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Eu, jpt, obamista radical

por jpt, em 30.04.13

 

Engraçado, o postal anterior da AL, Obama a fingir-se de actor que se faz de Obama. Isto exactamente, e que coincidência, no dia em que eu aderi ao obamismo (apesar do republicanismo de Clint Eastwood, farol). Coisas da net, irresistível ao tomar conhecimento disto, da homenagem aos Led Zeppelin (e como está velho o Page!!!) feita na Casa Branca. Com este discurso ganhou a minha radical filiação (repito, apesar de Clint Eastwood). Diga-se o que se disser, há quem não tenha este tipo de presidentes:

 

 

 

E aqui fica uma fundamentação ideológica para esta minha adesão:

 

publicado às 00:17

Se calhar anda viral no feicebuque, mas eu tenho um fraco muito forte por quem tem sentido de humor e nao hesita em expor-se e rir-se de si mesmo.

 

AL

publicado às 18:31

Tróicas e Baldróicas*

por mvf, em 29.04.13

 

                                                              

 

A política portuguesa é fértil em originalidades. Deste último congresso do PS saíram algumas, começando por propostas de solução para os problemas conhecidos que Portugal vai vivendo, e que, segundo um amigo, não aguentam uma leitura mais atenta. Dizia ele entre duas cigarradas que "esta das empresas "viáveis" mas com dívidas ao fisco e à Segurança Social verem a mão do Estado safar a onça, não lembra ao mais pintado. E continuou referindo-se sem curvar a cerviz e sem mostrar o merecido respeito pelo Dr. António José Seguro, "o que o gajo está a dizer, e parece-me que o diz sem saber o que diz..., é que as tais dívidas seriam incorporadas no capital das empresas em questão. E mesmo que assim não seja e que este gajo não tenha conseguido explicar-se melhor, sabemos que muitas empresas fecharam as portas justamente por cumprirem as suas obrigações fiscais e perante a S.S. Outras, ao contrário, não pagavam, por exemplo, à S.S. as contribuições devidas, para os proprietários e admnistradores se divertirem nos bares de putas e com carros de alta cilindrada... Em todo o caso, como é que este gajo - que tratamento para um ilustre filho da Beira Baixa!... - que, segundo ele próprio, conhece bem o tecido empresarial, porque ajudou o pai no pequeno comércio lá em Penamacor quando era puto, vai triar a viabilidade de empresas carregadas de dívidas?" Eu, que não percebo porra nenhuma de coisa alguma, fico sempre espantado com peneiras finas que impedem as areias por mais movediças que possam ser de entrarem nos olhos do incauto cidadão, respondi-lhe que se calhar tinha razão. Que mais podia dizer? Como exemplo de proposta, estamos conversados, porque outras eram já conhecidas e, no fundo, não passam de declarações de intenções, de vontades acompanhadas de constatações que qualquer distraído não deixou escapar faz tempo. Pede-se mais de um tipo que acaba a pedir em tom sério, o que um comediante de 2ª linha hesitaria e, se arriscasse o disparate, desatava a rir-se da cabra da idéia, maioria absoluta em coligação mas sem sequer referir eleições para a conseguir. Pede-se mais a um tipo que lidera o partido que saltou do poleiro há meia legislatura, depois de assinar o incontornável memorando do nosso descontentamento e que se tem descoberto que varria para debaixo da carpete cigana, as contas que eram devidas ao País, e, que maçada, à UE, e tudo o que se sabe, vai sabendo e virá a saber de negócios e negociatas de tom desastroso para o Estado que representavam. Adiante, que p'ra trás mija a burra. De resto, diz um eminente politólogo, aliás rapaz muito chegado ao PS, que o congresso foi uma coisa de afectos, portanto de amigos aos abraços, e que a Política ficou em segundo plano. Se calhar ainda bem, digo eu. Ao menos, divertiram-se, reviram velhos camaradas, fizeram as pazes com os irmãos desavindos, uma festa pá, uma festa. Para tudo acabar em bem, de língua na boca uns dos outros, nada como - parece unânime a análise dos tais politólogos e comentadores - uma liderança a três, uma tróica, suplantando com vantagem aquela indefinição bicéfala arranjada pelo Francisco Anacleto Louçã para o Bloco de Esquerda. Desta feita, Seguro, Costa & Assis, designação que não deslustraria qualquer firma comercial, mas das viáveis, mandam no partido. Uns calam os outros e o bonito vai ser quando a carpete já citada for puxada... Além das beatas pode haver escorregadias cascas de banana e alguém pode espalhar a dentuça na tijoleira. Em todo o caso, bicefalias, tricefalias e acefalias, fizeram-me lembrar o Rio Ave e a sua equipa sensação da época futebolística de 1983/84, com chegada à final da Taça com o FCP. Não ganhou nada mas atrapalhou e nela pontificava um trio que já vinha de outras épocas e de igual, portanto enorme, categoria: Quim, Adérito & N'Habola. 

