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Se calhar anda viral no feicebuque, mas eu tenho um fraco muito forte por quem tem sentido de humor e nao hesita em expor-se e rir-se de si mesmo.

 

AL

publicado às 18:31

Tróicas e Baldróicas*

por mvf, em 29.04.13

 

                                                              

 

A política portuguesa é fértil em originalidades. Deste último congresso do PS saíram algumas, começando por propostas de solução para os problemas conhecidos que Portugal vai vivendo, e que, segundo um amigo, não aguentam uma leitura mais atenta. Dizia ele entre duas cigarradas que "esta das empresas "viáveis" mas com dívidas ao fisco e à Segurança Social verem a mão do Estado safar a onça, não lembra ao mais pintado. E continuou referindo-se sem curvar a cerviz e sem mostrar o merecido respeito pelo Dr. António José Seguro, "o que o gajo está a dizer, e parece-me que o diz sem saber o que diz..., é que as tais dívidas seriam incorporadas no capital das empresas em questão. E mesmo que assim não seja e que este gajo não tenha conseguido explicar-se melhor, sabemos que muitas empresas fecharam as portas justamente por cumprirem as suas obrigações fiscais e perante a S.S. Outras, ao contrário, não pagavam, por exemplo, à S.S. as contribuições devidas, para os proprietários e admnistradores se divertirem nos bares de putas e com carros de alta cilindrada... Em todo o caso, como é que este gajo - que tratamento para um ilustre filho da Beira Baixa!... - que, segundo ele próprio, conhece bem o tecido empresarial, porque ajudou o pai no pequeno comércio lá em Penamacor quando era puto, vai triar a viabilidade de empresas carregadas de dívidas?" Eu, que não percebo porra nenhuma de coisa alguma, fico sempre espantado com peneiras finas que impedem as areias por mais movediças que possam ser de entrarem nos olhos do incauto cidadão, respondi-lhe que se calhar tinha razão. Que mais podia dizer? Como exemplo de proposta, estamos conversados, porque outras eram já conhecidas e, no fundo, não passam de declarações de intenções, de vontades acompanhadas de constatações que qualquer distraído não deixou escapar faz tempo. Pede-se mais de um tipo que acaba a pedir em tom sério, o que um comediante de 2ª linha hesitaria e, se arriscasse o disparate, desatava a rir-se da cabra da idéia, maioria absoluta em coligação mas sem sequer referir eleições para a conseguir. Pede-se mais a um tipo que lidera o partido que saltou do poleiro há meia legislatura, depois de assinar o incontornável memorando do nosso descontentamento e que se tem descoberto que varria para debaixo da carpete cigana, as contas que eram devidas ao País, e, que maçada, à UE, e tudo o que se sabe, vai sabendo e virá a saber de negócios e negociatas de tom desastroso para o Estado que representavam. Adiante, que p'ra trás mija a burra. De resto, diz um eminente politólogo, aliás rapaz muito chegado ao PS, que o congresso foi uma coisa de afectos, portanto de amigos aos abraços, e que a Política ficou em segundo plano. Se calhar ainda bem, digo eu. Ao menos, divertiram-se, reviram velhos camaradas, fizeram as pazes com os irmãos desavindos, uma festa pá, uma festa. Para tudo acabar em bem, de língua na boca uns dos outros, nada como - parece unânime a análise dos tais politólogos e comentadores - uma liderança a três, uma tróica, suplantando com vantagem aquela indefinição bicéfala arranjada pelo Francisco Anacleto Louçã para o Bloco de Esquerda. Desta feita, Seguro, Costa & Assis, designação que não deslustraria qualquer firma comercial, mas das viáveis, mandam no partido. Uns calam os outros e o bonito vai ser quando a carpete já citada for puxada... Além das beatas pode haver escorregadias cascas de banana e alguém pode espalhar a dentuça na tijoleira. Em todo o caso, bicefalias, tricefalias e acefalias, fizeram-me lembrar o Rio Ave e a sua equipa sensação da época futebolística de 1983/84, com chegada à final da Taça com o FCP. Não ganhou nada mas atrapalhou e nela pontificava um trio que já vinha de outras épocas e de igual, portanto enorme, categoria: Quim, Adérito & N'Habola. 

 

Vosso

mvf

 

 
 

*Título deste post multi-média num trocadilho forçado, muito forçado, de um tema festivaleiro de Cândida Branca Flor e cuja letra se enquadra no espírito da época

publicado às 08:27
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:46


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