se sentir. E, claro, num meio académico, o menosprezo pela vergonha de cidadania que é a "licenciatura" do ministro (e que conspurca letalmente os académicos que dela se tornaram parte, até antropólogo metido naquilo).

 

Miguel Relvas condecorou Mário Coluna. E bem ouvi, num dos locais do "Monstro  Sagrado", no qual sou também cliente habitual, a ríspida ironia,o sarcasmo militante, nas mesas de mais-velhos, gente de longa estrada atrás, sem pruridos, sobre quem condecorava o "Monstro Sagrado". Veio ainda lançar o jornal  "A Bola" aqui (o jornal colou-se às elites políticas de ambos os países, é seu direito estratégico, mas parece-me que isso lhe denota grave crise económica para assim se subalternizar). Discursou na cerimónia de lançamento e disse algo simpático (um pouco na linha de um texto sobre o assunto que escrevi há dois dias aqui), recordando que lia o jornal desde criança, a inócua e gentil frase "Aprendi a ler no jornal A Bola".

 

Resultado? Logo que o jornal saíu, a primeira edição moçambicana de A Bola, citando o discurso, este foi o curtíssimo rastilho da piada, patrícios a telefonar-se ou  a conviver, gargalhando em mesas de café: "Sabes onde é que o Relvas fez a primária?", "Leu a Bola e teve equivalência". Não, não são bloquistas (que não abundam por aqui, felizmente), são mesmo portugueses dos negócios, das empresas, alguns até convidados para estes eventos do "beautiful people" maputense. Gente patrícia, do contexto social e político do ministro e dos diplomatas que o acolhem. E que, tal como os académicos moçambicanos, não o respeitam. Precisarão dele. Acolhem-no, até pressurosos. E temem-no ("não escrevas sobre o Relvas ..." estou farto de ouvir. Entre-paredes e não só.). Mas não lhe têm pingo de respeito.

 

Como se pode governar assim? Mais, como se pode governar democraticamente assim?

publicado às 06:15

O Torgal Ferreira

por jpt, em 02.03.13

 

O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. Diz que os acusados (sejam lá do que sejam) têm de provar que estão inocentes e a malta cala (o provedor dos advogados, um advogado não castrado como perorou recentemente, fica-se no silvo do eunuco). E de novo vem vituperar o governo e apelar a manifestações ("ai se me pudesse manifestar", geme) de rua? Torgal Ferreira é general, e nessa condição diz o que quiser sobre os homossexuais e diz o que quiser sobre o sistema jurídico? Talvez. Mas quando critica publicamente o governo e apela a manifestações de rua o que se deve fazer? Voz de prisão, sem mais nem menos. Só a cobardia acossada de um sistema político degenerado permite isto.

 

Não, não, dizem os hipócritas dos argumentos a la carte, não é general, é "apenas" um bispo equiparado? Chame-se o Núncio Apostólico, em explícita linguagem diplomática, e ponha-se o vate em ordem - numa qualquer paróquia argelina ou saudita. E, já agora, acabe-se definitivamente com a pantomina (Inconstitucional? Ridícula.) do "capelão das forças armadas". E quando os beatos da "tradição católica", do "santo padroado" vierem resmungar com isso, responda-se-lhes, apenas, "torgal". Será argumento suficiente para acabar a discussão. Que nem sequer o merece ser.

 

publicado às 05:49

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publicado às 17:41
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:24

No olhar é que está o estranho

por AL, em 01.03.13

 

Mido Macia, 27 anos, moçambicano. Encontrado morto na cela policial de uma qualquer esquadra em Joanesburgo. Arrastado primeiro pelas ruas como se trapo fosse, espancado depois já em cativeiro. O crime? Parou o táxi-ganha-pão no lado errado da estrada.

Nada mais que uma banal ocorrência no dia a dia desta república. Que insistimos em olhar com lentes de arco-íris. Vai sendo tempo de as trocarmos...

AL

 

 

publicado às 16:40

 

 

Num grupo memorialista-bairrista do facebook reencontro hoje esta deliciosa (e tribal) memória, um texto já com 28 anos do Paulo Varela Gomes sobre uma "rua" dos Olivais, um tempo e uma fauna que conheci mais-que-bem. (Re)ler será para alguns, poucos, uma revisita. E para outros, se o quiserem, um pouco da Lisboa dos inícios de 1980s. Aqui deixo a ligação, pois há alguns anos foi reproduzido no blog Olivesaria: "Ideias de Rua" de Paulo Varela Gomes

 

Tudo derrapou, como então disse o Tiago? Estar-se-ia "perto do fim"?

  

publicado às 15:42

Politeísmo (8)

por jpt, em 01.03.13

Deus das trevas.

publicado às 15:35

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