 

Vosso

mvf

 

 
 

*Título deste post multi-média num trocadilho forçado, muito forçado, de um tema festivaleiro de Cândida Branca Flor e cuja letra se enquadra no espírito da época

publicado às 08:27
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:46

Deslogato

por AL, em 28.04.13

Fui passar o fim de semana ao Bilene a casa de uma amiga. No meio das 3 galinhas, propriedade do caseiro, brinca um gatito a dar para o escrofuloso.

Seu Vicente, esse gato aí agora é da casa também?, pergunta a minha amiga.

Nada!, responde o velho Vicente, esse aí é deslocado.

AL

publicado às 19:23

A morte do tinhoso-FF

por FF, em 26.04.13
Em março de 2008 recebi a "simpática" notícia de que tinha sido premiado com um cancro da próstata.  Além da verdadeira dúvida da continuidade existencial que então imediatamente se plantou, estava escrito no papel que o fulano era de grau 8 numa escala de 10, implatou-se também um enorme sentimento de injustiça, pois dois anos antes tinha deixado de fumar. Não propriamente por convicção, mas por teimosia. E todo esse esforço de purificação resultava num rotundo nada. Fui operado no início da noite de 24 de abril.Três meses depois os primeiros resultados anunciavam a provável morte do tinhoso, mas havia que esperar, vigiar e punir, se fosse o caso. Eufórico, nesse mesmo dia, reconciliei-me, com os cigarros, primeiro, e com Foucault, depois.
De lá para cá comemoro o meu 25 a 24. Coisa pouca para a humanidade, um passo tremendo para mim. Este ano comemoro 5 anos. O médico disse-me que a doença estava curada. Reconciliei-me com a biomedecina. Continuei reconciliado com os cigarros, e com Foucault desreconciliei-me novamente.
Assim, o meu dia da liberdade deste ano, e que espero repetir mais uns anitos, foi novamente a 24 de abril. Sózinho, que a data não é colectiva, e com cigarros e jack daniels, exageradamente, se calhar.
Para o 25 propriamente dito já não me restaram muitas forças, trabalho e uma ligeira ressaca. E nem da turquia veio alento, nem desalento. 25 de abril chocho, o meu.

publicado às 16:30
modificado por jpt às 18:19

Ontem, 25 de Abril

por jpt, em 25.04.13

 

Já é noite, avançada até, oito e tal, subo os corredores da faculdade para a última aula do dia. Vou como vou, a gripe voltou, a telha mantém-se, longa, ríspida, como sempre o é, neste amarfanhar do trapo. Pior, serão pormenores mas tanto moem, reparo agora que tenho uma enorme mancha na camisa, café decerto, mas não tenho tempo para me mudar, vou assim aparecer diante dos alunos, qual ogre abatido. Cruzo uma colega, saúda-me, arranjo alento - esse que falta quando só - para umas palavras sorridentes. Simpática, felicita-me pelo dia, "25 de Abril", lamenta-me, companheira, por não gozar o meu feriado, mas para logo mudar, como se até arrependida, "bem, mas para ti o 25 de Abril não é nada! tu não és disso!", qualquer coisa assim .... Fico gelado, transido, balbucio qualquer coisa como "então ...?", ou nem mesmo isso, e sigo trôpego para a sala, maçar quem me espera com qualquer coisa tão distante, umas quaisquer ideias de XIX, e antes de lá chegar ainda penso "que terei eu dito?, algum dia?, para ouvir isto?".
Depois regresso a casa, o jantar tardio das quintas-feiras d'agora. Enquanto os tachos reaquecem espreito o fb no portátil, muito 25 de Abril nos meus "amigos" dali. Entre o imenso "memeísmo" que dominou tudo aquilo, lá surge uma foto real das comemorações na minha Lisboa, impante lá está o bombista e assaltante, anos preso pelas malevolências e assassinato cometidos, para depois ser "amnistiado" por via de uma "absolvição", esta brotada daquele necessário irenismo reconciliatório dos anos 80s. Todo ele, gordo, encanecido, está ali qual também símbolo do 25 de Abril, e quem o ladeia enche blogs de democráticas aspirações. A este assassino os colegas não lhe questionam a democracia, que o folclore se globalizou, resmungo para mim.

Vou-me ao peixe, trago-o no tabuleiro e vejo um pouco as notícias portuguesas. Mais comemorações. Os jornalistas questionam os "populares" sobre o significado da data, e também algumas criancinhas, aperaltadas, vestidas a rigor, cheias de símbolos (a data é simpática, mas ninguém percebe o tétrico que é adornar as crianças para este tipo de situações, quais "anjinhos da democracia"?). Todos eles respondem da mesma forma, até os bem industriados petizes, o 25 de Abril representou a liberdade.

Sorrio. Nem um desses "donos" (e filhos de "donos") da data, da democracia, se lembra de falar na paz. Que a data significa a paz. A história pátria foi bem limpa ... Apetece-me enviar um sms à minha colega, mas ela não compreenderia. Nem o teor, nem a minha irritação. Que nem é com ela.

Depois surge um "não-popular", o cantor Carlos Mendes. Opina. Que  "o que se está a passar no país é indecente". E como tal é necessário um novo 25 de Abril! Isso mesmo: temos seis colónias, cheias de barreiras raciais (mesmo que os luso-tropicais afiancem que não, e nunca desistam de o lembrar); três guerras e dezenas de milhares de tipos a fazê-las, na esmagadora maioria sem perceberem para quê. Nelas, e também na metrópole (onde Carlos Mendes continua a cantar e vai opinando, sabe Deus com que coragem) temos as prisões cheias por delitos de opinião, mais a merda da censura. Temos o povo analfabetizado, pobre como o caraças, e mais no campo ainda, onde quase metade de nós se vai arrastando entre machambeiros, malteses e ratinhos, e nem falar da liberdade de associação, seja ela qual for, e mesmo a de culto, enfim esta com muito cuidadinho - nem de dessassociação, já agora, que nada de divórcio legal, não vá a gente meter-se com ideias. Eleições está visto, vota quem está nas listas, e depois no fim ainda vai tudo à "contagem". O Presidente, não o do Conselho, falo do da República, é fascista e da pide, dizem-me ainda no fb, e vários o fazem também com grande coragem. Tem razão o Carlos Mendes, e espero que o cante. A tropa tem que se revoltar, e o povo deve segui-la, a acabarem com este estado de coisas.

Passo de canal, para o Fenerbahce-Benfica, o Magdeburgo-Sporting de hoje.

Deve ter razão a minha colega. O meu feriado não é o mesmo deste cantor. Nem o do chefe das Brigate Rosse lusas. Fico mais sossegado e, imagine-se, desirrito-me. Pois a cada um o seu folclore.

É essa a democracia. O meu feriado. Ou, melhor, o meu folclore. 

publicado às 23:39


AL (para a VA, a outra menina da cooperativa)

publicado às 20:09
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:12

Na Península

por AL, em 24.04.13
Mario Macilau (auto-retrato)
Mário Macilau (auto-retrato)

Confesso que não conheço Mário Macilau, jovem fotógrafo moçambicano, tampouco a sua obra. Cheguei a ele por mero acaso: assisti ao fim de um documentário na Al-Jazeera, que me interessou. Hoje busquei no site se o episódio estaria disponível e... tcharam... estava! Deixo-o aqui.

Fiquei ainda a saber que o documentário que me interessou é o primeiro de uma série intitulada “The New African Photography”, do programa Artscapes. O documentário sobre Mário Macilau vai para o ar em 27 de Maio.

AL

 

publicado às 22:14

Jesualdo Ferreira

por jpt, em 21.04.13

O treinador do Sporting da próxima época. Caso contrário alguém está a trabalhar mal. Muito mal.

publicado às 23:08

Uma vergonha

por jpt, em 21.04.13

 

Uma aldrabice pegada, este Benfica-Sporting. Um mercenário, o árbitro. Um escroque (Freitas Lobo, o comentador televisivo, a gabar o árbitro, um lixo de homem - e ainda se diz que o verme irá trabalhar para o Sporting!). Pior do que tudo, decerto, milhares ou até mais, de patrícios meus, porque "benfiquistas", a gostarem do acontecido. As pessoas gostam. E como podem gostar disto podem gostar do resto. Do lixo que acontece, para além de futebol. É um lixo de gente. E merecem, mesmo, o que lhes acontece. Na bola, e no resto. Mais, merecem pior do que lhes acontece. E do que acontece ao país que aceita esta merda.

 

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publicado às 22:59

Filipe Branquinho no BESPhoto 2013

por jpt, em 21.04.13

 

Filipe Branquinho está no BESPhoto, exposição concurso em Lisboa (o ano passado foi premiado Mauro Pinto), que neste 2013 tem o seguinte conteúdo, e estará acessível entre 17 de Abril e 2 de Junho . Apresenta seis fotografias, intitulando-as "Showtime", e explica-as assim:

 

"A ideia partiu do livro Pão Nosso de Cada Noite, do Ricardo Rangel, fotografado na Rua Araújo, a “Rua do Pecado”, hoje Rua de Bagamoyo, e de alguns nus do José Cabral, um trabalho um pouco solto que inclui material censurado na Bienal de Bamako. A partir dessas imagens comecei por desenhar uma ilustração, e isso deu-me vontade de fotografar. Fotografar mulheres como o Cabral as fotografa, num cenário à Rangel.


Ao contrário do Rangel, que fotografou muito a rua, os bares, eu queria entrar um bocado mais dentro, entrar onde isso acaba, os quartos de dois hotéis que já existiam no tempo do Rangel, há meio século atras, e que curiosamente hoje ainda lá estão. 


Visitei os hotéis, conversei com os donos e vi os quartos. Descobri que no Hotel, seis dos cerca de quinze quartos são alugados à hora, a duzentos meticais (5 euros). Chamam Showtime a esses quartos para onde as prostitutas levam os clientes, de dia ou de noite. Cada cliente tem a sua fantasia, e eu, como cliente, paguei os quartos e as mulheres para poder estar lá, e a minha fantasia foi fotografá-las. Perguntaram-me: “- Quanto é que pagas?”. Paguei o serviço à hora, como qualquer cliente." (Sinopse com base na entrevista do José Pinto de Sá para o catálogo do BESPhoto 2013)".

 

O trabalho está apresentado (e muito elogiado) no blog Alexandre Pomar. O qual, praticamente, lhe atribui o prémio. E isso seria bom. Fico a torcer por isso. Mas fico também, só vendo de longe, com o nariz torcido. Com este tipo de estetização do putedo. A ver irei, quando o trabalho for exposto em Maputo.

 

publicado às 16:47

Apneia

por jpt, em 21.04.13

Só hoje vejo este "O Barão", de Edgar Pêra. Se eu pensasse que o Pêra, que é um tipo que eu não encontro para aí há 20 anos, serve para representar algum colectivo que me seja mais ou menos vizinho, ou dele emane, este filme seria a forma de me reconciliar com essa qualquer entidade, com a qual a amargura dos anos passados talvez me tenha azedado o amor. Mas não penso isso, até porque me vão dizendo que o homem não mudou muito e nisso não se terá amarfanhado, e ainda bem que assim é. Porque o filme é sumptuoso, iluminado. E dele. E arrebata-me. Uma apneia, avassaladora. Não sobre a qualquer coisa que me dizem os ecos escritos, mas sobre a vida, o poder. E, acima de tudo, a paixão. Fico, agora, já depois, exausto. Da tal apneia. Reconciliado com qualquer coisa. Com o cinema, talvez. Com a grandeza humana, com toda a certeza, essa que   produz coisas destas.

(Nuno Melo, extraordinário)

 

(Leonor Keil, diva)

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publicado às 00:46

 

Os homens não falam muito do assunto, não é exactamente o tema de conversa mais apetecido. Percebe-se, a gente não fala das pilas próprias (ainda que falemos menos das hemorróidas, o que denota bem a hierarquia das vergonhas masculinas no nosso [meu] contexto cultural). Ainda assim nas poucas conversas sobre o assunto que vão havendo, nunca encontrei alguém que me dissesse que com ele o Viagra não funciona, sendo que aqueles que se sentem livres para falar da bela pílula azul se congratulam com os efeitos. Num contexto mais multicultural (ou globalizado) também se saúdam os efeitos do Furunbao, produto chinês que intenta os mesmo objectivos.

 

Também por isso tanto choca e irrita a persistência da estúpida superstição, essa  metonímia do corno de rinoceronte moído como indutor de erecções. A questão não é de mera sensibilidade exarcebada, amor aos "bichinhos". Pois  os rinocerontes estão, pura e simplesmente, perto da extinção. Uma desgraça ecológica, completamente inútil e desnecessária. Fruto deste boçalismo, crendices tontas.

 

Entenda-se, a caça furtiva à fauna bravia foi continuando, difícil de erradicar, mas desde há alguns anos, com a explosão das interacções comerciais entre África e a China, devolveu-se ao vigor de há algumas décadas. Para além das torpes crenças inexiste na China uma sensibilidade ecológica socialmente poderosa . E não existem formas institucionais de controlar efectivamente estes tráficos (ilegais). Nem por lá, e muito menos nos países africanos. Que estão a ser ecologicamente devassados, numa verdadeira orgia colonial. Mas que não o entendem deste modo, disfarçando esta vasculha com o nome de "desenvolvimento" e "ajuda".

 

Nota-se esta desgraça nos detalhes. Indo ao Kruger (que tem sido um verdadeiro santuário), desde há mais de um ano que não há informações para os visitantes sobre a localização de rinocerontes (como há para outras espécies mais procuradas). Tamanha é a dimensão da caça, dentro dos limites do parque.

 

E nota-se nas grandes coisas. Como nesta tenebrosa fotografia. Produzida por uma crença imbecil. E por uma "indústria" miserável. Velha de séculos. 

 

 

 

Adenda: Na caixa de comentários Wim deixa este comentário: "O combate à caça de rinocerontes é uma causa nobre, mas não acredito que a divulgação de mitos (com contornos racistas) contribui para isso. "One repeated misconception is that rhinoceros horn in powdered form is used as an aphrodisiac in Traditional Chinese Medicine (TCM) as Cornu Rhinoceri Asiatici (犀角, xījiǎo, "rhinoceros horn"). In fact, it is prescribed for fevers and convulsions." (http://en.wikipedia.org/wiki/Rhino_horn#Horns)".

 

Porventura. Em absoluto tem razão, convém saber exactamente as causas da procura e os contextos de aquisição, para melhor se combater o assunto. Mas três pontos a este pretexto, ou seja a ideia, que ouço há anos, que existe na China a crença das potencialidades afrodisíacas do pó do corno de rinoceronte, e que Wim contesta:

a) Envia-me para a wikipédia. Acontece que,  como aqui referi, explicitando empiricamente, não creio na wikipédia. Para fazer este rapidíssimo postal, sobre algo do qual pouco sei, fiz uma pesquisa e consultei duas páginas, uma que não lembro e esta WildAid. Ambas referem a crença nas propriedades entesadoras do pó-de-corno. Aceitei-as como verdadeiras, até porque articuláveis com o que sempre ouvi. É isso falso? Fica aqui a nota. As páginas apontam outras causas para a sua procura (por exemplo ele agora é um rival do Guronsan) e eu não as apontei. Preferi um tom sarcástico sobre o assunto. Merecem melhor os imbecis?

b) Wim considera que divulgo mitos. Porventura, mal-informado estarei, más páginas consultadas. E que os mitos têm contornos racistas. Co(nto)rnos racistas, talvez. Vou então aceitar que sim, que são mitos, que como dizem outras páginas (a wikipédia, por exemplo) a crença em vários contextos asiáticos é que o pó-de-corno de rinoceronte cura febres, reumatismos, maleitas várias, cancro, ressacas, etc. Mas não se acredita que dá tesão.

Aceito que o conteúdo do postal esteja errado (não vou estudar sobre o assunto e não me custa a acreditar nisso). Não compreendo mesmo é onde está o co(nto)rno racista. Mas que raio é o racismo para ser assim atirado ao ar? Confesso, não me cabe nos co(nto)rnos. Talvez por não ter paciência para estes pruridos dos correctismos. Para as correcções tenho, para os correctismos não. Nunca.

c) Nesta última pesquisa sobre a questão encontrei um artigo sobre o actual tráfico. Muito interessante:  The undetected trade in rhino horn-

publicado às 14:39

Os bons leva-os a morte

por AL, em 19.04.13

 

Estamos de luto aqui em casa; choramos a morte de uma irmã. Conheci-a num encontro fugaz, mas a marca que me deixou foi indelével. Cedo hoje o meu postal à Paola Rolletta, sua amiga de longa data e que sempre a acompanhou:

 

Faleceu a minha amiga Ana Maria Muhai. Faleceu de noite. Ela que amava o sol, a luz, a vida. Que sempre sorria e tinha uma palavra divertida para fazer sorrir. Que fez da sua vida “uma obra-prima de amor”.

Tornou-se uma figura incontornável para os moçambicanos dentro e fora do país. Foi uma das primeiras pessoas a dar a cara: “Eu não aprendi a Sida numa associação ou nos livros. Aprendi na minha própria pele. A Sida sou eu!”. Dizia isso, com voz poderosa e tenaz, para dar coragem àqueles que tinham medo de fazer o teste, àqueles que não sabiam que existem antirretrovirais, àqueles que não queriam ouvir sequer pronunciar a palavra Sida.

Jornalistas de todo o mundo íam entravistá-la na sua casa, na casinha da Machava, depois de terem visto e ouvido os seus discursos veementes contra o estigma e para o acesso universal ao tratamento. Até em Nova Iorque nas Nações Unidas! Os vizinhos chamavam-na Luisa Diogo, e ela ria-se. Famosa como uma primeira ministra! A sua grande frustração era não falar inglês, mas dizia que os últimos dez anos de vida valiam como cem anos, tantos os lugares que tinha visitado, tantas as pessoas que tinha encontrado!

Recebeu muitas homenagens pelo mundo fora pela sua coragem, pela sua “fúria de viver”.

No bairro da Machava onde morava com os filhos e a mãe, naquela casa que construiu lágrima após lágrima, tijolo após tijolo, bloco após bloco, choram a grande amiga e conselheria, depois de muito tê-la marginalizada porque seropositiva. Chamavam-na fantasma. Chamavam-na Sidinha. E ela chorava não tanto por ela, mas porque também os filhos eram vítimas da discriminação. “Os vizinhos não deixavam os meus filhos assistirem televisão por causa de mim, por causa da Sida!”.

Trabalhamos juntas, durante muitos anos, com muita cumplicidade e carinho. Com amizade.

Ana Maria Muhai tornou-se um dos mais importantes e conhecidos testemunhos do DREAM, o programa de luta contra o HIV/Sida e a má nutrição que a Comunidade de Sant’Egidio leva a cabo em Moçambique desde 2002. Ela foi uma das primeiríssimas pacientes, na casinha da Machava. Não há ninguém que não considere Ana Maria o ícone do DREAM e da luta contra o HIV. “Conto a minha história, eles podem ver com os seus olhos, que estou bem, que tenho força, que posso trabalhar. E mostro a fotografia de quando pesava 29 quilos. Explico-lhes a importância de cumprir com todos os conselhos que os médicos dão, de levar uma vida saudável. E os meus vizinhos agora vêm a minha casa, pedem-me conselhos e até me pedem sal...

Um maldito cancro levou-a. Tinha 52 anos.

AL

 

 

 

publicado às 06:52

O mundo tal como vai

por jpt, em 16.04.13

 (busto de Voltaire)

 

 Em "O Mundo tal como vai" Voltaire conta-nos que Ituriel é "um dos génios que presidem aos impérios do mundo", tendo a tutela do "departamento da Ásia". Certo dia convoca o cita Babouc, e envia-o a Persepólis, capital da Pérsia, com o encargo de relatar detalhadamente o que lá encontrará, pois na última assembleia dos génios da Alta Ásia houve discussão sobre o destino a dar a esse reino, fartos que estão das "loucuras e dos excessos dos Persas". Estão os génios na dúvida, ou corrigi-la ou exterminá-la.

Lá foi Babouc, encontrando por lá do pior, do mais imoral e corrupto. Mas não só. Após algum tempo chegou o momento de terminar a sua missão: "Afeiçoara-se à cidade, onde o povo era educado, doce e benfazejo, embora imprudente, maldizente e cheio de presunção. Temia que Persepólis fosse condenada; temia o relato que iria entregar. Eis o que fez para apresentar de modo favorável essa descrição. Encomendou aos melhores profissionais de fundição da cidade uma pequena estátua composta de todos os metais, das terras e das pedras mais preciosas e mais vis e levou-a a Ituriel:

-Despedaçareis esta bonita estátua - perguntou Babouc - só porque não é toda de ouro e diamantes?

Para bom entendedor, meia palavra basta, e Ituriel resolveu nem sequer pensar em corrigir Persepólis e deixar andar o mundo tal como vai.

- Porque - disse - se nem tudo está bem tudo é admissível."

publicado às 20:30

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